segunda-feira, 27 de abril de 2009

A abertura econômica cubana

A abertura econômica cubana
carlos pioprofessor de Economia Política Internacional, no Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB). É mestre e doutor em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj).
Cuba é um país pequeno se analisarmos, por exemplo, suas dimensões geográfica, populacional e econômica. Tem área de 111 mil km² (um pouco maior do que Pernambuco), população de 12 milhões de pessoas (inferior à da Bahia) e PIB de US$ 46 bilhões (4,3% do PIB brasileiro, metade do PIB do Paraná). No entanto, na política internacional, Cuba é gigantesca. Desde que o regime inaugurado por Fidel Castro e Che Guevara alinhou-se à União Soviética no auge da Guerra Fria, seu modelo tem sido capaz de mobilizar forte debate entre socialistas, liberais e social-democratas. Os principais aspectos do debate são: a impossibilidade prática de o Estado garantir a todos os cidadãos graus plenos de liberdade político-econômica e de igualdade de renda; e o mix desejável entre esses dois elementos na definição das regras e das políticas governamentais.Desde que caiu o Muro de Berlim (1989) e foi extinta a União Soviética (1991), o modelo socialista cubano perdeu as bases de sua legitimidade política e viabilidade econômica. Com o socialismo mundial, também morreu parte importante do apelo exercido pelos ideais de Fidel e Che sobre intelectuais e políticos latino-americanos e brasileiros. Hoje, reconhece-se facilmente que o regime cubano é anacrônico e perverso. Por isso, desde o início da Revolução saíram de Cuba mais de 900 mil pessoas, e não há registro de grandes fluxos de pobres, militantes, políticos ou intelectuais comunistas demandando vistos de entrada para desfrutar das maravilhas proclamadas pela retórica oficial.Qual o destino de Cuba, agora que parece claro que Fidel não mais retornará ao poder? Uma provável abertura econômica apresenta oportunidades reais para empresas brasileiras que investirem em Cuba? Que papel deve desempenhar o nosso governo ao longo da dupla transição que se espera para os próximos meses e anos (do socialismo para o capitalismo e da ditadura para a democracia)?O destino de Cuba será construído pela interação entre: os movimentos sociais internos espontâneos – formados em torno de demandas por mudanças políticas, econômicas, sociais e culturais mais profundas e mais rápidas –; as principais lideranças do novo governo comandado por Raúl Castro e um grupo de jovens conselheiros pragmáticos e reformistas escolhidos por Fidel e já instalados em posições-chaves no Estado; as organizações anticastristas estabelecidas nos Estados Unidos – que se têm tornado mais moderadas em razão da emergência de novas lideranças nascida nos Estados Unidos –; e o governo (e o Congresso) dos Estados Unidos.Desse intrincado jogo de interesses e forças, emergirá uma nova Cuba. Se mais parecida com a República Tcheca e o Chile – casos exitosos de transição –, ou com a Moldóvia e a Nicarágua – fracassados –, só o tempo dirá. Esse é um processo definido pelo jogo político, mas que não será controlado por nenhum ator ou grupo em particular. Cabe-nos, diante desse quadro, indagar sobre os riscos e as oportunidades para as empresas brasileiras, e sobre o papel mais aconselhável a ser desempenhado por nosso governo.Em relação às empresas privadas, recomenda-se avaliação realista e suficientemente dinâmica do potencial econômico da nova Cuba. Quais são os setores mais atraentes da pequena economia cubana? Como seus principais concorrentes globais/regionais estão se posicionando em relação à abertura econômica do país? Quais são os riscos econômicos e políticos potenciais de investir em Cuba? Para responder a essas questões, será preciso observar atentamente o desenrolar dos acontecimentos políticos que vão fundar o novo país. De todo modo, é bom ter em mente que a economia cubana é demasiado pequena para representar grande oportunidade de negócios para a maior parte das empresas brasileiras, multinacionais ou meramente exportadoras.Já o governo brasileiro precisa olhar com mais realismo para o que está acontecendo em Cuba. A saúde de Fidel não está “impecável”, como disse o presidente Lula em sua recente visita ao país. Cuba não é uma democracia, como ele nos afirmou não muitos meses atrás. Não há alternativa sustentável para o futuro de Cuba fora do modelo capitalista-democrático ocidental, por mais que isso venha a afrontar a visão idealizada dos petistas e esquerdistas incrustados em todos os escalões do governo brasileiro. E, por mais que isso pareça perverso do ponto de vista humanitário, é preciso avaliar as oportunidades de investimento a serem feitos com recursos públicos brasileiros – por exemplo, pela Petrobras e pelo BNDES –, levando em conta os riscos e as incertezas do processo de transição política e econômica que ocorrerá nos próximos anos.

