sábado, 27 de fevereiro de 2010

GLOBO PÕE JOGOS DE INVERNO NA GELADEIRA


O que mais a Globo esconde?
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Inúmeros colegas da imprensa já deram o recado: a audiência dos Jogos Olímpicos de Inverno foi surpreendente. Quem achava que a Record ia entrar numa fria se deu mal.
O povo não é bobo. É capaz de ligar seu televisor para conhecer e se encantar com novidades. O brasileiro é curioso e tem bom gosto. Não é o estúpido que alguns barões da mídia acham.
O que me interessa discutir aqui não são as estranhas regras do curling ou do skeleton, mas as entranhas de outro jogo. O de esconde-esconde. Não aquele da infância de todos nós. Mas a brincadeira que a Globo faz com seus telespectadores.
A Velha Senhora detinha os direitos de transmissão dos Jogos de Inverno há anos. Mas o escondeu de todos nós. Pagou para não exibir. Nem deixar que outros exibissem. Encastelada no Jardim Botânico, decidiu o que uma nação gostaria ou não de acompanhar. Talvez porque nos julgue estúpidos demais.
Mas tão estúpidos que a Globo resolveu simplesmente ignorar os Jogos de Vancouver. Não deram um segundo sequer sobre esse fenômeno que tomou conta das nossas telinhas. Esconderam de novo! Em resposta ao Estadão, que no último dia 19 publicou a pergunta óbvia (por que vocês não falaram dos Jogos de Inverno?), veio a arrogância.
Descreve o jornal: “a emissora alega que não falou sobre o evento porque não viu fato ‘relevante’ (um competidor morreu em uma prova), não possui os direitos de transmissão – que foram da Globo até 2006 e agora são da Record – e porque não possui ninguém de sua equipe lá cobrindo. Opa: e a turma do Sportv?”, conclui a colunista Keila Gimenez.
Traduzindo: em 2006 foram realizados os Jogos de Inverno de Turim, na Itália. Lembra? Não, ninguém pode lembrar, só os executivos mestres globais.
A morte do atleta georgiano, no luge, foi tão irrelevante que a imprensa mundial noticiou. Sobre a turma do Sportv, eles são da Globo, estão lá, dividem a cobertura de inúmeros outros eventos, vivem usando microfone com o logotipo das duas emissoras, mas neste caso… e agências de notícias? Coitada, a Globo não deve assinar nenhuma delas.
Esse esconderijo platinado é bem amplo, nele cabe um montão de coisas. Nesse esconde-esconde, ficamos sem ver as Diretas Já. Esconderam mais de um milhão de pessoas no comício do Anhangabaú. O Lula só apareceu quando virou presidente da República. Aí não dava mais pra esconder.
Leonel Brizola e Luís Carlos Prestes não tiveram a mesma sorte. Sumiram.
Precisaram morrer para aparecer. Aí já era tarde. Só de uma coisa eu não reclamo. A Glória Maria pode continuar escondida.
A Globo, pensando bem, escondeu o quanto pode a história do Brasil. Quem estudar nosso país pelos arquivos do Jornal Nacional nem vai saber que houve uma ditadura militar.
Por isso, temos que torcer para que a concorrência aumente. Para que não haja líder absoluto, concentração de poder, esconderijos.
Aí, sim, a Velha Senhora vai ter que se esconder. De vergonha.

Aluno sai da rede pública defasado

Em SP, aluno sai da rede pública do 3° Ano do ensino médio defasado

A qualidade do ensino em SP

Dados são do Saresp, prova de português e matemática aplicada nas escolas estaduais paulistas; aluno de 3º ano tem nível baixo até para 8ª série

Das três séries que fizeram os exames, a 4ª do ensino fundamental foi a que mais melhorou; avanço foi tímido na 8ª e inexistente no 3º ano

O desempenho dos alunos das escolas estaduais de São Paulo melhorou sutilmente no último ano, mas continua com grandes defasagens. O do 3º ano do ensino médio, por exemplo, não chega nem ao esperado para a 8ª série. As informações, divulgadas ontem pela gestão José Serra (PSDB), estão presentes na análise do Saresp, prova de português e matemática aplicada pelo governo estadual. Os resultados visam bonificar as escolas que melhoraram e identificar as dificuldades do sistema.

Leia aqui a matéria completa

O PIG admite que Dilma cresce em intenção de voto e já encosta em Serra, diz Datafolha

Pesquisa Datafolha publicada na edição de domingo da Folha, mostra que a ministra petista Dilma Rousseff (Casa Civil) cresceu cinco pontos nas pesquisas de intenção de voto de dezembro para janeiro, atingindo 28%.

No mesmo período, a taxa de intenção de voto no governador de São Paulo, José Serra (PSDB), recuou de 37% para 32%.

Com isso, a diferença entre os dois pré-candidatos recuou de 14 pontos para 4 pontos de dezembro para cá.

A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. No entanto, é impreciso dizer que o levantamento indica um empate técnico entre Serra e Dilma.

A pesquisa foi realizada entre os dias 24 e 25 de fevereiro. Foram ouvidas 2.623 pessoas com maiores de 16 anos.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Altamiro Borges: “Taxab” e o inferno astral demo-tucano

O inferno astral dos demos-tucanos parece não ter fim. Depois dos escândalos de corrupção no governo gaúcho de Yeda Crusius e da prisão do “vice-careca” José Roberto Arruda, agora foi a vez de Gilberto Kassab – também já batizado de “Taxab” pelos aumentos do imposto municipal (IPTU). Na semana passada, o juiz Aloísio Sérgio Resende, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, decretou a cassação do seu mandato de prefeito da capital. A punição não durou muito tempo. A Justiça Eleitoral suspendeu a medida. Mesmo assim, o ventilador já tinha sido ligado no esgoto.

O motivo alegado pelo juiz foi o de recebimento de doações irregulares na eleição de 2008. Entre as doadoras ilegais, a Associação Imobiliária Brasileira (AIB) e cinco concessionárias de serviços da prefeitura, como a Camargo Corrêa e a OAS. O comitê eleitoral do DEM declarou R$ 29,76 milhões em gastos na campanha, dos quais R$ 10 milhões foram considerados irregulares. Por mera coincidência, as empreiteiras que fizeram as doações já foram agraciadas em contratos que somam R$ 243 milhões – o equivalente a 12% dos investimentos da prefeitura no ano passado.

Doadores ganham contratos milionários

Juntas, as cinco construtoras doaram R$ 6,8 milhões para a reeleição de Kassab. No ano passado, elas ganharam contratos que superam este valor em 3.400%. Maior doadora, com R$ 3 milhões, a Camargo Corrêa foi a campeã em negócios: R$ 83,2 milhões. Já a AIB foi acusada de servir de fachada do Sindicato da Habitação, Secovi, o que é proibido legalmente de financiar campanhas. Ela doou R$ 2,7 milhões ao demo. Seu próprio presidente, Sérgio Ferrador, confessou à Justiça que a entidade gerenciava esquemas de financiamento, ocultando a identidade de ricos doadores.

