segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Marcos Coimbra: como ficam as oposições depois da eleição

Os resultados das eleições foram ruins para as oposições. E a catástrofe só não foi maior porque uma de suas principais lideranças ficou preservada. Se não fosse a vitória de Aécio em Minas, o panorama seria pior.


Por Marcos Coimbra*, no Correio Braziliense

As eleições para os governos estaduais não são um consolo. O fato de o PSDB ter mantido o controle do Executivo em São Paulo, Minas, Alagoas e Roraima, tê-lo conseguido no Paraná e o recuperado em Goiás, no Pará e em Tocantins, é relevante, mas não muda o quadro. Assim como não o alteram as vitórias do DEM em Santa Catarina e no Rio Grande do Norte.

Nenhum desses resultados tem projeção significativa fora das fronteiras de cada estado, a não ser, talvez, a mudança de status de Beto Richa, que passou de ator municipal a estadual. Em São Paulo e Minas, a troca de guarda nas administrações tucanas se deu com a substituição de personagens nacionais (Serra e Aécio) por figuras de expressão menos abrangente ou em inicio de carreira (Alckmin e Anastasia). Nos demais estados, o fato de um partido estar ou não no governo quer dizer pouco para a vida política brasileira (por mais relevante que seja no plano local).

As oposições se estadualizaram e perderam importância nacional. No Senado, diminuíram de tamanho e de capacidade de expressão, com a derrota de alguns de seus representantes mais emblemáticos. Na Câmara, seu recuo foi ainda mais dolorido, pois não era esperado.

Na nova Legislatura, as oposições não conseguirão impedir mudanças constitucionais, e nem instaurar ou bloquear CPIs, duas das prerrogativas que possuem. A menos que consigam se aproveitar das fissuras que existem no condomínio governista, pouco lhes resta, a não ser um papel simbólico.

Não é sempre ruim, para uma oposição, ser pequena. No autoritarismo, pode até ser motivo de orgulho, sinal de como é difícil resistir e da coragem de seus integrantes, como nos mostrou, em passado recente, Ulysses Guimarães. Na democracia, contudo, o caso é outro. Oposição pequena é apenas consequencia da indiferença da maioria para com suas propostas e candidatos, e da preferência dos eleitores pelo governo.

O resultado da eleição presidencial é o pior. Perder pela terceira vez consecutiva é preocupante, pois mostra que faz muito tempo que ela não consegue responder ao sentimento majoritário das pessoas. Ficar 12 anos longe do poder quer dizer, entre outras coisas, ir sumindo da referência do cidadão comum, deixar de ser uma alternativa concreta e real. Começa a ser um jogo em que você só tem chance se o adversário errar.

Ter perdido como perderam é ainda mais negativo. Sozinhas, as oposições fizeram menos de 30% do voto total no primeiro turno e só foram ao segundo por obra de Marina Silva. Voltando às metáforas futebolísticas, foi como um gol em que a bola é mal chutada, mas entra, depois de esbarrar no juiz, desviar no defensor e tocar na trave. O gol vale, ainda que o atacante comemore cheio de vergonha.

Do final do primeiro turno ao segundo, a campanha Serra fez um desserviço ao país e prejudicou as oposições no longo prazo. Procurando navegar nos sentimentos mais retrógrados de nossa sociedade, apostou no atraso e se esqueceu de sua biografia. Acabou protagonista de cenas lamentáveis.

Foi uma candidatura errada do começo ao fim. E que quer, agora, uma sobrevida errada. Com ela, as oposições perderam a possibilidade de se renovar e se apresentar ao eleitorado com conteúdo e imagem nova.

Antes de partir em viagem de descanso, Serra disse que não considerava cumprida sua missão e que se despedia com apenas um “até breve”. Para ele, ao que parece, seria natural assumir a liderança das oposições ao governo Dilma e voltar a ser candidato a presidente em 2014.

Talvez para ele. Mas não para toda a oposição e, muito menos, para a importante parcela da opinião pública que se identifica com ela.

Só os mal informados achavam que Serra era a solução para as oposições nas eleições deste ano. Agora, qualquer um vê que ele é o problema. Não é o único, mas um dos maiores.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Xenofobia no Brasil algo mais comum do que se pensa

Perfeito seria se não houvesse xenofobia, homofobia e preconceito racial.

A notícia mais comentada da semana é da estudante de Direito de São Paulo, que de forma impensada e como a maioria das pessoas usa seu senso comum para expor suas opiniões mesmo que seja opiniões que exaltem a xenofobia, algo comum por parte de alguns grupo privilegiados que se mostram desenformadas e pretensiosas.