Década de 2020 deve consolidar poder dos BRICs

Crescimento acelerado pode fazer dos BRIC potências econômicas e políticas
Os anos 20 deste século podem marcar a consolidação do fortalecimento de países emergentes como potências econômicas e políticas, em um mundo cada vez mais multipolar. Segundo acadêmicos e instituições de pesquisa, os chamados BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) serão peças-chave dessa nova ordem.Para investigar que desafios cada país do BRIC terá pela frente, no caminho para se tornar uma potência em 2020, a BBC Brasil produziu uma série especial que começa a ser publicada nesta segunda-feira, reunido reportagens multimídia de nossos repórteres no Brasil e enviados especiais a Rússia, Índia e China.Em 2020, com 3,14 bilhões de habitantes (40% da população mundial naquele ano, segundo projeções da ONU), eles devem chegar mais perto das economias do G-7, após terem crescido a taxas muito superiores às de nações ricas.O National Intelligence Council, entidade do governo americano ligada a agências de inteligência, prevê que já em 2025 todo o sistema internacional - como foi construído após a Segunda Guerra Mundial - terá sido totalmente transformado."Novos atores - Brasil, Rússia, Índia e China - não apenas terão um assento à mesa da comunidade internacional, mas também trarão novos interesses e regras do jogo", afirma a instituição"Muito provavelmente, por volta de 2020 vamos nos dar conta de que existe um equilíbrio muito maior no mundo em termos econômicos e políticos com o fortalecimento de países emergentes como China, Índia, Brasil e Rússia. Com um maior poder econômico, virá também um maior poder político e uma participação ativa desses países em organismos internacionais", disse à BBC Brasil Stepháne Garelli, professor da Universidade de Lausanne, na Suíça, e autor de um estudo que traça cenários para 2050.Conceito complexoO conceito de sistema multipolar é complexo e, ainda que boa parte dos analistas concorde que o mundo caminha para isso, o tempo que levará para que a China tenha voz no Fundo Monetário Internacional (FMI), o Brasil tenha um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU ou o Banco Mundial seja dirigido por um russo ou indiano variam muito.Mas a discussão já não se limita mais ao meio acadêmico. Diferentes aspectos do que pode vir a ser um mundo multilateral (ou multipolar) já começam a aparecer em discursos de autoridades que estão no centro do processo de tomada de decisões internacionais.Um exemplo recente vem de Gordon Brown, o primeiro-ministro britânico, que, às vésperas do encontro do G-20, em Londres, declarou no Brasil que "o tempo em que poucas pessoas mandavam na economia acabou".Também às vésperas do encontro, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, disse em entrevista a uma TV francesa que "soluções globais supõem que a governança de instituições como o FMI seja mais legítima, mais democrática, com espaço para os países emergentes e pobres".Reunião do G-20A reunião do G-20, grupo que une países emergentes aos países-membros do G-8, pode ser vista como um sinal dessas mudanças. A voz dos emergentes no cenário de crise ganha especial relevância.Segundo boa parte dos analistas ouvidos pela BBC Brasil, eles não apenas serão menos afetados do que os países desenvolvidos pela crise, como também podem se recuperar mais rapidamente.Essa possível recuperação mais rápida se baseia em alguns pilares que serão também propulsores do crescimento de longo prazo."A situação das economias desses países é muito diferente. Mas, de maneira geral, os BRIC estão mais bem posicionados para a recuperação do que muitas outras economias", disse Markus Jaeger, responsável por análises de longo prazo no Deutsche Bank.Para Alfredo Coutinho, analista mexicano da agência Moody's nos Estados Unidos, a crise revela ainda a vulnerabilidade das economias desenvolvidas e deixa clara a necessidade de equilíbrio na economia global."