O juiz Aloísio Sérgio considerou que a arrecadação de Kassab em 2008 ficou acima dos limites impostos pela lei, o que configura “abuso de poder econômico, que altera a vontade do eleitor”. Pelo mesmo motivo, ele já havia solicitado, no final de 2009, a cassação de 16 vereadores; outros estão na mira da Justiça. Apesar da punição do prefeito ter sido suspensa, a medida representou um duro baque para a oposição neoliberal-conservadora. Tucanos e demos ficaram desesperados e temem os efeitos destrutivos nas eleições majoritárias e proporcionais de outubro próximo.

Missa de sétimo dia dos demos-tucanos

No caso do DEM, seu declínio já é dado como inevitável. Abatido, o jornal FSP (Força Serra Presidente) até já encomendou a “missa de sétimo dia dos democratas”, segundo artigo de opinião de Valdo Cruz. Para ele, o partido disputará a eleição “num cenário amplamente desfavorável” e “já foi eleito, inclusive, como um inimigo a ser varrido da política pelo presidente Lula. O petista não esconde de ninguém que, entre outros objetivos na eleição de 2010, está impedir a reeleição de boa parte dos senadores democratas, que infernizaram sua vida durante seus dois mandatos”.

Já no caso do PSDB, as denúncias contra badalados dirigentes da oposição de direita abalam os planos presidenciais José Serra. O demo Kassab é uma cria do governador tucano. Serra traiu o candidato do seu próprio partido para impor o apoio ao canino seguidor. Agora, os dois perdem pontos, definham. Ainda segundo a FSP, “se Serra perder a eleição, aí podem encomendar a missa de sétimo dia dos democratas”. Só faltou acrescentar, que a missa do tucano será realizada no mesmo dia e igreja. Com certeza, os barões da mídia estarão presentes e chorarão muito.

Clique aqui para ir ao blog do Altamiro Borges.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Justiça Eleitoral cassa mandato de Kassab

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e a vice, Alda Marco Antonio (PMDB), tiveram o mandato cassado pelo juiz da 1ª Zona Eleitoral, Aloísio Sérgio Resende Silveira, por recebimento de doações consideradas ilegais na campanha de 2008. A decisão, em primeira instância, torna Kassab o primeiro prefeito da capital cassado no exercício do mandato desde a redemocratização, em 1985. Como o recurso tem efeito suspensivo imediato, os dois podem recorrer da sentença sem ter de deixar os cargos.

Entre as doadoras consideradas ilegais estão a Associação Imobiliária Brasileira (AIB) e empreiteiras acionistas de concessionárias de serviços públicos, como Camargo Corrêa e OAS. Ao todo, a coligação de Kassab e Alda

gastou R$ 29,76 milhões na campanha, dos quais R$ 10 milhões são considerados irregulares pela Justiça. A sentença será publicada no Diário Oficial de terça-feira, quando passa a contar o prazo de três dias para o recurso no Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Silveira disse neste sábado, 20, ao Jornal da Tarde que já julgou os processos de Kassab, nove vereadores e dos candidatos derrotados na eleição à Prefeitura em 2008, Marta Suplicy (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB), todos alvos de representação do Ministério Público Eleitoral (MPE), mas que não poderia informar quais dos réus foram cassados antes da publicação, na terça. Falta julgar o presidente da Câmara Municipal, Antonio Carlos Rodrigues (PR), e duas empresas acusadas de repasse ilegal.

O juiz afirmou, contudo, que manteve nas suas decisões o mesmo entendimento que levou à cassação de 16 vereadores no fim do ano passado. No caso, todos os políticos que receberam acima de 20% do total arrecadado pela campanha de fonte considerada vedada foram cassados. "Se passou de 20%, independentemente do nome, tenho aplicado a pena por coerência e usado esse piso como caracterizador do abuso de poder econômico na eleição, um círculo vicioso que dita a campanha e altera a vontade do eleitor", afirmou Silveira.

Além de cassar o diploma do prefeito e da vice, a sentença os torna inelegíveis por três anos. Dos 13 vereadores que aguardavam a decisão da Justiça Eleitoral, dez ultrapassavam o limite em doações consideradas ilegais. São eles: o líder do governo, José Police Neto (PSDB), Marco Aurélio Cunha (DEM), Gilberto Natalini (PSDB) e Edir Sales (DEM), da base governista, além de Rodrigues (PR).

Fonte vedada

Nas decisões, Silveira considerou como fonte vedada de doação eleitoral empreiteiras que integram concessionárias de serviços públicos e a AIB. A entidade é acusada pelo Ministério Público Estadual (MPE) de servir de fachada do Sindicato da Habitação (Secovi). Por lei, sindicatos não podem fazer doações a candidatos, comitês e partidos. Só da AIB a campanha de Kassab recebeu R$ 2,7 milhões. A entidade e o Secovi negam haver irregularidades.

"Um acionista, mesmo que minoritário, que tem faturamento de R$ 500 milhões, faz estrago numa campanha porque ele tira renda da concessionária. Embora seja um voto vencido, por conta da decisão do ministro Velloso, me convenceu", afirmou Silveira, citando decisão do ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Carlos Velloso favorável a essas doações nas eleições de 2006.

O inciso 3º do artigo 24 da Lei das Eleições (Lei 9.504/97) proíbe "concessionário ou permissionário" de fazer doações de qualquer espécie a candidatos ou partidos políticos. E embora a última manifestação do TSE, em 2006, tenha considerado legais doações de empresas com participação em concessionárias, votos proferidos no passado pelos ministros Cezar Peluso, Carlos Ayres Brito e Ellen Gracie repudiaram a prática.

‘Perplexidade’

Procurado pela reportagem, o advogado de Kassab, Ricardo Penteado, afirmou que a defesa do prefeito vai entrar com recurso no TRE que, diz ele, "deve resultar na reforma da sentença e na confirmação da vontade popular."

Penteado afirmou ainda que "as contribuições foram feitas seguindo estritamente os mandamentos da lei e já foram analisadas e aprovadas sem ressalvas pela Justiça Eleitoral."

"Causa perplexidade e insegurança jurídica que assuntos e temas já decididos há tantos anos pela Justiça sejam reabertos e reinterpretados sem nenhuma base legal e contrariando jurisprudência do TRE e do TSE", completou.

Dilma pré-candidata

A ministra Dilma Roussef foi declarada oficialmente pré-candidata do PT à Presidência da República durante prestigiado ato político ocorrido no 4º Congresso do PT, em Brasília. Com propostas avançadas e discurso mudancista, a pré-candidata teve seu nome aprovado por unanimidade.

