sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Imprensa cúmplice da barbárie de Rio Alto ataca LCP


No dia 17 de dezembro o sítio de notícias "Tudo Rondônia" publicou uma nota intitulada "Sem credibilidade e sem espaço, LCP ataca imprensa". Em meio a acontecimentos gravíssimos no Acampamento Rio Alto, em Buritis, inclusive com a tortura e assassinato de dois camponeses e coordenadores da LCP, esta nota vem dar mais uma prova do comprometimento que a maioria da imprensa de Rondônia tem com o latifúndio assassino.

O Tudo Rondônia começa falando que a LCP perdeu a credibilidade com a imprensa devido a uma falsa denúncia de massacre de 15 camponeses no início de 2008. Então vamos aos fatos, pois contra fatos não há argumentos.

A verdade sobre os acontecimentos em Campo Novo

O fato, que denunciamos amplamente à época, foi no acampamento Conquista da União, localizado no município Campo Novo, numa área de terras públicas da União griladas pelo latifundiário Catâneo, famoso em Rondônia por crimes de pistolagem, trabalho escravo e execuções.


'PSDB teria vendido parte da Petrobras', diz Gabrielli

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, afirmou que o sucesso da estatal é fruto de uma política de governo e só foi possível graças à eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 e à sua reeleição em 2006. "O presidente Lula fez a diferença", diz, em entrevista à Agência Estado. Segundo ele, se o resultado das eleições tivesse sido outro, com a vitória de José Serra em 2002 ou de Geraldo Alckmin em 2006 - ambos do PSDB -, a Petrobras teria tomado outro rumo: "Partes da empresa poderiam ter sido privatizadas."
De acordo com Gabrielli, até 2003, a Petrobras estava sendo preparada para "ter um conjunto de atividades com muita eficiência em vários ramos e com pouco ganho no sistema como um todo e estava sendo inibida no crescimento do seu portfólio de exploração".

Naquele ano, porém, ele afirma que a estatal começou a ter uma participação mais ativa nos leilões, a redefinir sua organização interna e a acelerar a renovação de seus quadros. "Isso foi uma mudança de orientação política na Petrobras. Se seria possível atingir sucesso com a política anterior é difícil dizer", diz. "Agora, que o sucesso atual depende das mudanças feitas, isso é certo."

O presidente da estatal afirma que se o PSDB tivesse vencido a eleição para presidente, os investimento e o crescimento verificado hoje seriam menores. "Provavelmente teria menos preocupação com o controle nacional, portanto teria menos impacto no estímulo da indústria brasileira." Perguntado se ele acredita que a Petrobras poderia, então, ter sido privatizada, Gabrielli afirma: "Seria difícil uma privatização total da Petrobras, mas partes dela, sim."

Em resposta às declarações de Gabrielli, o líder do PSDB na Câmara defendeu o governo tucano. "O que fez a Petrobras ser o que ela é foi a lei de 1997, que abriu o setor de petróleo, atraiu investimentos e tornou a empresa competitiva. Isso ocorreu com (governo) Fernando Henrique Cardoso. "Eu acho esse Sérgio Gabrielli um primata, um ignorante, reagiu.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

1ª Confecom: o Brasil que a mídia monopolista escondeu

Os barões da mídia tiveram que se confrontar, durante os debates da 1ª Confecom, com um Brasil ausente do noticiário impresso e eletrônico. É o Brasil real, inquieto, insubordinado e em profunda transformação, e do qual eles, os monopolistas da comunicação, não gostam.


Por José Carlos Ruy

E recusam debater. Antes mesmo da realização da Confecom (que reuniu em Brasília 1684 delegados, de todos as unidades da federação, entre 14 e 17 de dezembro) seis das oito entidades representativas dos grandes jornais, revistas e redes de televisão, anunciaram sua recusa em debater uma formatação democrática para o exercício do direito constitucional da comunicação, que os barões da mídia reduzem a um mero negócio privado que deve, em sua opinião, ficar ao abrigo da lei e de qualquer regulamentação.

Terminada a conferência, feito júpiteres olímpicos, lançaram seus raios condenatórios contra a reunião e contra os que participaram dela e aprovaram teses contarias aos interesses dos monopolistas. O jornal O Globo puxou uma ladainha patronal unânime ao caracterizar as medidas aprovadas "restritivas à liberdade de imprensa, de expressão e da livre iniciativa". O editorial do Jornal Nacional do dia 16 tentou — como era previsto — desqualificar a conferência. Alegou que sua representatividade estava "comprometida" pois "seis das mais importantes entidades empresariais" deixaram de participar dela por considerarem “as propostas de estabelecer um controle social da mídia uma forma de censurar os órgãos de imprensa, cerceando a liberdade de expressão, o direito à informação e a livre iniciativa, todos previstos na Constituição”.

A Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert, cujo principal membro é a Rede Globo) chamaram de “preocupante” e um “retrocesso” o resultado da conferência. A revista Veja, um notório baluarte dos interesses mais conservadores em nossa sociedade, comparou em seu site o modelo "da imprensa com que sonham os representantes formais da esquerda no Brasil" ao diário cubano Granma, e disse que a cara desse modelo "é de arrepiar". Para Veja, o resultado "do encontro foi um funesto documento que revela quão vigorosamente os impulsos totalitários correm na veia da maioria de seus signatários". O título do editorial da edição seguinte à Confecom (a Carta do Leitor da edição de 23/12/2009) assegurava: "Eles querem banir a liberdade de imprensa", com propostas "estapafúrdias" para "amordaçar a imprensa"; no final, pediu o enterro "do entulho autoritário, socializante e retrogrado produzido na Confecom". O Estado de S. Paulo, quase sempre sóbrio em seus editoriais, perdeu as estribeiras e disse que a medida mais sensata do governo seria, andar "para a lata do lixo" todas as propostas aprovadas pela Confecom.