Mas eu já me contentaria se ao menos os estudantes universitários de classe média — que supostamente representam 4% da elite intelectual do país, culta e esclarecida — não fossem os responsáveis por difundir essa forma de preconceito.

Mayara Petruso xenofobia

Mayara Petruso xenofobia

Mayara já apagou suas contas no Twitter e Facebook, mas o registro fica aqui, pra que ela não esqueça do dia em que, ao invés de se desculpar publicamente pelas besteiras que disse, optou por se esconder e fingir que nada aconteceu.

No mínimo curioso tantos ataques, acredito que nesse momento de crescimento que o Brasil esta passando a idéia separatista é vaga e sem fundamento. Primeiro que o País economicamente só é viável com a integração de todos, norte, nordeste, centro-oeste, sudeste e sul. Essas questões sempre voltam à tona durante as eleições, é comum quando as pessoas estão discutindo sobre economia e questões relacionado ao IDH, PIB e renda per capita as pessoas indagam sobre a possibilidade de separação, é obvio que existe um senso comum nessa retórica. Só é possível mudar essa triste realidade quando se proporciona um debate de forma plausível e durante esse processo fique claro a importância de todas as regiões.

Durante anos o Nordeste foi considerado no sudeste principalmente em São Paulo uma região de atraso e pobreza o que de fato é verdade. Hoje com as mudanças e o crescimento acelerado desse novo Brasil, o Nordeste se mostra uma potencia econômica emergente, ajudando a acelerar a saída do País da crise de 2008, dessa forma ficou claro que os anos de atraso da região tinha um culpado, as lideranças políticas conservadoras que a séculos se beneficiam com a pobreza e de quebra compactuava com os interesses da elite paulista, que encontrou na explosão demográfica terreno fértil para seu crescimento econômico durante o século XX ( Processo acelerado de industrialização do centro-sul, depois da decadência do café a partir da década de 30). A grande discussão para esse século não passa perto dos rancores de épocas longínquas de conquistas territoriais ou mesmo separatista, hoje o País esta em uma nova era de desenvolvimento e crescimento cultural, político, cientifico e econômico. Cabe aos nordestinos usarem seu intelecto e de fato perceber que todo esse rancor por partes dos eleitores do candidato derrotado nas eleições 2010, é forjado pela mídia golpista que passa para os telespectadores, leitores e etc a idéia de que José Serra, só perdeu por conta dos votos do nordeste.

O paulista principalmente, se sente elite em alguns momentos superiores aos demais, isso advém da sua formação não culpe as pessoas de expressarem a sua cultura, vamos tentar através de diálogos sensatos e construtivos mostra a todos seja nordestino ou moradores de outras regiões como é importante a integração de País e acima de tudo a identidade nacional, que está em formação.


Aumento de salário para prefeito e secretários de SP continua indefinido

Projeto de lei prevê aumento de 95% para Kassab e mais de 250% para secretários. Sessão desta quarta-feira 3 foi adiada e uma nova deve ser marcada

O polêmico projeto de lei em discussão na Câmara Municipal de São Paulo, que reajusta o salário do prefeito, vice-prefeita e dos secretários foi suspenso nesta quarta-feira 3. Com 20 votos contrários (maioria do PT e um da vereadora Mara Gabrilli, do PSDB), 19 votos favoráveis, duas abstenções e 14 ausências, uma nova votação deverá ser marcada, já que são necessários 28 votos contra ou a favor dos 55 vereadores.

A proposta da Mesa diretora da Câmara visa o aumento do salário do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, em 95% e de sua vice Alda Marco Antonio e dos 27 secretários da cidade em mais de 250%. O salário do prefeito passaria então dos 12 mil reais para 23,2 mil; o dos secretários de 5,3 mil para 19,7 mil reais; e o da vice-prefeita, Alda Marco Antonio (PMDB), de 5,5 mil reais para 20,8 mil. Os 31 subprefeitos teriam os salários reajustados proporcionalmente.

Para o vereador Paulo Frange (PTB) “a Casa já discutiu bastante esse assunto no ano passado. Imagine você que um subprefeito tem um salário um pouco acima de R$ 5 mil. Nós não vamos conseguir manter quadros de bom nível se não estiverem à altura do que eles teriam se estivessem na iniciativa privada. Precisamos assumir a responsabilidade de debater o assunto”, afirmou.

