segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Cidades, morros e encostas

Milhões de pessoas morando perigosamente em morros, encostas e outras áreas de risco nas capitais, nas grandes cidades, e outras situadas geograficamente em regiões consideradas como perigosas, é a mais evidente expressão do problema da habitação no Brasil.

Entre as décadas de cinquenta aos dias de hoje cresceu extraordinariamente o drama das cidades. A rápida industrialização urbana, a ausência de uma justa política agrária além de uma estratégia eficaz de valorização das áreas rurais como alternativa eficiente de modo de vida, agravaram o êxodo dessas regiões em direção principalmente às cidades.

Assistimos assim a profundas contradições entre as relações urbanas e rurais, cidade e campo, somadas às imensas disparidades sociais, apesar dos atuais esforços do governo federal, provocando uma séria crise das cidades.

A situação é grave e exige decisões de longo fôlego e eficiência na sua execução. Isso tem sido possível com a retomada do papel estratégico do Estado nos destinos da nação, principalmente através das políticas de desenvolvimento com a inclusão social.

No entanto, durante as quatro décadas de predomínio das políticas neoliberais no mundo e no Brasil transformou-se em um crime hediondo desviar as atenções e “as energias pulsantes e criadoras do mercado” para que o Estado nacional adotasse políticas de planejamento e investisse substanciais recursos em ações estratégicas para a superação do caos nas cidades.

Mas agora a grande mídia conservadora nacional, como que acometida por uma dessas graves enfermidades de perda da memória e do contínuo histórico, aproveitando-se da tragédia de Angra dos Reis, lembrou-se de um, senão o pior dos males do Brasil contemporâneo, que são as condições de vida dos pobres e o seus crônicos problemas de habitação.

Um quadro dramático que se estende igualmente para as áreas de saúde, educação e segurança. Mesmo com o governo federal investindo como está, com muita verba, em uma escala muito maior que qualquer outra gestão nos últimos trinta ou quarenta anos, o diagnóstico ainda indica um quadro de dificuldades e penúria na periferia das grandes aglomerações do País.

Fica evidente que o Brasil precisa de mais políticas federais, mais soluções criativas e emergenciais para as cidades e bem mais recursos para atender ao déficit de dezenas de milhões de moradias populares.

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