O motivo de toda esta aversão fica nítido quando se examina a lista das principais teses aprovadas na semana passada em Brasília. Elas incluem desde a criação do Conselho Nacional de Comunicação (que o baronato midiático tenta desqualificar chamando-o de Conselho Federal de Jornalismo para lembrar a proposta que foi debatida em 2004 e teve repulsa geral), uma nova Lei de Imprensa, o código de ética para o jornalismo (com a garantia explícita do direito de resposta do acusado por matéria jornalística, a definição de abuso do direito de liberdade de imprensa e as penalidades no caso de transgressões devidamente comprovadas), a cláusula de consciência (inaceitável para os patrões, costumeiros em impor aos jornalistas pautas que afrontam sua consciência, sua ética e suas convicções), a cota de 10% da programação educativas, culturais, informativas e artísticas no rádio e na tevê e de 50% de programação nacional nos pacotes de tevê por assinatura, a redução de 30% para 10% a presença de capital estrangeiro nas empresas brasileiras de comunicação, além de medidas que favorecem a rádio e tevê comunitárias (as propostas aprovadas foram listadas no artigo “Veja quais foram as bandeiras históricas aprovadas na Confecom”, de Cristina Charão, do Observatório do Direito à Comunicação, republicada no Vermelho).

Um dos saldos da Confecom foi explicitar a alienação profunda dos monopolistas brasileiros da mídia em relação ao Brasil e a seu povo, cuja imagem real não é aquela que seus meios de comunicação noticiam. Os delegados presentes à Confecom (não só da sociedade civil, mas também muitos empresários pequenos e médios) reiteraram a exigência de democratização profunda deste chamado "quarto poder" constituído pela mídia. Ele é um dos únicos "poderes", ou uma das únicas "instituições", que não viveram as mudanças democráticas do quarto de século desde o final da ditadura militar de 1964, e que vivem ainda num mundo onde impera a lógica coronelística anterior mesmo à revolução liberal de 1930. O Brasil está mudando e precisa de uma comunicação atualizada com suas novas exigências de aprofundamento da democracia, salvaguarda dos interesses populares e nacionais, e defesa da nação. O que se assistiu em Brasília, durante 14 a 17 de dezembro, foi a manifestação de que a mídia dominante não serve para isso, e precisa ser mudada. Desse ponto de vista, a 1ª Confecom foi vitoriosa, principalmente pela aprovação de medidas capazes de subordinar o caráter empresarial da mídia à sua função constitucional de informar livre, ampla e multilateralmente

domingo, 20 de dezembro de 2009

PF encontrou dinheiro ''marcado'' na residência oficial de Arruda

Série numérica é a mesma de cédulas apreendidas em duas empresas acusadas de bancar 'mensalão do DEM'
A Polícia Federal encontrou nas dependências da Granja de Águas Claras, residência oficial do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex-DEM), dinheiro cuja série numérica é a mesma de um lote de cédulas apreendidas em duas empresas (Vertax e Adler) acusadas de bancar o esquema de corrupção que ficou conhecido como "mensalão do DEM". Em outro endereço, os investigadores descobriram com um ex-assessor de Arruda notas previamente marcadas com uma tinta invisível para identificar os destinatários da propina.

Em 11 de dezembro, quando foi deflagrada a Operação Caixa de Pandora, cédulas da série A3569 foram encontradas no gabinete de um assessor de Arruda, situado na residência oficial, e na sede das empresas Vertax e Adler, que mantêm contratos com o governo do Distrito Federal na área de informática e são apontadas como importantes fontes de abastecimento do esquema.

Na residência oficial, o dinheiro foi apreendido na sala de trabalho de Fábio Simão, então chefe de gabinete de Arruda. Homem de extrema confiança do governador, Simão foi demitido após a operação.

A informação consta de relatório encaminhado pela Polícia Federal ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), com o resultado das buscas realizadas no dia da operação. A descoberta reforça ainda mais as provas sobre os laços financeiros entre o grupo de Arruda e as empresas prestadoras de serviço. A suspeita é de que o dinheiro encontrado na residência oficial seja proveniente do caixa dessas empresas.

TINTA INVISÍVEL

O mesmo relatório da PF contém outros dados que atestam a ligação entre o círculo íntimo do governador e as empresas apontadas como fornecedoras de propina ao esquema. O documento revela que parte da verba recebida das empresas e distribuída pelo ex-secretário Durval Barbosa, que se transformou no pivô do escândalo ao gravar e denunciar as negociatas, foi encontrada na casa de Domingos Lamoglia, ex-assessor pessoal de Arruda nomeado por ele como conselheiro do Tribunal de Contas do Distrito Federal.

Novamente, nesse caso, é a Vertax que aparece como fonte do dinheiro. Segundo o relatório, as cédulas encontradas na residência de Lamoglia fazem parte de um lote de R$ 600 mil que Barbosa recebeu das empresas, a título de propina, para repassar a outros integrantes do governo.

Como Barbosa já estava colaborando com a investigação, as cédulas foram marcadas pela polícia com tinta invisível antes de serem passadas adiante. A estratégia dos investigadores era deixar que o dinheiro fosse distribuído aos integrantes do governo para, depois, na ação de busca e apreensão, identificar os destinatários da propina. Deu certo.

No caso do dinheiro apreendido na casa do conselheiro Lamoglia, as cédulas, de séries A2406, A2870, A2994 e A3027, integravam o pacote previamente marcado pelos investigadores. "A maior parte do dinheiro marcado veio exatamente da Vertax (R$ 100.000), e como já foram encontradas cédulas com a mesma numeração de série em ambos os lugares (Vertax/Lamoglia), fica evidenciada estreita ligação entre eles", diz trecho do relatório da PF.

A perícia nas cédulas apreendidas foi realizada pela Divisão de Contra Inteligência da PF. No dia seguinte à operação, num documento intitulado Relatório de Análise do Dinheiro Apreendido na Operação Caixa de Pandora, os investigadores já haviam mapeado as conexões entre os diferentes lotes de dinheiro. Os papéis foram remetidos ao STJ na última quarta-feira.

Lamoglia e Fábio Simão, o ocupante do escritório onde a polícia encontrou dinheiro na residência oficial, são figuras muito próximas do governador do DF. Além do cargo de chefe de gabinete, que ocupava até estourar o escândalo, Simão é vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e um dos responsáveis pela preparação de Brasília para sediar a Copa do Mundo de 2014.