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Em seu discurso, Dilma declarou que dará continuidade às transformações

Quando citou, no início do discurso, trecho do poema de Mário Quintana, a pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Roussef, adiantou o tom de seu discurso, uma resposta a perseguição que sofreu da ditadura militar. “Esses que ai estão, atravancando meu caminho, eles passarão; eu, passarinho.” O nome de Dilma foi aprovado, por unanimidade, no encerramento do 4º Congresso Nacional do PT, neste sábado (20), em Brasília, sob os olhares dos dirigentes dos partidos aliados – PMDB, PSB, PCdoB e PRB.

O seu discurso – mais longo do que o do Presidente Lula, que durou 55 minutos – incluiu ainda críticas à oposição e a grande mídia, destaque às conquistas e vitórias dos sete anos de Governo Lula e anúncio do compromisso em avançar na luta pela distribuição das riquezas, combate as injustiças sociais e as desigualdades regionais, crescimento econômico e inserção protagonista do Brasil no cenário internacional. Ao assumir o compromisso de pré-candidata, Dilma declarou que dará continuidade às transformações e disparou convicta: "continuidade é avançar, avançar e avançar".

A ministra Dilma disse que “preferimos as vozes oposicionistas – o que dizem livremente os grandes jornais -, ainda que mentirosas e caluniosas, ao silêncio da ditadura”, lembrando que quando falta democracia econômica e social, falta democracia como um todo, destacando que ao promover a distribuição de renda com respeito aos direitos humanos, quem pode duvidar da democracia praticada pelo Governo Lula.

E também criticou a oposição, sem citar diretamente o PSDB, ao dizer que o PT não mudou as regras no meio do jogo para garantir um terceiro mandato para Lula, em referência a manobra do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para permitir sua reeleição. “Vamos inaugurar o terceiro governo popular e democrático”, disse, arrancando aplausos e manifestações de aprovação do público.

A exemplo do presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, Dilma afirmou que as diretrizes de governo aprovadas no Congresso Nacional, serão submetidas ao debate dos partidos aliados e discutidas com a sociedade. Mas disse que assumiria alguns compromissos para indicar como quer continuar o processo de aprofundar o compromisso social dos governos Lula.

E manifestou propósito de ampliar o Bolsa Família e investir na qualidade na educação, “o meio de emancipação política e cultural do nosso povo”, afirmou.

Dilma emocionou a platéia quando fez referência aos companheiros mortos pela ditadura, dizendo que o exemplo deles - Carlos Alberto Soares de Freitas, Maria Auxiliadora Barcelos e Iara Iavelberg – lhe dá forças para aceitar o compromisso de concorrer às eleições presidenciais. Destacou também o apoio do Presidente Lula e do PT, que, segundo ela, “mudou quando foi preciso, mas nunca mudou de lado.”

Uma chuva de estrelas douradas desceu do teto, enchendo o palco, junto com as músicas-jingles em ritmo de carnaval, encerrando o evento, sob o eco das palavras finais de Dilma: “Vamos todos juntos até a vitória. Viva o povo brasileiro.”

Tarefa fácil

O Presidente Lula falou muito à vontade, expressando essa disposição logo no início do discurso, ao declarar que era tarefa fácil pedir votos para Dilma. Derramando-se em elogios à Dilma, o Presidente Lula destacou sua competência e inteligência.

“Essa é um coisa simples de fazer, convencer a votar na Dilma, até desnecessário, mais um microfone e um monte de gente é uma coisa apetitosa”, disse Lula, ao iniciar seu discurso de quase uma hora. Em sua fala, pautada pela preocupação do preconceito contra as mulheres, ainda vigente no Brasil, Lula disse que quem realmente vai convencer o povo a votar na Dilma será a campanha e os debates, para quebrar todos os preconceitos usados contra ela.

Segundo Lula, “o maior preconceito contra Dilma não é pelos defeitos, mas pelas qualidades”, citando como primeira qualidade o fato de “ser mulher”. Falou sobre sua experiência pessoal, admitindo que tanto ele como a companheira Marisa Letícia descobriram os limites da relação entre dois companheiros - que não é de um ser serviçal do outro, mas partilhar a vida – a partir da vivência política.

Menina e mulher

Referindo-se a Dilma inicialmente como “a menina de 20 anos que resolveu colocar sua própria vida em risco para garantir democracia no País”, Lula definiu a candidata à Presidente como “essa mulher que fez da sua ação governamental um trabalho extraordinário de servir aos outros e não se servir dos outros.”

Em meio a brincadeiras, que arrancaram risos e aplausos do público, Lula falou seriamente sobre o rigor de Dilma no trato da coisa pública, considerado uma virtude, que os adversários apontam como defeito. Disse ainda, em defesa de Dilma contra as acusações dos adversários, de que houve um tempo nesse país que os presos eram pessoas honestas, que lutavam pela democracia.

Ainda em defesa de Dilma, o Presidente Lula disse – em sinal de aviso – que vão acusá-la de “estatizista”. “Mas isso é bom, não temos que ter medo de assumir decisões importantes”, citando o exemplo de fortalecer a Eletrobrás como uma empresa grande nacional e multinacional.

O Presidente Lula assumiu, aos olhos dos dirigentes dos partidos aliados, que a candidatura de Dilma não é dele e não apenas do PT, é de uma coalizão de partidos. E lembrou que existem problemas nos estados que o PT precisa resolver com todos os partidos aliados - PMDB, PSB, PCdoB, PRB -, destacando ainda que cabe ao PMDB, como maior partido do País, indicar o candidato à vice na chapa da Dilma.

“Ela é candidata de uma coalizão de partidos políticos muito poderosa, que vai ajudar a ganhar e a governar. Não é a candidata do Lula, candidata-tampão, porque vai preparar a volta do Lula. Quem conhece política sabe que rei morto, rei posto, e um político nunca colocaria uma amiga, mas um adversário, com quem concorrer”, disse Lula, afastando a possibilidade de uma candidatura dele em 2014.

E manifestou desejo de que ela “cumpra um mandato extraordinário, para ganhar notoriedade, para ganhar outro mandato”. Segundo ele, “com nosso apoio, vai fazer mais e melhor do que fizemos.”

Usando o termo que o notabilizou - “nunca antes na história desse País” -, Lula citou todas as vitórias e conquistas do governo e disse que eleger a Dilma é coisa prioritária, porque representa a sua maior vitória, que é continuar transformando esse País. E encerrou sua fala dizendo que “humildemente, eu posso olhar na cara dos meus filhos, da minha mulher, dos meus netos e do povo e dizer que não existe ninguém mais preparado para governar o Brasil do que Dilma Roussef.”

