quinta-feira, 3 de junho de 2010

Ataque a navio matou 19 e não 9; corpos foram jogados no mar

A ativista e cineasta brasileira Iara Lee, detida por tropas israelenses na ação militar contra embarcações que levavam ajuda humanitária à Gaza na segunda-feira passada, disse que passageiros do barco em que viajava "'viram soldados atirando corpos no mar". Israel sustenta que 9 pessoas morreram no ataque, mas Iara discorda. "Nossa contabilidade é de que 19 pessoas morreram. Ainda há gente desaparecida, não sabemos o que aconteceu com eles. E ainda há feridos muito graves, praticamente morrendo, que não conseguimos retirar do hospital em Tel Aviv."

Iara viajava no barco Mavi Marmara, que foi palco dos episódios de violência que resultaram na morte de nove ativistas. Em entrevista à BBC Brasil, de Istambul, onde chegou nesta quinta-feira de madrugada junto com um grupo de cerca de 450 ativistas deportados de Israel, Iara disse não ter testemunhado as mortes, mas que "outras pessoas que estavam no barco contaram ter visto soldados atirando corpos no mar".

Iara contou que os atiradores de elite do Exército de Israel entraram no principal navio da frota "atirando para matar". Segundo ela, o operador de internet do Mavi Marmara foi morto com um tiro na cabeça.

"Ele estava na sala de operações, perto da ponte, por onde entraram os atiradores de elite. O corpo dele foi encontrado com um tiro na cabeça", disse ela nesta quinta-feira, antes de embarcar para os Estados Unidos, onde vive.

Iara contou que estava embaixo do convés no momento do ataque, mas quando subiu para procurar seu cinegrafista, viu quatro corpos e vários feridos.

"Era muito sangue, eu comecei a passar mal, tive ânsia de vômito e até desisti de procurá-lo." Violência desproporcional Para a cineasta, a violência usada pelas tropas na ação foi desproporcional.

"Nos barcos pequenos, eles usaram balas de borracha, gás lacrimogêneo e armas de choque. Mas no nosso barco, eles chegaram usando munição de verdade", conta.

"Foram atiradores de elite, todos vestidos de preto, armados".

A cineasta contou que a abordagem israelense ocorreu por volta de 04h30 da madrugada, no escuro, e que foi muito rápida.

"Tinha dois barcos da Marinha. Quando a gente piscou apareceram dezenas de barcos de borracha, helicópteros, atiradores de elite descendo no barco. A marca registrada deles é o silêncio, fomos pegos de repente", ela lembra.

Iara acredita que os soldados ficaram assustados com o número de passageiros a bordo - mais de 600 - e que, por isso, ele podem ter optado por uma ação rápida com o objetivo de assumir imediatamente o controle do barco.

"Esperávamos que eles atirassem para o alto, em direção aos nossos pés, para nos assustar. Imaginávamos que eles fossem tentar jogar redes nos nossos motores, deixar a gente à deriva no meio do mar, mas nunca imaginamos isso." Depois da abordagem, as embarcações da tropa foram levadas para o porto de Ashdod, em Israel, com todos os passageiros algemados. "Quando mandaram a gente descer do barco, já tinham jogado todo o conteúdo de nossas malas no chão, estava tudo misturado. Eram roupas, laptops, pijama, escova de dentes, tudo junto." Os ativistas voltaram para a Turquia apenas com a roupa do corpo e seus passaportes. Segundo a cineasta, todas as câmeras, telefones celulares e blackberries foram confiscados pelo Exército. Ela diz que perdeu US$ 150 mil em câmeras e lentes.

Mas Iara disse que os ativistas conseguiram salvar registros do ataque que teriam sido escondidos em peças de roupas.

"A gente conseguiu salvar algumas fitas com imagens do ataque, que costuramos nas nossas roupas e não foram encontradas pelas autoridades israelenses." Iara Lee saiu do Brasil em 1989 e passou 15 anos nos Estados Unidos, onde é radicada. Nos últimos cinco anos, ela morou em diversos países, entre eles Irã, Tunísia e França, onde filmou documentários.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Aposentadoria na Educação, término de uma Carreira, início de um Descaso!!!