Presidente tucano não segue FHC e já descarta chapa Serra-Aécio

Foi praticamente inútil a entrevista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em defesa da chapa puro-sangue do PSDB nas eleições presidenciais de 2010. Ao jornal O Estado de S. Paulo, FHC declarou que uma chapa encabeçada pelos governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) refletia o “'sentimento nacional”. Mas o próprio presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), admitiu nesta sexta-feira, no Recife, que essa possibilidade é “extremamente difícil”.

Guerra foi taxativo: “Prefiro não trabalhar com essa hipótese”. De acordo com o líder tucano, Aécio deverá mesmo buscar uma vaga no Senado, e o DEM ainda é o “aliado preferencial” para compor a chapa — apesar do envolvimento de integrantes do partido nas denúncias de corrupção no Distrito Federal. “Não há nenhuma hipótese de o DEM não estar conosco nessa construção solidária”, declarou o senador. “Os nossos problemas afetam o DEM, assim como os do DEM afetam a nossa vida.”

Antes do mensalão na capital federal — e da emblemática imagem do dinheiro nas meias —, os “demos” cogitavam indicar o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (agora sem partido), para vice na chapa de Serra. Agora, desgastado e implodido, o DEM avalia outros nomes, como os senadores José Agripino Maia (RN) e Kátia Abreu (TO), além do deputado federal José Carlos Aleluia (BA).

A convicção de Sérgio Guerra é um contraponto à visão idílica que FHC tenta plantar. Um dia após Aécio anunciar sua desistência da corrida pelo Palácio do Planalto, Fernando Henrique sustentou, sem dar evidências, que o mineiro “não fechou a porta” para composição numa chapa puro-sangue.

“O governador Aécio nega (que venha a aceitar a vice), mas não fechou a porta. Eu preciso conversar com ele porque não quero criar uma situação que dificulte”, afirmou o ex-presidente, já dificultando a situação tucana. E emendou: “Independentemente de qualquer pessoa ter dito qualquer coisa a esse respeito, toda mídia fala disso. Acho que há um sentimento nacional nessa direção.”

Aliados afirmam que a decisão de Aécio passará pela eleição de 2014. De acordo com eles, se Serra perder a liderança nas pesquisas de intenção de voto, a tendência é que o governador de Minas busque o voo solo ao Senado, tendo como objetivo ser uma alternativa em 2014. “Aécio não aceitará um projeto com chance de derrota. Vai preferir a vitória no Senado”, afirmou um aliado.

Há, entretanto, no PSDB quem aposte que o próprio Serra não será candidato a presidente e tentará a reeleição, caso o quadro do ano que vem não seja favorável à oposição. “Não acredito nisso. Claro que a pessoa só é candidata quando se declara candidata. Mas acho que Serra tem todas as condições de ser candidato”, declarou Fernando Henrique.

Na sexta-feira, Aécio não deu sinais sobre seu futuro político. “Apenas Deus sabe o que o destino nos reserva”, afirmou em um evento em Minas. Ele insistiu que em três meses não será mais governador — sua pretensão é se desincompatibilizar para trabalhar na eleição estadual.

FHC disse concordar com o teor da carta lida por Aécio na quinta-feira e da nota publicada em seguida por Serra — ambas criticavam a divisão do país, o que, para os tucanos, é estimulado pelo PT. Para o ex-presidente, os dois governadores “agiram bem” no desfecho. “Um não provocou o outro, um respeitou o outro. É da vida. Aécio demonstrou mais uma vez ter qualidades. Só nos fortaleceu.”

Parabólicas

A cúpula tucana avalia que, por enquanto, não é hora de mudar estratégias. Mesmo sem anunciar que é candidato, Serra está em indisfarçável campanha. Nas regiões Norte e Nordeste, onde o PSDB encontra maior resistência, a sigla vai explorar as antenas parabólicas de TV, comuns no interior dos estados. Direcionadas aos satélites, muitas delas captam imagens geradas em São Paulo, o que inclui as propagandas do governo Serra.

Segundo Sérgio Guerra, as novas estratégias para 2010 começarão a ser discutidas em janeiro. A primeira reunião da executiva nacional do partido foi marcada justamente para Belo Horizonte, para demonstrar apoio ao governador mineiro. “Ninguém preparou a saída de Aécio, nem ele próprio”, disse o presidente do PSDB, procurando negar divisões internas no partido. “Todos nós sabíamos, e o partido de maneira especial, que o tempo dele terminava no final de ano. Foi o que ele fez, não nos surpreendeu."

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Camponeses torturados e assassinados em Buritis