Já o líder do PT na Câmara João Antonio diz ser contra a proposta e acredita que uma saída razoável seria a aplicação da “correção inflacionária para essa parcela do funcionalismo, já que os demais servidores não terão reajustes tais como os propostos pelo prefeito.”

terça-feira, 2 de novembro de 2010

DILMA PRESIDENTE! VENCEMOS UMA BATALHA, MAS A LUTA CONTINUA!

Caio Dezorzi
Os trabalhadores deram um voto de classe. Derrotamos o candidato burguês da coligação demo-tucana. Agora seguimos na luta contra os burgueses que estão no Governo, coligados com o próprio Partido dos Trabalhadores.

A vitória do PT com 56,05% dos votos válidos é um duro golpe contra a burguesia brasileira. Quase 56 milhões de brasileiros deram um claro mandato à presidente eleita Dilma Rousseff: governar para o povo trabalhador, impedir privatizações, investir o dinheiro público, inclusive aquele proveniente das novas reservas de petróleo da camada Pré-Sal, em saúde, educação, moradia, geração de empregos e reforma agrária. Ou seja, o povo trabalhador votou claramente contra a volta da direita e por mudanças, pelo atendimento de suas reivindicações.


A burguesia e as eleições

Um setor importante da classe dominante brasileira acreditava que o PT não conseguiria sair vitorioso em eleições onde o Lula não fosse candidato a presidente. Esse setor apostou todas as fichas na candidatura de José Serra do PSDB (surgido de um racha do PMDB em 1988) coligado com o Democratas (antigo PFL, formado por quadros oriundos do ARENA – partido da Ditadura Militar de 1964-1985). A candidatura de Serra conseguiu reunir o que há de mais atrasado e reacionário na sociedade brasileira.

Já outro setor bastante importante da burguesia brasileira adotou uma tática diferente. Apostou na vitória do PT e se coligou ao partido da classe trabalhadora. Esse setor é representado principalmente pelo PMDB (maior partido burguês do país), que além de célebres figuras reacionárias como José Sarney, Renan Calheiros, Jader Barbalho tem também aquele que assegurou seu lugar ao sol como o vice na chapa de Dilma, agora eleito vice-Presidente do Brasil, Michel Temer.

Ainda no primeiro turno, um setor secundário da burguesia, mas que não pode ser desprezado, apostou numa via alternativa, depositando suas fichas na candidatura de Marina Silva, pelo PV. Esse setor acreditava que fosse possível construir uma nova força política que pudesse atrair o voto da pequeno-burguesia com o discurso da “sustentabilidade” e do ecologismo. Para isso, tinham a “candidata ideal” e o Partido Verde. Tiveram êxito importante com quase 20 milhões de votos no primeiro turno. E, apesar da “neutralidade” declarada pelo PV e por Marina Silva após o 1º turno, os seus financiadores migraram claramente para a candidatura de Serra no 2º turno.


Alianças e armadilhas

Analisando dessa forma, alguns podem chegar à conclusão de que o PT só foi capaz de vencer porque a burguesia está dividida. Afinal, se o PMDB estivesse junto com Serra, teríamos perdido o 2º turno. Mas essa constatação é falsa dos pés à cabeça.

Pelo contrário: vencemos apesar da aliança com o PMDB. A soma das forças nem sempre resulta em força maior. Em muitas atividades da campanha de Dilma, Michel Temer era deixado em segundo plano, não falava nada, ou até ficava meio escondido. Isso porque setores importantes da classe trabalhadora corretamente encaravam com muita desconfiança um vice de um partido historicamente inimigo dos trabalhadores, como o PMDB.

Agora que sabemos os resultados das urnas, é anunciado que “Michel Temer terá um papel de vice muito maior do que os vices de Lula e FHC tiveram”. Sim. E esse é o perigo!

Nos anos 30, ao criticar a política de Frente Popular – levada a cabo pelos stalinistas em aliança com os liberais da Espanha com o pretexto de estar contra os fascistas – Trotsky nos explicava:

“Os teóricos da Frente Popular não ultrapassam a primeira operação aritmética: a adição. A soma dos comunistas, socialistas, anarquistas e liberais, é maior do que cada um de seus termos. No entanto, a aritmética não é suficiente! É preciso, pelo menos, conhecimentos de mecânica. A lei do paralelograma de forças ocorre também na política. A resultante é, como sabemos, tão menor quanto mais divergentes forem as forças. Quando aliados políticos puxam em direções opostas, o resultado é zero.