Sou Professora do Estado de São Paulo, aposentada, lecionei 38 anos ingressando na carreira no final da década de 40 no ensino fundamental e como não poderia deixar de ser já naquela época eram muitas as dificuldades para o exercício da profissão em condições muito precárias mas minha missão era alfabetizar, formar cidadãos, ajudar a construir um País melhor. Pois bem, aqui em São Paulo vivemos há mais de uma década sob a administração do Partido do PSDB, partido este que até mesmo pelo histórico de seus integrantes e lideres, é de luta social e como não poderia deixar de ser a Educação deveria ser uma de suas prioridades, mas infelizmente não é o que esta acontecendo o que me causa uma grande frustração, com uma política de total opressão, indigna, chegando aos limites da crueldade, situação esta nem mesmo sendo vista nos auges tempos da Ditadura Militar, foi tirado do professor sua Política Salarial. Hoje um professor recebe Bônus, ao invés de reajuste salarial, e com isso os aposentados ficam excluídos não recebendo nenhum tipo de reajuste há pelo menos 12 anos. E pior, o Governo ainda se vangloria desta situação. Mas ao contrário do que o Estado deseja, aposentadoria não é sinônimo de morte e como qualquer outro trabalhador da ativa precisamos viver, consumimos água, energia, alimentos, remédios, moradia e etc… E estes produtos são reajustados também para o aposentado da Educação. É esta a política do PSDB para a Educação e seus profissionais que tanto se dedicaram para formar cidadãos??? É esta a política do PSDB para o aposentado? A Política da exclusão social e desumana através do achatamento salarial? Ao recorrermos á Justiça que reconhece nossos direitos, inquestionável, vira precatório e nada muda. A carreira do magistério que antes era uma profissão reconhecida e respeitada passa a ser um trabalho temporário, “um bico”, pois afinal qual profissional capacitado que investe na sua formação e se preocupa com seu futuro, irá ingressar em uma carreira que oferece um final tão triste?

Este é um desabafo de um Profissional da Educação que a cada dia vem perdendo seu poder aquisitivo, mas, ainda não perdeu o poder da palavra! Que Deus nos abençoe!

Georgina Nogueira Pacheco Costa (Professora do Estado de São Paulo, Aposentada)




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Israel: Um governo de piromaníacos põe fogo no Oriente Médio

“Só um governo que já tenha perdido toda a capacidade de se autoconter e toda a conexão com a realidade comete tal crime. Atirar contra ativistas pacifistas, agentes de obra de auxílio humanitário, de várias nacionalidades, tomá-los como inimigos e enviar força militar massiva, em águas internacionais, atirar para matar e matar, é inconcebível!”

Por Uri Avnery, para o Gush Shalom (Bloco da Paz)

“Ninguém no mundo acreditará nas desculpas e mentiras do governo de Israel e dos porta-vozes do Exército” – disse o ex-deputado Uri Avnery, do movimento “Bloco da Paz”. Os ativistas do “Bloco da Paz”, com vários outros grupos, reuniram-se hoje em Ashdod, Tel-Aviv, Haifa e Jerusalem.

Hoje é dia de desgraça para o Estado de Israel. Dia de ansiedade, em que os israelenses descobrimos que nosso futuro está entregue a um bando de alucinados, todos de armas engatilhadas, atirando sem qualquer senso de responsabilidade. Hoje é dia de desgraça e loucura e estupidez sem limites. Dia em que o governo de Israel enlameou o nome do país ante todo o mundo, juntou mais provas, a comprovas que a imagem de uma Israel brutal, agressiva, não é invenção de propaganda. Hoje Israel dá um passo gigantesco afastando-se dos poucos amigos que nos restam no mundo.

Sim, houve ato de provocação no litoral de Gaza. Mas os provocadores não foram os ativistas pacifistas convidados a vir à Palestina e que tentavam chegar. Provocação houve, isso sim, praticada pelos comandos armados e encapuzados dos barcos de guerra, a mando do governo de Israel, que, para bloquear o avanço dos barcos dos pacifistas, não vacilou em atirar para matar, e matar!

É hora de levantar o sítio que sufoca a Faixa de Gaza e que tanto sofrimento causa aos palestinos. Hoje, o governo de Israel arrancou a máscara da face – com as próprias mãos – e mostrou a verdade: Israel jamais “desengajou-se” de Gaza. Nenhum desengajamento há, se Israel bloqueia o acesso à área ou manda soldados com ordem para matar e ferir quem tente chegar a Gaza.