No dia 9 de dezembro as 14:00 horas dois coordenadores da LCP/RO foram seqüestrados por pistoleiros na estrada que liga o acampamento Rio Alto a cidade de Buritis. Os coordenadores Elcio Machado (Sabiá) e Gilson Gonçalves foram torturados com requintes de crueldade tendo suas unhas arrancadas e também pedaços de pele do corpo, em seguida ambos foram assassinados. No mesmo dia de manhã outros dois camponeses já haviam sido perseguidos na mesma estrada.
Gilson havia sido entrevistado em 2008, pela delegação da Associação Internacional de Advogados do Povo - IAPL, que realizou uma Missão de investigação sobre os abusos e a violência do Estado e do latifúndio contra os camponeses pobres de Rondônia.
O acampamento Rio Alto está localizado em terras que foram destinadas ao Projeto de Assentamento Rio Alto, mas por conivência dos funcionários do Incra foi grilada pelo latifundiário Dilson Caldato. Desde o ano passado mais de 45 famílias estão acampadas na área e resistem contra os ataques de bandos armados do latifúndio.
Elcio Machado (Sabiá)Em julho do ano passado camponeses foram seqüestrados tiveram suas mãos amarradas e sofreram espancamentos. Nesta ocasião a polícia esteve dias antes no acampamento com a desculpa de realizar busca e apreensão de armas, tudo para preparar o terreno para os ataques do latifúndio. Os camponeses reconheceram vários policias que estiveram "trabalhando" junto com pistoleiros da fazenda.
Os policiais não tinham mandado de busca sendo que a ação foi totalmente ilegal e para defender os interesses do latifundiário e grileiro de terras Edilson Cadalto que negociou ao todo mais R$ 1,5 milhão de madeira de planos de manejo falsos com o madeireiro e vice-prefeito de Buritis Correa.
A ouvidora agrária regional Márcia do Nascimento Pereira disse à época que não se importaria se as famílias fossem mortas pelos guaxebas. Denunciamos as autoridades em Porto Velho todos estes absurdos. Mas nada foi feito!
Em reunião realizada no dia 3 de dezembro último no Incra de Porto Velho em que estavam presentes o comandante da PM de Buritis, o Incra, o latifundiário Dilson Caldato e o Ouvidor Agrário Gercino foi assinada a sentença de morte dos camponeses. No documento Gercino alerta que os camponeses serão punidos por supostas ilegalidades, pede atuação da PM para defender a segurança da propriedade e cinicamente confia que o fazendeiro não fará nada contra as famílias acampadas. O comandante da PM de Buritis, Maj. Antônio Matias de Alcântara ainda lança acusações infundadas e já desmascaradas há muito de que a LCP atua usando táticas de guerrilha, mas esconde que policiais sobre seu comando atuam no adestramento dos bandos armados da fazenda e receberam dinheiro para escoltar a madeira para fora da área.
Nesta mesma reunião participaram 4 pistoleiros da fazenda para identificar o companheiro Sabiá. Manobra antiga que o Incra sempre usou para cumprir seu sujo papel de polícia a serviço do latifúndio.
Mais uma vez Gercino mostra o verdadeiro papel da Ouvidoria Agrária Nacional e de sua Comissão Nacional de Combate a Violência no Campo que é o de criminalizar a justa luta pela terra enquanto trata latifundiários bandidos e assassinos como "senhores de respeito". O assassinato dos coordenadores da LCP é de inteira responsabilidade do Ouvidor Gercino e do Incra de Rondônia.
A Comissão Nacional das Ligas de Camponeses Pobres repudia a covarde atitude do Incra e Ouvidoria Agrária e exige apuração dos fatos e punição de todos responsáveis.
Conclamamos a todos os verdadeiros democratas, apoiadores e simpatizantes da luta camponesa a denunciarem mais este crime contra os camponeses de Rondônia.
Punição ao latifundiário Dilson Caldato e seus bandos armados!
O povo quer terra, não repressão!
Morte ao latifúndio! Viva a Revolução Agrária!
Comissão Nacional das Ligas de Camponeses Pobres
Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental
Jaru, a 10 de Dezembro de 2009

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Criminalização da pobreza

A polícia do Rio de Janeiro, em comparação com as suas congêneres do Brasil e do mundo, é a que mais mata e a que mais morre. Ela é ao mesmo tempo algoz e vítima de um processo vicioso que só faz agravar a espiral da violência, resultado inevitável de uma política de segurança da qual o governo se vangloria, apesar da sua comprovada ineficácia.

Toda vez que se publicam relatórios e dados sobre a questão da violência e os direitos humanos, o cidadão fluminense se vê diante do doloroso dever de constatar a permanência de tão trágica realidade. Exemplo? Basta ver o informe da Human Rights Watch (HRW), publicado com destaque nos jornais desta quarta-feira. Os números são estarrecedores e não foram desmentidos pelas autoridades.

Em 2008, os policiais do Rio cometeram 1.137 homicídios durante o expediente ou fora dele. O tamanho do absurdo se mede pela comparação com outros estados e até países. No estado de São Paulo, foram 397 as mortes cometidas por policiais no mesmo período. Na África do Sul e nos Estados Unidos, considerado o país inteiro em ambos os casos, os números foram 468 e 371, respectivamente. A relação entre o número de mortos e número de prisões efetuadas é outro dado altamente revelador. No Rio, para cada suspeito morto por policiais, estes conseguiram efetuar 23 prisões; em São Paulo, 1/348; e nos EUA 1/37.751. Outra dimensão do mesmo descalabro são os dados que medem a relação entre mortes cometidas por policiais para cada óbito de policial. Nos EUA 9,05; em São Paulo, 18,05; e no Rio são 43,73 mortos para cada óbito policial.

Toda comparação, claro, padece de problemas e carece de ser relativizada. Mas, no caso, trata-se de uma questão específica, analisada com base em dados oficiais, em regiões assemelhadas. Em todas elas, a violência se concentra nas megalópoles atravessadas pelos problemas típicos do capitalismo pós-moderno. Sendo assim, descartado o castigo de Deus como hipótese, deve haver uma explicação para os números que conferem ao Rio de Janeiro uma distinção tão macabra. Para os estudiosos mais acurados do assunto, a política de segurança adotada pelo governo Cabral é a causa maior do descalabro.

Ancorada na lógica do confronto bruto, tal política opera na base da aceitação tácita do uso ilegal da força letal. Há muito que se denuncia, sem que se consiga estancar a sangria literal que daí decorre, os chamados "autos de resistência". São utilizados como forma de justificar os homicídios cometidos e funcionam, na prática, como uma licença para matar. Ao comparar a recente derrubada de um helicóptero policial com a queda das Torres Gêmeas, o secretário de Segurança forneceu justificativa para a espiral de violência. No espírito da vendeta, bandido e polícia se igualam no exercício descontrolado da força e na produção da insegurança coletiva.

A brutalidade policial cumpre também uma função política. A reprodução das relações sociais marcadas pela desigualdade e pela injustiça não se faz sem certo grau de violência segregacionista contra os mais pobres. Como escreveu, em artigo recente, Chico Alencar, deputado federal do PSOL/RJ: "uma política de segurança que mira invariavelmente os de baixo, jogando sobre eles toda culpa sobre os malfeitos de uma sociedade desigual, tem nome e sobrenome: criminalização da pobreza".

o presidente e o palavrão que incomoda

Se tratar da língua é tratar de um tema político, a fala sem rodeios do presidente Lula, durante cerimônia de assinatura dos contratos do programa Minha Casa, Minha Vida, no Maranhão, vai encher a seção de cartas de jornais e revistas, além de dar o tom do moralismo seletivo dos grandes articulistas.


Por Gilson Caroni Filho*, na Carta Maior

Fingirão não saber que palavras tidas como chulas são formas lingüísticas ímpares para expressar emoções que permeiam o corpo e os amplos campos das relações sociais. Não está em questão se o emprego se deu em contexto adequado, mas o que move o coro dos “indignados”.