O bloco dos diferentes grupos políticos da classe trabalhadora é absolutamente necessário para resolver tarefas comuns. Em determinadas circunstâncias históricas, um bloco desse tipo é capaz de arrastar as massas oprimidas pequeno-burguesas, cujos interesses são próximos aos do proletariado, já que a força conjunta deste bloco é muito maior do que a somatória das forças que o constituem. Pelo contrário, a aliança entre o proletariado e a burguesia, cujos interesses agora sobre questões-chave formam um ângulo de 180 graus, não pode nada além de paralisar a força reivindicativa do proletariado.”
(Leon Trotsky, Lições da Espanha: Última Advertência, Dezembro/1937).

Todos sabemos a que levou essa política de alianças com setores da burguesia na Espanha e como acabou a revolução espanhola. E no Brasil de hoje, seria diferente?

O Governo Lula já vem aliado a setores da burguesia há 8 anos. Aliança que aumentou do primeiro para o segundo mandato com a consolidação do PMDB como aliado e agora é coroada com o vice do PMDB na chapa de Dilma!

Em 2006, sem ter o PMDB e nem o PDT na chapa, Lula teve 2 milhões de votos a mais que Dilma obteve agora coligada com o enorme PMDB, inclusive com um de seus principais quadros como vice!

Alguns podem dizer que em 2006 tivemos mais votos porque o candidato era o Lula e agora quase ninguém conhecia a Dilma. Esse é um fator importante a ser considerado. Mas não esconde o fato de que a ampliação das alianças com partidos burgueses resultou num número menor de votos.


O Programa de Governo Dilma-Temer

No início de Agosto o editorial do Jornal Luta de Classes (órgão de imprensa da corrente interna do PT, Esquerda Marxista) já alertava:

“No último dia de inscrição o comando da campanha da companheira Dilma inscreveu o ‘programa’. A imprensa burguesa entrou em histeria denunciando o programa ‘radical’ inscrito. Escândalo nacional e reação imediata da direção do partido. Dilma declara que não era nada daquilo e que havia acontecido um ‘engano’. Alguns incompetentes haviam levado para registrar o programa aprovado no Congresso do PT e não o escrito pelo PMDB e outros aliados. No mesmo dia o ‘verdadeiro programa’ é levado ao TSE e substitui o ‘equívoco’. A imprensa suspira aliviada com o novo programa que os petistas nunca leram nem discutiram.

Por ampla maioria o Congresso do PT aprovou um programa que deveria ser a base de seu programa de governo. Um texto muito longe de ser um programa socialista. Mas, fruto da pressão dos sindicatos e militantes, foram introduzidas algumas reivindicações como as 40 horas, taxação das grandes fortunas e medidas em relação à reforma agrária.

Foi o suficiente para a imprensa burguesa denunciar o ‘programa radical’ do PT. Os dirigentes do Partido logo saíram a campo declarando que era apenas a base para uma discussão com os aliados burgueses, que ninguém devia se preocupar, etc. Realmente, quem devia se preocupar eram os mil petistas delegados cuja maioria havia votado o texto. É desconhecida qualquer discussão onde a direção tenha insistido no programa do Congresso do PT e que tenha havido, por isso, qualquer tensão com os ditos aliados.

Pelo contrário, passaram a régua e fizeram conta nova, abandonando o programa que eles mesmos haviam aprovado. Só resta explicar às centenas de milhares de petistas representados pelos mil delegados do Congresso do PT para que servem os congressos e o que vale o seu voto.

Afinal, no congresso se vota algo e imediatamente os dirigentes começam a declarar que aquilo não vale, que é ‘só uma base’ e em seguida passam outro programa com a desculpa de que os aliados assim exigem?

A colaboração de classe, a subordinação à burguesia conduz a uma crescente capitulação. Em política quem começa a dizer ‘A’ tem que ir até o ‘Z’. No popular significa que ‘ajoelhou tem que rezar’. O resumo da ópera é que o tal programa foi simplesmente aprovado, engavetado e esquecido. E os comandantes da campanha passaram a redigir ‘programa verdadeiro’ junto com os capitalistas que não querem saber nem mesmo de reivindicações que já são ultrapassadas mesmo na maioria dos países capitalistas avançados. A burguesia brasileira, controlada pelo imperialismo, é reacionária até a raiz dos cabelos. Os petistas devem refletir sobre esses acontecimentos tão esclarecedores.