Duas votações

Aplaudido de pé, sob o som alto do jingle de Dilma, Lula encaminhou a votação a favor da indicação de Dilma a pré-candidata a Presidente da República. Após a aclamação do nome de Dilma, o novo presidente do T, José Eduardo Dutra pediu nova votação, lembrando que três delegados não votaram. Após entregar crachá a Lula, Marisa Letícia e Dilma, foi feita nova votação. Decisão unânime: Dilma Roussef é pré-candidata do PT.

Dutra foi o primeiro orador do evento. Ele saudou Dilma como a futura Presidente do Brasil, fazendo silêncio para as manifestações do público de “Dil-ma, Dil-ma”. E depois corrigiu que “não é a futura, mas a próxima Presidente do Brasil.”

Ele destacou como qualidades de Dilma a competência, capacidade de trabalho e compromisso político, acrescentando que, “além disso, a nossa candidata tem profundo amor pelo povo brasileiro e compromisso com as práticas que estão sendo executadas pelo Presidente Lula.”

Dutra falou ainda, dizendo que repetiria à exaustão, que o documento aprovado no Congresso Nacional são diretrizes do Partido para ser apresentado e discutido com os partidos aliados e à sociedade.

Para Dutra, esse quadro de aliança, a candidatura de Dilma e a eleição de um nordestino à Presidente da República que tem seu nome na história do Brasil como o maior presidente que o País já teve eram situações inimagináveis anos atrás e que essa conjugação vai conquistar outro fato inédito que é eleger a primeira mulher Presidente do Brasil.

Um vídeo mostrando a história do Partido, desde a sua fundação, passando pelas campanhas eleitorais, as vitórias e as administrações de Lula, narrado por uma mulher que falava como se contasse a história de sua mãe, foi exibido antes das falas de Lula e Dilma.

Lilás e vermelho

As bandeiras lilases – cor símbolo do movimento feminista – substituíram as bandeiras vermelhas na manifestação. Aos gritos de “olé, olé, olá, Lu-la, Lu-la” e agito das bandeiras, os petistas e convidados cobravam o início do ato, já passados 40 minutos da hora prevista.

Logo cedo, todo o hall de entrada do Centro de Convenções, revestido em vermelho no chão e nas paredes – estava lotado. No auditório, minutos antes da hora marcada para o início do evento, ainda estavam sendo montados dois grandes painéis – um de cada lado – com o nome “Dilma” seguido da estrela do PT; e o palco ostentava um grande painel com a foto de Dilma e o Presidente Lula com os dizeres “Com Dilma, pelo caminho que Lula nos ensinou”.

Dando início ao evento, foram chamados ao palco, para compor a mesa, todos os petistas que ocupam cargo de governador e vice, prefeito e vice das capitais e todos os ministros, incluindo os de partidos aliados, como o comunista Orlando Silva, do Esporte, e o peemedebista Hélio Costa, das Comunicações, além dos líderes do governo e do PT na Câmara e Senado e os líderes dos movimentos sociais como o vice-presidente da UNE, Tiago Ventura e o presidente da CUT, Artur Henrique.

A chegada da comitiva de Lula e Dilma foi acompanhada pela montagem de ikebana (arte chinesa) por um grupo de mulheres e a apresentação de número musical.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

USAID financia os partidos políticos e grupos de oposição na Venezuela

Segundo o relatório anual de 2009 sobre as atividades da USAID na Venezuela, 32% dos seus fundos bilionários foram investidos em grupos estudantis e juvenis ligados à oposição. Dos 7,45 milhões de dólares entregues a grupos e projetos políticos na Venezuela em 2009, a maioria foi destinada a "promover o debate político entre os estudantes para elevar o nível do discurso sobre algumas das questões mais importantes para o povo venezuelano" e para "reforçar o uso de novas tecnologias de mídia (como o Twitter e o Facebook), melhorando o acesso à informação e permitir o debate aberto e produtivo na Internet".

No ano passado houve uma explosão na Venezuela no que tange ao uso do Twitter e Facebook como mecanismos para promover campanhas contra o governo venezuelano e o presidente Chávez. Em setembro de 2009, foi lançada a campanha "Não mais Chávez" pelo Facebook, visando criar um sentimento exagerado a nível mundial sobre a dimensão e o potencial da oposição venezuelana. Ultimamente, o Twitter se tornou um meio dominado por jovens venezuelanos ligados à violenta oposição para promover "fontes primárias" de opiniões distorcidas sobre a realidade do país.

Em outubro de 2009, foi fundada a Aliança dos Movimentos Juvenis, uma organização criada e patrocinada pelo Departamento de Estado que reunia as agências de Washington, os fundadores de novas tecnologias e os líderes estudantis e jovens políticos selecionados pelos EUA. Sua finalidade era combinar três setores que, juntos, criavam a "receita perfeita" para conseguir a mudança de regime em países estrategicamente importantes para Washington. Com a presença de três venezuelanos - Yon Goicoechea, Geraldine Alvarez e Rafael Delgado - fundadores do movimento estudantil de oposição, "Mãos Brancas".

A USAID está ativa na Venezuela desde agosto de 2002, quando abriu um Escritório de Iniciativas para uma Transição (OTI, em sua sigla castelhana) em Caracas. Até está data, foram financiadas mais de 611 grupos e projetos políticos na Venezuela com mais de $ 50 milhões de dólares. Segundo os seus próprios relatórios, o financiamento tem sido dirigido a três questões específicas: o apoio a campanhas e processos eleitorais, a promoção do debate político, e incentivar a participação cidadã e a liderança democrática.

Embora desde 2002 a USAID financie os partidos políticos e grupos de oposição na Venezuela, é no ano de 2005 que começou a apostar no movimento estudantil para formar em médio prazo uma nova liderança amigável para com os interesses de Washington. Um convênio entre a USAID e a Fundação "Educando o País", datado de 02 de Maio de 2005, teve como objetivo "a formação de estudantes e líderes juvenis". O acordo, que concedeu cerca de 40 mil dólares para cursos de formação política para o setor estudantil, procurou também "reintegrar os jovens e os universitários na vida política da nação."

Outros programas financiados pela USAID em 2005 foram dedicados a temas como "O papel do estudante universitário e da agenda universitária em torno da governabilidade, da democracia e da tolerância"; "O papel do movimento estudantil universitário na reconstrução e reconciliação da Venezuela"; "A construção de uma agenda comum que reflita o papel dos estudantes na política nacional" e "Fortalecimento as redes universitárias para promover a democracia"; entre outros.