Ao afirmar que "eu não quero saber se o João Castelo é do PSDB. Se o outro é do PFL. Eu não quero saber se é do PT. Eu quero é saber se o povo está na merda e eu quero tirar o povo da merda em que ele se encontra; esse é o dado concreto", Lula tem consciência de que os opositores dirão que desrespeitou a postura pública que deveria manter em face de majestade do cargo que ocupa. Tanto que se antecipa à crítica anunciada: “Amanhã os comentaristas dos grandes jornais vão dizer que o Lula falou um palavrão, mas eu tenho consciência que eles falam mais palavrão do que eu todo dia e tenho consciência de como vive o povo pobre desse país".

Como tem sido colonizada para ter vergonha de ser o que é, uma boa parcela da classe média urbana se apresenta como defensora intransigente da propriedade, da família e do Estado Patrimonial. Confunde governo e salvação, ignora a representação, desconhece direitos sociais e políticos, menosprezando a exploração econômica, embora seja “mobilizável” por campanhas de caridades que reforcem a sua imagem de privilegiadas. Em busca de ilusões perdidas, está disponível para aventuras que realçam a ferocidade dos seus recalques. E qualquer enunciado que apresente um padrão variante é o suficiente para açular o seu ódio de classe.

Pouco lhe importa se campeia a violência, a truculência e a miséria. Em seu ilusório casulo, o que merece relevo é o destempero verbal de um presidente que não segue os padrões dos antigos donos do poder. É de pouca importância se o governo anterior reduziu a zero os empréstimos da Caixa Econômica Federal às autarquias e estatais da área de saneamento básico. Também não lhe tira o sono se a decisão política do tucanato provocou, além da dengue, surtos de cólera, leishmaniose visceral, tifo e disenterias. Ora, doenças resultantes da falta de saneamento não lhe incomodam, pois fezes liquefeitas são desprezíveis. A merda que lhe aflige é aquela que aparece no improviso presidencial como dado concreto.

Para Lula, o descalabro no saneamento é uma tragédia, e, de fato, o é. Por sua história, o presidente faz parte de uma legião de sobreviventes. De um exército que resistiu a séculos de dificuldades imensas, naturais e humanas. Tem orgulho saudável de sua força. Da força desse povo que come mandacaru e capulho verde de algodão e ainda tem a esperança desesperada de querer viver. Isso é coragem, é grandeza. Essa é a merda que a causa engulhos na grande imprensa e nos seus leitores indignados. Mas indignados com o quê, afinal?

Indignados pela existência de erros que se repetem há tempos? Indignados pela impotência de um saber divorciado da dimensão histórica e da responsabilidade social que deveria caber aos centros de ensino que freqüentaram? Indignados pela ameaça, concreta e imediata, da morte, pela fome endêmica e, até bem pouco tempo epidêmica, dos mais miseráveis? Não. O que os ruborizados pelo emprego da palavra "merda" não suportam é a ausência do promotor da "paz social", do garantidor de uma ordem política que lhes oferecia, através do conservadorismo autoritário, uma institucionalidade que muito apreciavam ética e esteticamente. Um simulacro de república feito sob medida.

O problema é que a vestimenta institucional brasileira parece calça curta, fazendo o país caminhar desajeitado, com medo do ridículo. A reforma mais urgente requer produção crescente de cidadania, a criação incessante de sujeitos portadores de direitos e deveres. Em uma sociedade fracionada, essa é a "merda" que ameaça e choca os estamentos mais reacionários: a realidade que não deveria ter emergido com modelagem tão nítida.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Escândalo deve por fim ao governo Arruda

O Governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM,ex-PFL), inclui mais uma escandalosa corrupção em sua carreira política. A polícia Federal realizou durante todo dia 27 de novembro apreensões de documentos, dinheiro e computadores na residência oficial do governador, na administração de Brasília, na casa do secretário de educação, do chefe da casa civil, na casa do assessor de imprensa e em gabinetes de deputados distritais.

O nome da operação denominada "Caixa de Pandora" executa durante meses investigação no governo com escutas telefônicas, autorizadas pelo STJ, que flagraram Arruda negociando propina para os secretários e deputados distritais com cifras que variam de 60 mil a 400 mil, dentre outros crimes. O governo utilizava as empresas laranjas Linknet, Infoeducacional, Conbral, Adler e Vertax para lavar o dinheiro. A PF contou com o infiltrado Durval Barbosa, Secretário de Relações Institucionais do GDF, que fez acordo de delação premiada para reduzir pena na participação de desvios de verba no governo Joaquim Roriz, igual picareta que governou o DF por três mandatos. Arruda já admitiu a culpa e exonerou Luiz Valente, secretário de educação, José Geraldo Maciel, chefe de gabinete, Omézio Pontes, assessor de imprensa e claro, Durval Barbosa.

Político antigo do DF, iniciou sua carreira como aliado de Joaquim Roriz e já fugiu uma vez de cassação, renunciando, quando fraudou o painel do senado em escândalo que envolveu ACM e Luiz Estevão. O Governo Arruda e Paulo Octávio (DEM), empreiteiro e vice-governador, executam um governo autoritário com excesso de publicidade camuflado com o discurso falso de ordem e sustentabilidade. Governam somente para os empresários, o que pode-se evidenciar na sua insistência na implantação do bairro Setor Noroeste, na política de transporte, descaso com os professores, racismo com indígenas e na destruição de centenas de moradias que não são de seu reduto eleitoral, entre outras ações condenáveis.

As denúncias atingem ao Governador, vice-Governador, Presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente (DEM), e vários níveis da estrutura de poder do DF. Em caso de cassação ou impeachment abre-se um precedente de eleições fora de época ou um ano de governo provisório pelo presidente do Tribunal de Justiça. Avessa a tudo isso, a sociedade civil, não só do DF, começa a se movimentar para que realize-se a justiça.

A sociedade civil, não só do DF, exige a cassação e/ou impeachment de Arruda e Paulo Octávio!

OAB diz que há "altíssimos indícios" contra Arruda

O relator do pedido de impeachment da OAB contra o governador José Roberto Arruda (DEM) e o vice Paulo Octávio (do mesmo partido) votou nesta quinta-feira (3) pela aprovação do pedido. João Pedro Ferraz dos Passos considerou que as denúncias apontam para a existência de "altíssimos indícios" contra Arruda.