Pelos Acordos de Oslo, há 17 anos, o Estado de Israel comprometeu-se a permitir e estimular a construção de um porto de águas profundas em Gaza, pelo qual os palestinos pudessem importar e exportar livremente seus produtos e o que necessitassem comprar, para desenvolver livremente sua economia. É hora de cumprir o acordado e abrir o Porto de Gaza. Só depois que o porto de Gaza estiver aberto, para livre movimentação, como acontece nos portos de Ashdod e Haifa, então sim, Israel ter-se-á “desengajado” da Faixa de Gaza. Até lá, o mundo continuará – com razão – a considerar a Faixa de Gaza como território ocupado por Israel; e Israel, responsável pelo destino dos seres humanos que vivem lá.

O artigo original, A government of pyromanics sets fire to the region, em inglês, pode ser lido em: http://zope.gush-shalom.org/home/en/events/1275331484

Caso Irã: Tucanos não resistem à argumentação de Amorim

Quem esperava um embate entre oposição e governo na audiência desta terça (1) com o ministro Celso Amorim na Comissão de Relações Exteriores do Senado, acabou presenciando um consenso favorável à diplomacia brasileira no caso do acordo sobre o programa nuclear do Irã. O chanceler falou por quase três horas e saiu da reunião elogiando “uma rara convergência” entre os parlamentares.

Presidente da comissão e um dos principais críticos do acordo, o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) limitou-se a ler o questionamento deixado pelo ausente senador João Tenório (PSDB-AL), autor da proposta da realização da audiência.

Azeredo foi logo explicando que havia um consenso, “inclusive entre os deputados da oposição”, de que o acordo pilotado pelo Brasil eTurquia representou um avanço, mas questionou sobre as garantias que os países teriam de que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, iria cumprir o acordo. Também perguntou se não existiam outras questões prioritárias para o Brasil no lugar da agenda internacional.

“Eu acho que garantias não podem ser baseadas nas intenções e sim em questões objetivas”, argumentou Amorim. Nesse ponto, ele reforçou o já havia dito o ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e prêmio nobel da paz Mohamed ELBaradei.

O chanceler leu um trecho de uma entrevista concedida no último domingo (31) por ELBaradei ao Jornal do Brasil: “Se uma ameaça significa a possibilidade iminente de o Irã desenvolver armas nucleares, não temos nenhuma evidência disso, pelo menos até eu sair da agência, há apenas seis meses. Na época, não havia qualquer indicação de que o Irã estivesse desenvolvendo armamento nuclear.”

Depósito de urânio

Com base em informações do serviço de inteligência de países ocidentais, Amorim disse que após depositar 1.200 quilos de urânio levemente enriquecido na Turquia, conforme o acordo, restariam ao Irã pouco mais de 1.200. Para obter um arsenal de bombas atômicas o país necessitaria beneficiar 9.000 quilos sem inspeção da Agência.

“Não há discussão sobre as intenções. Obviamente, o pressuposto geral de todo esse acordo é que urânio que o Irã dispõe continua sendo inspecionado pela Agência. Não é uma operação fácil deslocar 2.200 quilos de urânio das suas finalidades atuais para outras”, explicou.

Com relação a outras prioridades no lugar da agenda internacional, Amorim diz que o Brasil como membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas precisa seguir os princípios da Carta da organização na qual sugere que o país precisa opiniar sobre as questões da paz e da segurança internacional.

Ele também falou da carta que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, enviou ao presidente Lula três semanas antes do encontro em Teerã.

Questionado se o acordo não estava contemplado todos os pontos relacionados por Obama ao presidente brasileiro, Amorim foi enfático: “Comtempla de forma completa. Pode ser até que a linguagem não seja exatamente igual, mas contempla (...) Não há um ponto das preocupações principais do presidente Obama que não faça parte da declaração.”

Ele reforçou a posição do senador Cristovam Buarque (PDT-DF) segundo a qual os Estados Unidos não estariam aceitando o acordo pelo fato de querer manter sua posição hegemônica. “Não existe outra explicação”, disse Buarque.

Alguns títulos e trechos de artigos selecionados nos principais jornais do mundo, na opinião de Amorim, acrescentam mais à argumentação do senador. São eles: “O acordo com o Irã e o desafio da tutela de Washington”; “Quando Lula e Erdogan foram a Teerã o jogo foi completamente diferente, a mudança não estava no conteúdo, mas principalmente nos negociadores do local da reunião” e; “Hegemonia desafiada – Turquia e Brasil enfrentam EUA e Conselho de Segurança na questão do Irã.”