sábado, 20 de março de 2010

Assembleia reúne 60 mil professores, cobra Serra e mantém greve

19 de Março de 2010 - 18h38
GREVE

Manifestação tomou conta da Avenida Paulista nesta 6ª feira

Assembleia reúne 60 mil professores, cobra Serra e mantém greve

Em assembleia realizada na tarde desta sexta-feira (19), na Avenida Paulista, os professores da rede estadual de São Paulo aprovaram a manutenção da greve por tempo indeterminado. A categoria paralisou as atividades no último dia 8, reivindicando reajuste salarial de 34,3%, entre outros pontos. A adesão é de cerca de 90%, segundo a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo).

A realização do ato chegou a ser ameaçada pelo Ministério Público do Estado, que entrou nesta quinta-feira (18) na Justiça para proibir a manifestação. A alegação foi de que os professores causariam transtornos à circulação de pessoas na região. O pedido, absurdo, foi devidamente negado pelo juiz da 20ª Vara Cível, Flávio Abramovici — e a manifestação foi mais uma demonstração de combatividade da categoria.

Segundo a Apeoesp, cerca de 60 mil pessoas participaram da assembleia, que cobrou diálogo do governador José Serra e de seu secretário da Educação, Paulo Renato. Em vez de abrir canais de negociação com a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), o governo tucano preferiu ir à imprensa, ao longo da semana, para provocar a categoria. Enquanto Paulo Renato classificou a paralisação como “eminentemente eleitoral”, Serra tachou a greve de “trololó”.

O repúdio a essas declarações dominou os discursos e as palavras-de-ordem da manifestação. No carro de som, lideranças da categoria faziam perguntas tais como: "Que notas damos ao Serra? E ao Paulo Renato?" Os manifestantes respondiam: "Zero". "E aos professores?" "Dez". Houve uma performance de docentes maquiados de palhaço, que, segurando um caixão, simbolizavam o sepultamento da "paz financeira" dos professores.

Da assembleia — realizada em frente ao Masp (Museu de Arte de São Paulo) —, os manifestantes seguiram para frente da Secretaria da Educação, na Praça da República, centro da capital paulista. Os professores querem ser recebidos pela pasta. Caso não haja diálogo, os professores prometem voltar ao órgão na próxima terça-feira (23).

A próxima assembleia será feita no dia 26 de março, diante do Palácio do Governo, na região do Morumbi, na zona sul da cidade. A intenção da categoria é pressionar o governo Serras a atender aos pedidos do movimento. O governo do PSDB afirmou ter cortado os salários dos servidores em greve e tem minimizado as manifestações.

“Até o momento, não há abertura de negociações com o estado”, diz Maria Izabel Noronha, presidente da Apeopesp. De acordo com a entidade, o movimento “busca reforçar a luta da categoria pelo atendimento das reivindicações na defesa da dignidade profissional”.

Já o presidente do CPP (Centro do Professorado Paulista), José Maria Cancelliero, afirma que as entidades estão dispostas a negociar com o governo o fim da greve — desde que as reivindicações sejam atendidas. “É o governo que não quer negociar. No ano passado, cinco pedidos de reunião, relativos ao reajuste salarial, foram protocolados na Secretaria de Estado da Educação. Nenhum foi atendido. Esse ano, outros pedidos foram protocolados”.

Além de reajuste salarial, as principais bandeiras dos professores são: incorporação de todas as gratificações, extensiva aos aposentados; plano de carreira; garantia de emprego; fim de avaliações para temporários; e realização de concursos públicos para a efetivação dos docentes.

A rede de São Paulo conta com mais de 220 mil professores e 5 milhões de alunos. Segundo a Apeoesp, os professores que compõem o comando de greve estão visitando as escolas para conversar com pais, alunos e professores, explicando o porquê da paralisação.

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