segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Semana começa com dois fatos novos na crise política no DF

No reinício das atividades na Câmara Legislativa do Distrito Federal, nesta segunda-feira (25), dois fatos novos: a renúncia do Presidente da Casa, deputado Leonardo Proudente (ex-DEM) que, afastado do cargo pela Justiça, vinha lutando para se manter no posto; e a reinstalação da CPI da Corrupção, extinta pelo presidente Alírio Neto (PMDB), aliado do governador José Roberto Arruda (ex-DEM).

O presidente interino da Casa, deputado Cabo Patrício (PT), antecipou em uma semana o fim do recesso parlamentar para reverter a situação criada por Alírio que beneficiava Arruda. Cabo Patrício determinou aos líderes partidários que refaçam as indicações para a composição da CPI e informou à Polícia Federal que está mantido o depoimento do ex-secretário Durval Barbosa, principal delator do esquema de corrupção do Governo do DF, agendado para esta terça-feira (26).

Flagrado colocando dinheiro de suposta propina nas meias, Prudente foi afastado da presidência da Câmara pelo Tribunal de Justiça do DF até que acabem as investigações contra o governador Arruda, apontado pela Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal como o chefe do esquema de corrupção.

O presidente afastado Leonardo Prudente encaminhou carta à Mesa Diretora da Casa,
comunicando sua renúncia ao cargo. O documento foi recebido pelo corregedor deputado Raimundo Ribeiro (PSDB) na manhã de hoje. Segundo Ribeiro, a Câmara Legislativa tem sete dias para eleger o novo presidente, mas a renúncia de Prudente não retira do cargo de vice presidente o deputado Cabo Patrício, que comanda a Casa interinamente.

Com a nova eleição, a base aliada do governador tentará mais uma vez assumir o comando da Casa para ditar o ritmo das investigações. A oposição a Arruda tem uma bancada de cinco deputados distritais, minoria na Casa formada por 24 parlamentares. O mandato do novo presidente se estenderá até o fim deste ano.

O governador José Roberto Arruda, principal alvo das investigações da Operação Caixa de Pandora, articula-se para eleger como presidente o deputado Wilson Lima (PR), de atuação discreta e leal à sua liderança, mesmo nesse momento de dúvidas e acusações. No entanto, a distrital Eliana Pedrosa (DEM), em linha de distanciamento em relação a Arruda, se fortalece como um nome que poderá ter maior votação.

Além da CPI da Corrupção, correm na Câmara Legislativa três pedidos de impeachment contra José Roberto Arruda.

Manobra governista

No retorno aos trabalhos, os deputados vão discutir a eleição para a Presidência da Câmara; o funcionamento da CPI e a formação de comissão especial para tratar do impeachment do governador José Roberto Arruda, pedido pela oposição, que tem minoria na Câmara Distrital, e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A Justiça afastou os oito deputados envolvidos no esquema de corrupção que faziam parte das comissões de análise do impeachment.

Embora nenhum dos deputados governistas admita, comentava-se na Câmara Legislativa que três parlamentares aliados de Arruda deixariam de comparecer ao depoimento, marcado para amanhã (26) na Polícia Federal, com o ex-secretário de Assuntos Institucionais do GDF Durval Barbosa. Como a comissão tem cinco membros, ela só poderia tomar o depoimento com a presença de pelo menos três distritais. A ausência da maioria cancelaria o depoimento.

Cabo Patrício argumenta que a Polícia Federal se preparou administrativa e logisticamente para o depoimento, a pedido da CPI. "Se os integrantes vão ou não à PF está fora de nosso controle, mas o depoimento está mantido", afirmou.
Durval Barbosa está sob o regime de delação premiada, protegido por escolta policial permanente.

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