A proposta de pedido de impeachment foi apresentada pela OAB na última segunda-feira, com o apoio do presidente nacional da entidade, Cezar Britto. Para que o pedido possa ser protocolado na Câmara Legislativa, terá de ser aprovado pela seccional do Distrito Federal, que votará a proposta ainda nesta quinta. O revisor do processo, conselheiro Walter do Carmo Barletta, acompanhou o voto do relator.

O relator analisou separadamente a implicação de Arruda e Paulo Octávio nas denúncias e considerou haver indícios de que ambos tinham conhecimento do suposto esquema de arrecadação e distribuição de propinas no Distrito Federal e afirmou ter verificado nas denúncias "altíssimos indícios de autoria e responsabilidade do governador".

Ressaltou ainda que a divulgação de imagens de recebimento de propinas por aliados e empresários foi um fato que "deixou constrangidos todos os brasileiros, em especial a população do Distrito Federal".

Passos salientou ainda que as explicações dadas até aqui pelo governador Arruda "não convencem" e que muitos dos fatos apurados até aqui "o foram sob a supervisão do Superior Tribunal de Justiça e da Polícia Federal". Com isso, fundamentou seu voto a favor do pedido de impeachment.

"Práticas escusas"

Ao analisar a possível participação de Arruda no esquema, o relator afirmou que a relação entre o governador do DF e seu ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa "se pautava por práticas escusas". "A relação se pautava por práticas escusas e de movimentação de numerário, a título de propina, para financiar campanha eleitoral e para outros interesses não mencionados".

Para o relator, as gravações divulgadas pela imprensa, mostrando supostos recebimentos de propina - imagens que incluem o governador Arruda - são uma "evidência" das denúncias feitas por Durval, colaborador da Polícia Federal na Operação Caixa de Pandora. "Tal capacidade de arrecadar dinheiro só se justifica porque Durval tinha respaldo de seu superior, no caso, o governador".

Até agora, sete pedidos de impeachment já foram protocolados na Câmara Legislativa do DF, de partidos como o PSB, o PT e o PSOL, até a CUT (Central Única dos Trabalhadores), Ordem dos Ministros Evangélicos do Gama, e dois advogados.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O Ranking dos partidos Brasileiros

O MCCE (Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral) lançou nesta quinta-feira (4) o dossiê Políticos cassados por corrupção eleitoral, com os 623 políticos cassados em 339 processos julgados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) entre 2000 e 2006. O Vermelho publica com exclusividade o ranking dos partidos que mais se envolveram. O primeiro colocado é o DEM (ex-PFL), com 69 casos, mais de um quinto do total. DEM, PMDB e PSDB somam 193 casos, 57% do total. O PT tem 10 casos

Renúncia ou impeachment, Arruda tem que deixar o GDF

Acabou o governo Arruda. O projeto de oito anos que alimentava para seu governo ruiu na esteira das denuncias que envergonham Brasília e o Brasil desde a última sexta-feira (27). São lamentáveis e estarrecedoras as imagens do governador José Roberto Arruda recebendo propina Os vídeos, os diálogos, as cenas, revelam um vasto esquema de corrupção montado a partir do Buritinga, coordenado pessoalmente pelo governador em parceria com secretários de estado e deputados.

Por Apolinário Rebelo*

Arruda, de andadeira, nesta segunda-feira

Brasília sofre com mais esse escândalo. Padece no país pela imagem de centro da corrupção nacional, que deixa a todos nós envergonhados e indignados. Mas, nossa tristeza e revolta, precisa ter conseqüência, precisa virar ação para tirar essa gente do poder. Todas estas denúncias tem que ser investigadas profundamente, com o indiciamento de todos os envolvidos, o retorno aos cofres públicos o dinheiro desviado e punição rigorosa e exemplar de todos que estão no esquema. Não há meio termo, não deve haver vacilação ou condescendência.

É necessário agir. Arruda perdeu as condições morais, políticas e administrativas de dirigir os destinos de Brasília. A cena do governador estendendo a mão, parlamentares abrindo bolsas, blusas, meias para receber o dinheiro sujo da corrupção, do achaque sobre empresários, é degradante.

Arruda deve renunciar ou então responder ao processo de impeachment que deve ser encaminhado pela Câmara Legislativa do DF. Esta por sua vez precisa suspender todos os envolvidos no mensalão do DEMo. A pergunta de quem vai substituir Arruda também está posta. Paulo Otávio e Leonardo Pudente também estão na lista de beneficiados pela corrupção.

A verdade é que Brasília está acéfala. Até que ponto a Câmara Legislativa do DF está em condições de indicar um governante para concluir esse período de um ano que nos separa das eleições e da posse do novo governo? Essas perguntas precisam de respostas num tempo relativamente curto.

Éstá aberta a sucessão no DF que implica na necessidade de um mandato tampão que nos conduza até as eleições de outubro de 2010 e processo eleitoral. O esquema de Arruda está ferido de morte. Sua base eleitoral e política ficou órfã. Sem Arruda, a sucessão de 2010 sofre mudança drástica. Isso coloca novos desafios aos partidos e forças que se articulam em torno do presidente Lula e tem compromissos profundos com o futuro de Brasília.

Outro aspecto importante é que no meio de todo esse escândalo a população não pode ser triplamente punida. Primeiro pela corrupção, segundo pelos danos morais que todos pagamos por viver na capital do país e em terceiro lugar pela paralisia de serviços, obras e ações do GDF.

Paralelo as investigações e apurações das denuncias, a vida deve continuar. Não podemos permitir a paralisia dos serviços públicos e o comprometimento do calendário das ações na saúde, educação e outras áreas fundamentais ao bem estar do povo.

É necessário escrever uma nova página na vida política do DF. Brasília não merece o governo que tem. A população também não merece parlamentares que recebem propinas do executivo. É necessário um novo governo no DF e uma grande renovação na Câmara Legislativa. Mas isso
só será possível com a ampliação da consciência política de nossos eleitores, do aumento da visão crítica e do rigor na hora de escolher nossos representantes.

Não podemos permitir que as festas de fim de ano, a dispersão política desse período, a realização do carnaval, eventos do nosso dia a dia, dispersem ou tirem o foco de nossas ações, da necessidade de apurar, punir e moralizar a vida política do DF.