A Esquerda Marxista não apóia o programa do PMDB e outros inscrito no TSE em nome de Dilma. A Esquerda Marxista continua a batalha para reunir todos que compreendem que é preciso romper as alianças com os partidos capitalistas que desfiguram o PT e lutar por um governo socialista dos trabalhadores.”

Além desse absurdo, Michel Temer declarou à imprensa que a solução para o ensino superior é a cobrança de taxas nas universidades públicas! E só retirou isso do programa por pressão do PT, que sempre foi contra cobrar taxas em escolas públicas. Sempre foi por Universidade Pública, Gratuita e de Qualidade para Todos! Como aliar-se a esse tipo de gente?!

Está claro que a aliança com o PMDB e os outros partidos burgueses não fortalece a classe trabalhadora em sua luta pela emancipação da humanidade. Pelo contrário. É como colocar uma carroça para ser puxada por um jumento que vai para o leste e outro que vai para o oeste. Mas a classe trabalhadora precisa de um Norte! E paralisar a classe trabalhadora só favorece a classe burguesa, que por sua vez apresenta candidatos que defendem seu programa integral ao mesmo tempo em que “libera” um setor para se aliar ao partido operário e barrar o ascenso dos trabalhadores.

A aliança com o PMDB fez diminuir a votação do PT em relação às eleições anteriores e colocou em risco a vitória dos trabalhadores. Enquanto que uma chapa do PT sem coligações com partidos burgueses poderia apresentar um programa muito mais conectado às massas, com soluções concretas para as reivindicações mais sentidas do povo trabalhador, o que levaria a uma irresistível vitória contra toda a burguesia unificada.


Temer nosso vice: E agora?

Golpeamos um importante setor da burguesia ao derrotar Serra nas urnas. Uma vitória do candidato burguês imediatamente fortaleceria o imperialismo na região, revigorando as classes dominantes dos países vizinhos, ampliando as ameaças contra a Revolução na Venezuela e o movimento dos trabalhadores na Bolívia, Equador e toda a América Latina.

Vencemos essa! Mas agora a luta deve prosseguir contra o PMDB de Michel Temer, Sarney e outros lacaios do imperialismo. Não nos enganemos! Toda vez que o Governo estiver diante de uma decisão importante, cuja escolha possa ajudar a classe trabalhadora ou a classe burguesa, o PMDB e outros partidos burgueses aliados ao PT, vão se utilizar de seus postos de vice-Presidente, Ministros, etc. para obrigar Dilma a defender os interesses da classe dominante.

A nós cabe levar uma luta sem descanso contra esses inimigos que estão acolhidos no Governo eleito pelos trabalhadores! Somente a ruptura das alianças do PT com os partidos da burguesia poderá abrir caminho para a constituição de um Governo Socialista dos Trabalhadores, capaz de mudar verdadeiramente a vida do povo trabalhador, garantindo emprego para todos, salário mínimo de acordo com o necessário para uma família de 4 pessoas (hoje em torno de R$ 2mil), reforma agrária, moradia para todos, educação e saúde públicas, de qualidade e para todos em todos os níveis, uma previdência pública e solidária para todos, com a diminuição da idade para aposentadoria e o fim do “fator previdenciário”!

Para isso, Dilma deverá romper as alianças e apoiar seu governo na CUT, no MST, na UNE e em todos os movimentos sociais, fazendo um governo junto com o povo!

Mas, defendendo a teoria da conciliação de classes, Lula e a direção do PT ainda gozam de muita confiança entre a classe trabalhadora organizada. A consciência de milhões de trabalhadores só avançará a partir da experiência concreta na luta de classes e de grandes acontecimentos.

A crise econômica que prossegue mundo afora está cobrando a fatura nos países europeus e a classe trabalhadora começa a se mobilizar na França, Espanha, Grécia, Itália, Inglaterra e diversos outros países.

Toda medida que o Governo e/ou Congresso Nacional buscarem adotar para fazer a classe trabalhadora brasileira pagar pelos prejuízos que os capitalistas venham a ter em decorrência da crise deve ser enfrentada energicamente pelos trabalhadores. E aí todos veremos como se posicionarão os “aliados” burgueses, como Michel Temer e outros. Será nesses enfrentamentos que camadas importantes da classe trabalhadora farão a experiência e se somarão à exigência de ruptura das alianças do Governo do PT com os partidos burgueses. Para isso nos preparamos cotidianamente, estudando, organizando e lutando em cada fábrica, escola, universidade, local de trabalho, sindicato, etc. construindo a Esquerda Marxista do PT! Junte-se a nós!