Cinco anos mais tarde, os investimentos da USAID no setor estudantil na Venezuela começam a dar frutos. Aqueles que participaram dos cursos de formação patrocinados pela USAID, ou que receberam os seus fundos para a criação de novas organizações políticas, são hoje os líderes e os dirigentes políticos da oposição, como Yon Goicoechea, Freddy Guevara e Stalin González. Alguns já conquistaram cargos políticos como conselheiros municipais, e outros são os candidatos para as próximas eleições parlamentares em Setembro de 2010. E outros seguem direcionando as atividades políticas do movimento estudantil de oposição, criando novas lideranças e ações para atrair jovens e incorporá-los em um plano de desestabilização.

Em 2010, o orçamento da USAID na Venezuela dobrou. Agora são quase 15 milhões de dólares destinados a promover a desestabilização no país e tentar provocar uma mudança de regime favorável aos interesses dos EUA. O movimento estudantil opositor continua sendo o maior receptor dos fundos e das orientações do Norte.

Publicado por PODER PARA EL PUEBLO para El Poder es para el Puebl

Grilagem e conflito no Paraná

Essa é uma região em que a burguesia e o latifúndio trataram de deixar os sem terra bem longe, para impedir a unidade dos trabalhadores do campo e da cidade, para não permitir que a luta de uns inspirasse a dos outros. Por Passa Palavra

No fim de semana de carnaval um grupo de trabalhadores, trabalhadoras e estudantes, integrantes dos movimentos sociais urbanos, foram prestar sua solidariedade aos trabalhadores rurais sem terra que estão acampados na Fazenda São Francisco II em Ponta Grossa, estado do Paraná. Em menos de um dia no local, já puderam entender o que é grilagem [1], truculência e a necessidade da unidade dos trabalhadores do Campo e da Cidade.

grilagem-capangas-3A região entre Curitiba (capital) e Ponta Grossa (berço da UDR [União Democrática Ruralista, a organização política dos donos da terra]) possuiu apenas um assentamento, na região da Lapa, onde também funciona a Escola Latino-americana de Agroecologia. Essa é uma região em que a burguesia e o latifúndio trataram de deixar os sem terra bem longe, muito possivelmente para impedir a unidade dos trabalhadores do campo e da cidade, para não permitir que a luta de uns inspirasse a dos outros. Foi também nessa região, em Campo Largo, que o trabalhador rural Antônio Tavares foi assassinado. Na ocasião o MST estava indo para a Capital realizar uma manifestação, quando, por ordem do então governador, Jaime Lerner, teve sua passagem bloqueada pela Polícia Militar para que não seguissem com os ônibus. Ao decidirem seguir o trajeto a pé, foram bombardeados, e não só por tiros de balas de borracha e bombas de gás, mas também por balas “de verdade”, o que acabou resultando no assassinato de Antônio Tavares. Ao longo do texto há um atalho para o vídeo que mostra as imagens do ocorrido.

A fim de garantir um contexto histórico sobre esse conflito e a relação com a luta pela reforma agrária no Paraná, e pela causa da punição das milícias e torturadores dos trabalhadores rurais, resolvemos unir relatos e notícias que saíram na “grande mídia”, sítios do governo e de organizações de defesa dos direitos humanos.

Entendendo os fatos

Por volta das 15h30 de sábado (13/02), enquanto limpávamos uma área para construir uma “ciranda” [2] para que as crianças do acampamento tivessem um lugar para fazer atividades lúdicas, o ex-coronel condenado a mais de 18 anos de prisão, Valdir Copetti Neves, tentou despejar à força as famílias acampadas na Fazenda São Francisco II, que pertence à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A fazenda foi ocupada no dia 6 de fevereiro por aproximadamente 200 trabalhadores.

Depois da ocupação foi feito um acordo envolvendo a Promotoria de Justiça, os trabalhadores rurais do MST e Copetti Neves. Fora acordado que cada grupo deveria permanecer em uma fazenda (São Francisco I e São Francisco II) para evitar conflitos e que a Polícia Militar estaria presente na divisa permanentemente. Durante a semana a polícia saiu do local e então o grupo de Coppeti Neves rompeu com o acordo e se aproximou dos barracos do MST.

O conflito teve início quando o ex-coronel e capangas armados cercaram o espaço do acampamento. Em resposta à ofensiva, os trabalhadores se organizaram para pressionar a saída dos invasores. Durante o confronto, Copetti Neves tentou intimidar as famílias alegando ainda ser o “mandante” da força policial da região. Os trabalhadores do MST conseguem manter o acampamento e expulsar o grupo, mas em seguida Copetti Neves retorna acompanhado da filha, da advogada e de um número ainda maior de capangas, que atiraram contra os trabalhadores, além de avançar com automóveis sobre eles.

grilagem-2A Patrulha Rural Comunitária e o Batalhão da Polícia Militar de Ponta Grossa chegaram ao local pouco mais de 30 minutos depois do início do conflito, a chamado do MST. Com o discurso de amenizar a disputa, a polícia intermediou a negociação com posição claramente favorável ao ex-coronel e agindo de forma violenta contra os integrantes do MST. Durante a negociação, o tenente Azevedo usou de postura grosseira para inibir os trabalhadores, exigindo conversar somente com representantes e impedindo os demais trabalhadores de se aproximarem. A posição dos policiais ficou explícita quando um deles, o soldado Ronaldo, atirou com bala de borracha contra o trabalhador Davi.

grilagem-1A resistência do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra durante o conflito provocado por Neves resultou no fortalecimento da ocupação. Agora as famílias estão na maior parte da fazenda, enquanto o ex-coronel e seu grupo estão próximos da divisa com a Fazenda São Francisco I – área que pertence à Embrapa, também grilada por Neves. A polícia permanece próxima do local onde ficou estabelecida a nova cerca.

Para o MST, o caso da ocupação deve ser resolvido pela justiça e não de forma violenta, como vem tentado o ex-coronel. A terra é reivindicada pelo movimento desde 2004 e o processo de luta pela área resultou em três reintegrações de posse.

Sobre a área

Em 2005 a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) contestou o direito de Copetti Neves à reintegração de posse para a Fazenda São Francisco I, em Ponta Grossa. Copetti teria comprado uma posse das terras do então posseiro Adail da Luz e ingressou com um pedido de usucapião na Justiça Estadual em 1999. Posteriormente, Copetti Neves avançou em outras áreas da Embrapa. Por se tratar de uma área de autarquia federal, a ação foi remetida para a Justiça Federal. Uma perícia judicial realizada na área, a pedido da Justiça Federal, comprovou que a propriedade era da empresa [3].

Aprofundando o histórico

O tenente-coronel da PM Valdir Copetti Neves foi condenado a 18 anos de prisão pela Justiça Federal por tráfico internacional de armas de fogo e por formação de quadrilha. Copetti Neves comandava uma quadrilha que fazia a segurança ilegal de propriedades rurais na região de Ponta Grossa, próxima à capital paranaense. A quadrilha era responsável pela perseguição, intimidação e tortura de trabalhadores rurais sem terra. Na época, junto com os acusados foram encontrados recibos de pagamentos realizados pelos fazendeiros à quadrilha.

