sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Com PSDB em SP, Dia do Professor é lembrado com indignação

 Professores educação Serra

Protesto de professores em São Paulo durante a última greve da categoria, reprimida com violência pelo governo do PSDB

Com PSDB em SP, Dia do Professor é lembrado com indignação

No Dia dos Professores, a paixão pela tarefa de ensinar vem acompanhada de intensa indignação pela desvalorização do Magistério. Afinal, na rede estadual de ensino de São Paulo, uma das maiores do mundo, quase a metade dos 278 mil professores ainda é admitida em caráter temporário.

De janeiro a julho deste ano, 19.500 foram afastados com depressão e estresse. A progressão continuada alastrou o analfabetismo funcional na rede, aumentando ainda mais a frustração dos professores por não conseguirem sucesso em sua tarefa de ensinar.

Dois fatos acentuaram a crise no setor em 2010. O Estado de São Paulo caiu 4 posições no ranking salarial dos docentes, o que significa que os professores paulistas têm o 14º pior salário do Brasil, atrás inclusive de estados mais pobres. Em greve, a categoria foi recebida no Palácio dos Bandeirantes, em março, com Tropa de Choque, bombas de gás, spray de pimenta e cassetetes.

A greve durou quase um mês e o então governador José Serra não acenou com nenhuma proposta que minimizasse o arrocho salarial. A nova fórmula de cálculo dos salários, baseada em supostos méritos individuais, reserva reajuste para apenas 20% dos melhores avaliados em uma prova.

Além dos salários miseráveis, os professores paulistas estão há dez anos sem receber reajuste do tíquete-refeição, que é de R$ 4,00.

Sem carreira, estabilidade ou perspectiva de progresso profissional, o Magistério paulista enfrenta diariamente outros fantasmas, como a violência escolar, a falta de estrutura e a ausência de um projeto pedagógico.

Livros e revistas enviados às escolas estaduais durante o governo de José Serra ficaram famosos pelos erros grotescos, como um mapa com dois Paraguais, e conteúdos inadequados para a idade dos estudantes.

Dinheiro para a mídia

A Secretaria de Educação de São Paulo transformou a educação em um rentável negócio editorial. Através da Fundação Para o Desenvolvimento da Educação, a Secretaria comprou apostilas, livros e revistas sem licitação e, muitas vezes, sem critério pedagógico.

Segundo o Blog NaMaria News, “desde 2004, o governo tucano gastou cerca de R$ 250 milhões com a compra de publicações dos Grupos Abril, Folha, Estadão, Globo/Fundação Roberto Marinho.”.

Muitas das publicações adquiridas têm caráter pedagógico duvidoso. A Secretaria comprou, por exemplo, revistinhas da Turma da Mônica e do Cascão para distribuir nas escolas, por quase R$ 27 milhões. Com a Editora Abril, a Secretaria gastou aproximadamente R$ 18 milhões só com lotes da Revista Recreio.

A Bancada do PT na Assembleia Legislativa já apresentou inúmeros pedidos de informação sobre as compras sem licitação realizadas pela Secretaria da Educação, que também estão sendo investigadas pelo Ministério Público Estadual.

Apesar dos projetos focados na leitura, como o Ler e Escrever e o Sala de Leitura, a maioria das 5 mil escolas estaduais não têm bibliotecas e, mesmo as salas de leitura existentes são despreparadas para incentivar o hábito da leitura nos estudantes.

Sem apresentar soluções para o Magistério, torna-se impossível atrair os melhores alunos para a carreira e resolver problemas como a evasão, o déficit de aprendizagem dos estudantes e resgatar o papel transformador da Educação.

Um comentário:

Anônimo disse...

Parabéns professores que mesmo sofrendo com o governo tucano, acabaram votando no PSDB...muita paz saúde e paciência para vocês nesses 4 anos de turbulência.



Pro. Rodrigo