Veja aqui um resumo das denúncias que pesam sobre Arruda e companhia:

Informações preliminares dão conta que o esquema foi montado em 2004 para financiar a eleição de Arruda. Naquela época foram reunidos mais ou menos R$ 64 milhões para financiar a campanha do atual governador. Após a eleição o esquema foi profissionalizado e partilhado envolvendo secretários de estado, deputados distritais e gente em outras esferas do Poder no GDF.

A operação caixa de Pandora fez jus ao nome. Aos poucos vai se conhecendo detalhes do esquema de corrupção que dominou o GDF e que começou na gestão Roriz, mas ganhou força no governo Arruda. Segundo o STJ, "as investigações sobre suposto repasse de recursos de origem ilícita foram reforçadas pela delação de um ex-secretário de Estado do Distrito Federal, que aceitou que fosse instalado em suas roupas equipamentos de escuta ambiental. Em função disso, foi aberta a ele a participação em programa de proteção de testemunhas da Polícia Federal".

Ainda segundo a assessoria do tribunal "O STJ determinou a realização de operação de busca e apreensão pela Polícia Federal em residência, local de trabalho ou sede de 16 pessoas físicas e jurídicas, com o objetivo de coletar provas sobre suposta distribuição de recursos ilegais à "base aliada" do governo do Distrito Federal".

As buscas foram realizadas em Brasília, Goiânia e Belo Horizonte. Segundo informações não confirmadas, Barbosa teria gravado uma fita de vídeo onde o governador José Roberto Arruda recebe propina no valor de R$ 400 mil.

O inquérito da PF aponta desvios de até R$ 60 milhões em obras, licitações e contratos da área de informática.

Na sexta-feira, as empresas citadas eram a Infoeducacional, Vertax, Adler, Linknet e Conbral. Mas ao longo do final de semana outras foram surgindo como a JCGontijo e o Jornal da Comunidade.

Ação de "quadrilha"

A repercussão da operação da PF foi crescendo ao longo da tarde desta sexta-feira (27), conforme as informações eram divulgadas na internet. Para o presidente do PCdoB/DF, Augusto Madeira, "são acusações gravíssimas que se forem confirmadas mostram que existe um grande esquema de corrupção instalado no governo do DF a partir do próprio governador. É uma verdadeira quadrilha que capturou o governo". O PT, PSB, PDT, Psol, Pstu e outros também falam em impeachment.

Até o DEM diz que vai "desfiliar" Arruda. O DEM deve decidir nesta segunda-feira pela desfiliação de Arruda. Segundo os líderes nacionais as imagens foram demolidoras para o partido. O ex-governador Joaquim Roriz, desafeto do governador do DEM, também declarou "A que ponto
chegamos... Nunca imaginei que pudesse haver corrupção no governo do Arruda. É lamentável".

Provas incontestáveis

Durval Barbosa, secretário de Relações Institucionais da gestão Arruda até a última sexta-feira (27), colecionou três dezenas de vídeos. Entregou-os ao Ministério Público e à Polícia Federal. Num deles, Arruda leva as mãos a um maço de dinheiro. A cena se passa num gabinete da estatal Codeplan (Cia. de Planejamento do GDF), onde Durval dava expediente antes de virar secretário.

Ao receber a dinheirama, Arruda pede uma "cesta". Durval enfia as notas num envelope pardo. O governador exala preocupação. Arruda menciona a hipótese de Durval levar o dinheiro à casa dele.
Súbito, entra na sala uma terceira pessoa. Arruda a chama pelo nome: Rodrigo. Seria um filho adotivo do governador. Arruda pede a Rodrigo que leve o dinheiro para o carro. É atendido. Noutro vídeo, Durval Barbosa despeja maços de dinheiro numa pasta manuseada por Omézio
Pontes, assessor de imprensa do governador Arruda.

Panetones

O secretário de Ordem Pública e corregedor do governo Arruda, Roberto Giffoni, disse que as imagens são "velhas",são de 2005. Afirmou que o dinheiro recolhido por Arruda destinava-se a ações sociais. José Gerardo Grossi, advogado do governador, saiu-se com uma alegação natalina. Segundo Grossi, o dinheiro que salta das imagens foi usado para comprar panetones, distribuídos a pessoas carentes no DF. Durval Barbosa, demitido por Arruda na tarde de sexta (27), tornou-se um delator premiado. Colabora com a PF e o MP em troca da promessa de redução de pena.

Nessa condição, foi a uma reunião com Arruda com equipamentos de escuta ambiental grudados ao corpo. Captaram-se diálogos estarrecedores. As cifras saltitam das conversas como pulgasno dorso de um cão sarnento. Em depoimento à PF, Durval esmiuçou a natureza dos repasses. Disse que Arruda lhe solicitava dinheiro periodicamente, de 15 em 15 dias. Grana para o pagamento de despesas pessoais. Arruda não era beneficiário solitário. Durval mencionou no depoimento a partilha de R$ 178 mil.

Segundo o ex-secretário, o montante foi dividido entre o governador (40%), o vice-governador Paulo Octávio (30%), o assessor de imprensa Omézio Pontes (10%) e o chefe da Casa Civil do GDF, José Geraldo Maciel (10%). A aplicação dos 10% que sobraram ficou à espera de um
"comando" do governador. Afora o enriquecimento pessoal, a dinheirama proveniente das propinas prestava-se à compra de deputados na Câmara Distrital, o legislativo do DF.

A escuta escondida nas roupas de Durval captou, em 21 de outubro passado, cerca de 55 minutos de conversa. A voz de Arruda soa na fita alta, límpida e clara. Num trecho, o governador não deixa dúvidas quanto à destinação dos "panetones". "Aquela despesa mensal com político hoje está em quanto?", pergunta Arruda. Noutro trecho, o governador inquire sobre a quantia disponível no dia.

- Arruda: Hoje, tem disponível isso aqui?

- Durval: Hoje, tem isso para você fazer o que você quiser, para pagar missão. Agora, se for na coisa normal, no dia a dia, no comum, você teria hoje 400 disponível para entregar a quem você quisesse.

- Arruda: Ótimo.