A investigação do caso começou com uma operação realizada em 2005, conhecida como “Março Branco”, que levou Copetti Neves à prisão por fornecer segurança ilegal a fazendeiros. Já em 1999, o nome de Copetti Neves esteve ligado a outra operação ilegal: interceptações nas linhas telefônicas de cooperativas ligadas ao movimento. Na época, as gravações foram autorizadas pela juíza Elizabeth Khater, sem fundamentação e nem notificação ao Ministério Público. A arbitrariedade rendeu ao Brasil uma condenação pela Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA, em agosto do ano passado [4].

As organizações e movimentos sociais do Paraná há muito denunciam a atuação truculenta de Copetti Neves. Em 2005, durante a realização da CPMI da Terra, foram apresentadas diversas testemunhas e vítimas de torturas realizadas por Copetti Neves, além de documentos comprovando o envolvimento do policial nas milícias privadas contratadas pelos fazendeiros. Contrariando os fatos, a CPMI aprovou o relatório apresentado pelo deputado ruralista Abelardo Lupion [5], que não cita os assassinatos ocorridos no campo, os despejos ilegais e nem as operações deflagradas no estado do Paraná, como a “Março Branco” e a Paz no Campo. Na época, o relatório da CPMI foi considerado tendencioso e omisso em relação aos problemas e conflitos do campo.

O processo contra Neves tramitou na 1ª Vara Federal e no Juizado Especial Criminal de Ponta Grossa. O documento da Justiça que publica a sentença final contra o tenente-coronel afirma que “o réu frustrou as expectativas da sociedade, que esperava vê-lo como garantidor da correta aplicação da lei e jamais o contrário, ou seja, como criminoso contumaz e sério. Assim, faz-se absolutamente imperiosa a perda do cargo público de tenente-coronel da Polícia Militar” [6].

Ele foi condenado por exercício arbitrário das próprias razões, constrangimento ilegal, formação de quadrilha, tráfico internacional de armas de fogo e também por fornecer maconha para ser colocada no veículo de um terceiro.

Quem é Copetti Neves?

Durante muitos anos no governo estadual de Jaime Lerner, Copetti Neves foi comandante do Grupo Águia, tropa de elite da PM criada, a princípio, para combater quadrilhas especializadas em assaltos a ônibus [autocarros] de turismo. Mais tarde o grupo passou a realizar despejos violentos contra o MST. O tenente-coronel desenvolveu a estratégia de realizar os despejos na madrugada, separando as crianças dos pais, realizava prisões arbitrárias e praticava torturas contra militantes do movimento.

Um vídeo que ilustra bem esses fatos é o “Arquiteto da Violência”. Material produzido pela CPT, com imagens fornecidas por policiais militares, que, descontentes com a situação, acabaram entregando o material para a Pastoral e entrando no programa de proteção às testemunhas. O vídeo ajuda a entender porque o relatório da CPMI apresentado pelo deputado ruralista Abelardo Lupion não cita os assassinatos ocorridos no campo. O deputado aparece no vídeo em uma “atividade” para a PM, na qual são pedidos votos para o então governador Jaime Lerner. No mesmo vídeo aparecem imagens das desocupações e o caso que levou o Brasil a ser condenado pela OEA. O vídeo pode ser assistido aqui.

Durante a CPMI, o secretário de segurança do Paraná, Luiz Fernando Delazari, ressaltou que o tenente-coronel da PM apresenta uma postura ideológica clara, contrária ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Brasil (MST), o que pode ser constatado em uma monografia escrita por Neves, quando estudava na Escola Superior de Guerra, na qual defende, inclusive, a espionagem, com a infiltração de capangas nos acampamentos [7].

Outras acusações contra Copetti Neves

Em dezembro de 2004, depois de trabalhadores ligados ao MST ocuparem um sítio próximo a um território monitorado pela quadrilha, os PMs tentaram sem sucesso desocupar a terra à força. O tenente-coronel ainda teria pago uma mulher para que fizesse uma falsa denúncia contra lideranças do MST e planejado um acidente de carro, a fim de que se implantasse maconha no veículo de um dos líderes do movimento [6].

Em 2005, uma força-tarefa formada pela Secretaria da Segurança Pública do Paraná e a Polícia Federal desmantelou uma das maiores quadrilhas de extermínio do país, formada por policiais militares, advogados e assaltantes. Novamente o tenente-coronel Copetti Neves é apontado como integrante do grupo. Segundo as investigações, indicaram a ligação de Copetti Neves com uma empresa clandestina de segurança. Policiais militares ligados ao grupo de Neves e a assaltantes planejavam e executavam roubos a comerciantes da região sul de Curitiba e depois ofereciam o serviço clandestino de segurança. Copetti Neves ainda responde a outras duas ações movidas pelo secretário de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, por difamação e indenização por danos morais, sendo nesta última já condenado em primeira instância [6].

grilagem-capangas-4Bizarrice trabalhista e Milícias

No período de 1997 a 2000 ficou evidente o envolvimento da União Democrática Ruralista (UDR) nesses assassinatos e também em desocupações ilegais promovidas por pistoleiros. Chegou-se à situação absurda de um conhecido agenciador de pistoleiros, Osnir Sanches, ajuizar Reclamação Trabalhista [queixa no Tribunal do Trabalho] contra a UDR, na pessoa de Tarcísio Barbosa, diretor de política fundiária da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP). Tal reclamação trabalhista foi extinta por “ilicitude do objeto” do contrato de trabalho [8].

E agora?

Temos acompanhado na mídia uma grande campanha de criminalização do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, bem como de outros movimentos sociais que se levantam contra os agentes do capital. Torna-se importante, mais do que nunca, investigar as raízes das questões, discutindo nas comunidades e locais de trabalho o que de fato está acontecendo, pois sabemos que, no geral, “quem paga a banda escolhe a música”. Disso sai tudo quanto é tipo de “informação”, até mesmo que a filha do indivíduo estava seqüestrada [9] no acampamento e que, heroicamente, tal qual o personagem Rambo contra os terríveis vietnamitas, o coronel foi resgatá-la, sem o capanga armado (que a foto prova que esteve presente), e então foi agredido junto a sua família. Outra importante tarefa é construir atividades conjuntas, promovendo a unidade dos trabalhadores do campo e da cidade, construindo assim a solidariedade, na prática, de realidades do movimento social que não devem estar distantes. Passa Palavra

Notas e Referências

[1] Grilagem é o método pelo qual grandes fazendeiros falsificaram títulos de cartório para se apropriar de terras públicas. O nome se deve ao fato de colocar-se títulos falsos em uma gaveta ou baú fechado com um grilo dentro, que ao morrer expele certas substâncias que dão ao papel a aparência de envelhecido. Esse método foi muito comum no interior do estado de São Paulo e data de 1856, data final para que os possuidores de terra registrassem sua posse nos termos da Lei de 1850 (esta lei proibia a ocupação de terras do Estado, a não ser por meio de compra, inviabilizando assim que negros e trabalhadores imigrantes e pobres tivessem a posse da terra, obrigando-os a se submeterem às formas de trabalho impostas pelos grandes fazendeiros).

[2] Ciranda, no MST, funciona como uma espécie de creche, mas tem um caráter mais lúdico e envolve faixas etárias também em idade escolar.

[3] Justiça Federal condena tenente-coronel a 18 anos de prisão e perda do cargo, 17/12/09. Veja aqui.

[4] Tenente que perseguia MST é condenado por tráfico internacional de armas, drogas e formação de quadrilha, 18/12/09. Veja aqui.

[5] Abelardo Lupion é deputado federal pelo DEM/PR, foi presidente e fundador da União Democrática Ruralista (UDR). Faz campanha contra a emenda constitucional que propõe a expropriação de fazendas que utilizam trabalho escravo. Fez movimentação ilícita de R$ 4 milhões na conta bancária da mãe do coordenador de campanha. É réu no inquérito nº 1872, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), por crime eleitoral. Sofre duas representações por apresentar – em troca de benefícios financeiros – uma emenda na Câmara para as transnacionais Nortox e Monsanto, liberando o herbicida glifosato. A Nortox e a Monsanto financiaram a sua campanha em 2002. A Nortox contribuiu com R$ 50 mil para o caixa de campanha; já a Monsanto vendeu ao parlamentar uma fazenda de 145 alqueires, por um terço do valor de mercado. Para conhecer outros parlamentares inimigos da reforma agrária, veja aqui.

[6] Tenente-coronel aposentado é condenado a 18 anos de prisão, 17/12/09. Veja aqui.

[7] Secretário diz na CPI da Terra que coronel do Paraná é “criminoso”, 02/05/05. Veja aqui.

[8] Milícias Privadas no PR e a prisão do Tenente Coronel Copetti Neves, 07/04/05. Veja aqui.

[9] Segundo o suposto relato de Copetti Neves no jornal Gazeta do Povo de 13/02/09, sua filha teria sido seqüestrada, quando na verdade ela rompeu o acordo sobre a divisa, indo até onde estavam os trabalhadores sem terra, agredindo-os verbalmente. Em dado momento ela desmaiou ou finjou que desmaiou. Caída no chão, foi feita uma barreira para que seus familiares a levassem. Foi solicitado para que Copetti Neves saísse do local, dado espaço para que saísse, mas em troca ele jogou o carro contra os manifestantes, machucando um companheiro, e quando achávamos que finalmente iria se retirar, mais uma vez jogou o carro em alta velocidade contra nós (dessa vez de ré). Assim são os “heróis”. Outra mentira é sobre feridos graves, que no caso só não existiram porque as balas disparadas por Copetti Neves e um de seus capangas não acertaram ninguém. Veja aqui.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Pedágios livres na Ayrton Senna passam a ser cobrados

Zé Pedágio não perdoa
Por falar em pilantragens:
SÃO PAULO – A partir de meia noite desta quarta-feira, o sistema de cobranças do pedágio nas rodovias Carvalho Pinto e Ayrton Senna vai mudar. A tarifa terá que ser paga em todas as praças e não haverá mais passagens livres.
Atualmente, o motorista que sai de Taubaté e vai para São Paulo, paga pedágio em São José dos Campos e Itaquaquecetuba. Na volta, a tarifa é cobrada em Guararema e Caçapava. A partir desta quinta-feira , ele terá que pagar, tanto na ida como na volta, nas quatro praças.
http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2010/02/17/sp-cobranca-de-pedagio-nas-rodovias-ayrton-senna-carvalho-pinto-muda-partir-desta-quinta-915874300.asp

Breve história do DEM, da ditadura a Arruda passando por FHC

O Mensalão do DEM, que levou à cadeia o único governador eleito por este partido em 2006, abriu uma fase de diagnósticos e prognósticos sobre o ex-PFL. Entretanto, o malcheiroso e bem documentado escândalo brasiliense é apenas um episódio mais picante, em um longo declínio do ex-PFL. Uma visão histórica ajuda a entender o processo.

Por Bernardo Joffily

Fonte: Banco de dados eleitorais do Brasil,

Observe o mapa e a tabela ao lado. Eles comparam o desempenho do PFL (Partido da Frente Liberal) em sua primeira eleição, para a Constituinte, em 1986, e na última, em 2006, que reelegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, bem antes do governador José Roberto Arruda conhecer os rigores do cárcere.

As informações para o mapa foram tomados do excelente Banco de dados eleitorais do Brasil, organizado pelo professor Jairo Nicolau, do Iuperj, coe cobre de 1945 a 2006. Vale a pena visitá-lo (clique aqui) e guardá-lo como referência.

O reduto nordestino se acabou

O contraste impressiona. O partido de Jorge Bornhausen e Antonio Carlos Magalhães caiu de 118 deputados federais para 65 (hoje está reduzido a 56). E todos os prognósticos apontam para nova sangria em outubro.

Quando se aproxima a lupa do mapa, os motivos da corrosão começam a aparecer. Em 1986, o então PFL elegeu nos nove estados do Nordeste a exata metade dos seus 118 federais: 59, dos quais 14 na Bahia de ACM e 11 em Pernambuco de Marco Maciel. Em percentagem da votação, alcançou 36% dos votos válidos no Nordeste, mais que o dobro dos 17,7% da média nacional.

Duas décadas depois, não só a média nacional caíu para 10,9%. A votação do PFL nordestino despencou para menos da metade, 17,0%. E o número de deputados reduziu-se em 31, com apenas 27 federais pefelistas eleitos na região.

Foram os efeitos daquela que um dia será conhecida como a Revolução Eleitoral Nordestina de 2006. O PFL foi o principal derrotado na votação que derrotou as principais oligarquias políticas da região – algumas neooligárquicas, outras com raízes na colônia e na casa grande.

Cabe aqui um parêntese para o caso baiano. A possante seção pefelista de ACM também saiu ferida de morte das urnas de 2006, com a eleição do governador petista Jacques Wagner ainda no primeiro turno. Mas essa derrota não se expressou com a mesma nitidez no critério de avaliação que escolhemos: a bancada do PFL-BA baixou apenas um deputado face a 1986, de 14 para 13, e até aumentou em percentagem de votação. O que torna ainda mais dramático o recuo da legenda nos outros oito estados nordestinos, de 45 para 14 deputados, menos de um terço.