Vídeos obtidos pelo portal iG revelam que pelo menos seis deputados distritais, entre eles o presidente da Câmara Distrital, Leonardo Prudente (DEM), recebiam dinheiro vivo do esquema de propina montado no governo do Distrito Federal. A imagem mais impressionante é do próprio Prudente, que guarda maços de dinheiro na meia.

Veja abaixo quem eram esses deputados e as respectivas quantias que cada um deles receberia, de acordo com depoimento do ex-secretário Durval Barbosa no inquérito da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal:

Leonardo Prudente (DEM) – O presidente da Câmara Legislativ Leonardo Prudente (DEM), recebia todos os meses R$ 50 mil de acordo com o inquérito. No vídeo ele guardaria o dinheiro nas meias e nos bolsos do paletó. As imagens são de 2006. Além disso, a investigação da Polícia Federal, aponta para outras influências do deputado do Democratas. Ele teria forte influência no Detran do DF com parentes em cargos estratégicos para desviar recursos públicos. O inquérito da PF também fala que o presidente da Câmara era "dono" de parte do contrato de coleta de lixo.

A deputada Eurides Brito (PMDB) - líder do governo na Câmara Legislativa, recebia todos os meses R$ 30 mil. Ela teve o gabinete vasculhado na última sexta-feira durante a operação Caixa de Pandora. Primeira suplente do PMDB, ela tomou posse como deputada em agosto de 2007 a partir da renúncia do ex-deputado Pedro Passos. Anteriormente, Eurides foi deputada em duas legislaturas (1999 a 2006).

O deputado Rubens César Brunelli Júnior, do PSC - também recebia R$ 30 mil todos os meses. Atualmente, é corregedor da Câmara. Foi eleito com 23 mil, pela segunda vez para a Câmara Legislativa. Na primeira eleição, só teve 7 mil votos. Antes de ser corregedor, foi três vezes presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidente da Comissão de Defesa do Consumidor. Foi eleito para integrar a Mesa Diretora da Câmara Legislativa, exercendo a função de Segundo Secretário para 2007/2008. Atualmente é o corregedor da Câmara, eleito para o biênio 2009-2010.

O ex-deputado distrital Odilon Aires (PMDB) - atual presidente do Instituto de Atendimento à Saúde do Servidor do DF (Inas), Odilon Aires recebia R$ 30 mil por mês segundo o inquérito.
Atualmente, ele está no governo do Distrito Federal gerindo um orçamento de R$ 138 milhões, dinheiro necessário para pagar o plano de saúde de mais de 100 mil funcionários do GDF e seus parentes.

Marcelo Carvalho - apontado como responsável pelos pagamentos. Braço direito do vice-governador Paulo Otávio, o empresário Marcelo Carvalho era apontado como responsável por pagamento de suposta propina em esquema de corrupção do governo do Distrito Federal. As informações estão no inquérito da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal.

Segundo as investigações da PF, a "equipe de Paulo Octávio" recebia 30% do dinheiro arrecadado de empresas de informática que se beneficiariam com a aprovação do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) do DF. Carvalho foi um dos responsáveis pelo pagamento dos deputados distritais da base do governo para aprovar o novo PDOT, segundo o inquérito. O vídeo, no entanto, não é conclusivo.

Em nenhum momento Carvalho recebe dinheiro, apesar da Polícia Federal apontar que Marcelo era integrante do esquema. O iG entrou em contato com o grupo Paulo Octavio, mas não obteve retorno.

Já Luiz França, sub-secretário de Justiça e Cidadania aparece recebendo dinheiro de Durval Barbosa, o delator da operação Caixa de Pandora. "Aparece recebendo dinheiro do declarante a mando do governado em razão de ser gestor dos contratos (dos programas de governo) "Na hora fixo" e "Na hora móvel", cita a investigação.

O ex-secretário de Planejamento do DF, José Luiz Vieira Naves, aparece na investigação da Polícia Federal como emissário de Arruda. "O candidato (Arruda em 2006) valia-se da influência com Naves para executar contratos", cita o documento. Por causa de Naves, Arruda prometeu às empresas de informática que não haveria fatura mensal menor que R$ 5 milhões assim que assumisse o governo. "Naves facilitava a liberação do dinheiro do orçamento."

Ainda de acordo com o inquérito da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, o médico João Luiz, que hoje é subsecretário de Recursos Humanos da Secretaria de Saúde do DF, recebeu R$ 20 mil referente à contratação da Unirepro, empresa de software de impressão, reprografia e gráfica. "Que os valores eram para o próprio João Luiz", cita a investigação da PF.

Fonte Vermelho

Dedo podre: os vices do Zé Pedágio

A gengiva e um voto: uma dupla de sucesso em 2002 !

A gengiva e um voto: uma dupla de sucesso em 2002 !

segue-se uma análise sobre os candidatos a vice do Zé Pedágio.

O vice de Zé Pedágio em 2010, segunda a Folha (*), seria o José Roberto Arruda

Outro vice do Zé Pedágio foi o Gilberto Kassab, uma espécie de poste sob a forma de Maguila: leve de carregar.

O mais notável vice de Zé Pedágio foi o de 2002, Henrique Eduardo Alves, que teve de ser defenestrado, por causa de uma acusação de lavagem de dinheiro:

Edição 209 da revista Época, 20/05/2002

Rearrumações domésticas
Com Henrique Eduardo Alves fora do páreo, a deputada Rita Camata deverá ser escolhida como vice de José Serra
Na edição 205 de ÉPOCA, de 22 de abril, a colunista Joyce Pascowitch informou que uma rumorosa disputa em torno de contas bancárias no Exterior, travada pela ex-mulher Mônica Azambuja Alves num processo de separação litigiosa, poderia custar ao deputado Henrique Eduardo Alves, do PMDB do Rio Grande do Norte, o sonho de ser o candidato a vice do tucano José Serra. Na semana passada, mais detalhes sobre o processo de separação tornaram-se públicos, com a revelação da denúncia feita na Justiça pela ex-mulher de uma milionária movimentação financeira do deputado em contas na Suíça, nas Bahamas e nas Ilhas Cayman. No processo que corre em Brasília desde outubro de 2000, os advogados de Mônica juntaram extratos bancários, contas telefônicas e faturas de cartão de crédito. Mostram que o pré-candidato a vice ostentava um padrão de vida incompatível com uma renda mensal declarada de R$ 20 mil.