Com FHC, a maior bancada

O recuo do PFL-DEM nas cinco eleições federais destes 20 anos não foi em linha reta. Em 1990 o partido baixou para 83 deputados federais. Em 1994, coligou-se com o tucano Fernando Henrique Cardoso, indicando Marco Maciel para vice, e recuperou-se para 89. Em 1998, de novo com FHC e Maciel, subiu para 105 deputados (47 deles nordestinos), a maior bancada daquela legislatura. Na primeira eleição de Lula, em 2002, já caiu para 84.

Data daí a fase de inferno astral do PFL. Já se disse que a sigla está no poder desde Pedro Álvares Cabral, o que não deixa de conter seu grão de verdade. A própria criação do partido, ainda como Frente Liberal, em 1984, tem a ver com a pressão imensa das multidões que foram às ruas na Campanha das Diretas Já, decidida a acabar com a ditadura, mas também com a constatação pragmática de que estava na hora de abandonar o barco do regime militar agonizante.

Com Lula, o PFL viu-se na contingência de romper com seus cinco séculos de governismo, passar à oposição, e até rivalizar com o PSDB para ver quem era mais acerbamente oposicionista. Pior, teve de fazer oposição a um presidente pau-de-arara e dono de imensa popularidade no Nordeste. Perdeu a maior parte de seus longamente cultivados redutos nordestinos. Em 2006, elegeu apenas um governador, Arruda, um ex-tucano, e no Distrito Federal. Em 2008, sua maior proeza foi fazer o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, bafejado pelas circunstâncias de uma luta interna no PSDB local, entre José Serra e Geraldo Alckmin.

Renovação à moda do DEM

O PFL compreendeu que os tempos eram outros, bicudos, ingratos e, como diria o anti-herói de Lampedusa, é preciso que tudo mude para que tudo permaneça como está. Data daí, de 2005, o processo de 'refundação' do PFL, que culminou em 28 de março de 2007 com a mudança do nome para 'Democratas', da sigla para DEM e do símbolo, de uma esfera azul para uma árvore azul e verde.

Se o internauta digitar na rede o endereço www.democratas.org.br, vai se deparar primeiro com o dístico "O partido das novas ideias" e, quando a página se abre, "A força das novas ideias". Os marqueteiros do DEM não parecem não ter chegado a um acordo sobre o slogan, mas há um denominador comum: "novas ideias".

Foi feito também um esforço de renovação dos quadros. O senador Jorge Bornhausen (SC), veterano egresso da UDN, aposentou-se da presidência do partido para dar lugar ao deputado Rodrigo Maia (RJ), filho do prefeito Cesar Maia, enquanto a seção catarinense era assumida por seu próprio filho, o deputado Paulo Bornhausen. Os despojos do outrora ponentíssimo PFL baiano passaram ao deputado ACM Neto, descendente e herdeiro do legendário Toninho Malvadeza, desaparecido em 2007.

Mensalão foi apenas a gota d'água

Hoje já é possível fazer um balanço do esforço renovador. Sem raízes, sem discurso, sem ideias velhas ou novas, sem rumo, o DEM marcha provavelmente para o pior resultado nas urnas desde a fundação do PFL. Seus aliados estratégicos do PSDB fazem o que podem para não lhe darem a vice na chapa presidencial de José Serra, mesmo que o também tucano Aécio Neves continue se recusando a compô-la. No plano estadual, suas melhores chances parecem concentradas no Rio Grande do Norte, ainda assim com ameaças reais para o mandato de senador do líder do partido, José Agripino Maia.

O escândalo brasiliense funcionou aqui como a gota d'água que fez o copo transbordar. Mas não seria justo atribuir a José Roberto Arruda, Paulo Octávio e companhia toda a culpa por um processo que vem de bem antes e vai muito além. Mais razoável será culpar o povo brasileiro, que parece ter decidido mudar a turma dos poderosos desde Cabral.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

STJ manda prender um careca que vale por dois

Unidos para sempre ?

Unidos para sempre ?

Saiu na Folha (PIG):

11/02/2010 – 17h21
STJ determina prisão de Arruda e mais cinco por tentativa de suborno no DF

O STJ (Superior Tribunal de Justiça) decretou nesta quinta-feira, por 12 votos a 2, a prisão do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), e mais cinco pessoas envolvidas na tentativa de suborno do jornalista Edson dos Santos, o Sombra. O tribunal decidiu ainda pelo afastamento de Arruda do governo do DF.

Leia a íntegra do voto do relator do STJ que pediu a prisão de Arruda

O ministro Fernando Gonçalves aceitou pedido da subprocuradora-geral da República, Raquel Dodge, e a Corte do tribunal foi convocada para analisar a decisão de Gonçalves, relator do inquérito que investiga o suposto esquema de corrupção no GDF (Governo do Distrito Federal).

Clique aqui para ler a íntegra.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Serra prefere falar sobre Madonna a falta d’água

Mais uma foto para ele por no orkut. Mas, cadê as gengivas ?

Mais uma foto para ele por no orkut. Mas, cadê as gengivas ?

Sugestão do amigo navegante Cesar Silva:

AZENHA HOJE:
“Serra não fala sobre a falta de água para 800 mil paulistanos; mas sobre a Madonna ele fala
Atualizado em 10 de fevereiro de 2010 às 01:08 | Publicado em 10 de fevereiro de 2010 às 00:58
por Luiz Carlos Azenha

Quando indagado sobre a persistente falta de água para quase 800 mil paulistanos, o governador paulista José Serra faz que não é com ele. Empurra para a Sabesp, como se a empresa não tivesse nada a ver com seu governo, nem com o estado que ele diz governar. E ataca a emissora da repórter que fez a pergunta.

Mas, e quando é para falar sobre o encontro com a Madonna?

Aí, sim:

“A Madonna pediu para me visitar e eu aceitei bastante satisfeito. Tenho grande curiosidade em conhecê-la pessoalmente. É uma grande artista….é uma mulher de fibra que faz um trabalho social em relação à infância muito importante. Eu estou tão curioso para conhecê-la pessoalmente quanto você que está me vendo (ele aponta para a tela e sorri)….só a conheço por filmes….já assisti vários clipes..nunca vi pessoalmente…eu acho que vai ser bom. Eu morei nos Estados Unidos alguns anos quando estava exilado, morei quatro anos lá…ela é descendente de italianos e eu também…de maneira que vai ser interessante”.

Já sobre a falta de água para 800 mil paulistanos, ele falou:

“A Sabesp está fazendo o possível para arrumar isso. Espero que a TV Brasil tenha o mesmo interesse com cada estado, cada município”.

Oitocentos mil paulistanos? Bobagem se preocupar com esses caras.”