É uma oportunidade para as economias emergentes, que devem liderar a recuperação", disse Coutinho.CriseEm entrevista à BBC Brasil, Jim O'Neill, economista-chefe do Goldman & Sachs, que criou a sigla BRIC em 2001, prevê que a crise até mesmo acelere a escalada dos emergentes, e diz que já em 2020 a economia desses quatro países encoste nas dos países do G-7, o grupo das atuais nações mais ricas do mundo.Não faltam céticos em relação à projeção de O'Neill. John Bowler, diretor do Serviço de Risco por País (CRS na sigla em inglês) da Economist Intelligence Unit é um deles."Acho que esse processo será mais demorado. Há uma série de obstáculos à confirmação dessas projeções tanto no campo econômico quanto político", disse Bowler.Apesar das ressalvas feitas por muitos dos ouvidos pela BBC Brasil, o "otimismo" de O'Neill não é isolado.Um relatório da consultoria Ernst&Young, Global Megatrends 2009, por exemplo, afirma que "a fome de crescimento, junto com a rápida industrialização das economias e populações em expansão, põe os emergentes no caminho da recuperação mais rapidamente, e os países do BRIC são claramente os atores principais".Essa fome de crescimento vem, em parte, da nova classe média que tem revolucionado o consumo nesses países. Segundo o Banco Mundial, 400 milhões de pessoas se encaixavam nessa categoria em 2005 nos países em desenvolvimento. Em 2030, deverão ser 1,2 bilhão de pessoas."A classe média, principalmente dos países do BRIC, será o novo motor da economia mundial", prevê Stepháne Garelli, da Universidade de Lausane e diretor do índice de competitividade, publicado pelo Institute of Management Development, que avalia 61 países em 312 critérios."É uma classe média ávida por comprar seu primeiro carro, seu primeiro celular de última geração. Não é conservadora como a classe média do atual mundo rico. Ela quer 'comprar felicidade'", acrescentou.Padrão de vidaO valor do PIB dará posição de destaque a esses países no ranking global de economias, mas não será suficiente para levar as populações desses países a padrões de vida próximos ao dos países hoje considerados ricos.O PIB per capita da Índia, por exemplo, deverá praticamente dobrar num período de 15 anos até 2020, segundo um estudo do departamento de pesquisas do Deutsche Bank. Ainda assim, representará apenas 40% da renda per capita nos Estados Unidos.De olho em indicadores como o PIB per capita, Françoise Nicolas, economista do Instituto Francês de Relações Internacionais, prevê a ascensão das "superpotências pobres"."Será um mundo multipolar bizarro. Os BRIC serão superpotências pobres com mais peso econômico, mas o discurso ainda não estará no mesmo nível dos países ricos", prevê Nicolas.Além da pobreza, esses países enfrentam outros desafios, como a proteção ao meio ambiente."Eles querem ter maior poder de decisão e, ao mesmo tempo, em certas questões como o meio ambiente, querem continuar a ser tratados como países emergentes, que não podem cumprir as mesmas exigências dos ricos", disse Thomas Klau, chefe do escritório de Paris do Council of Foreign Relations.*Colaboraram nesta reportagem: Bruno Garcez, da BBC Brasil em Washington, Daniela Fernandes, de Paris para a BBC Brasil, e Marina Wentzel, de Hong Kong para a BBC Brasil

Queda da população pode afetar economia da Rússia

A população russa está se tornando cada vez mais velha
O declínio acentuado da população russa poderá ter graves consequências nas áreas econômica e de defesa e ameaçar o crescimento do país na próxima década, segundo a opinião de especialistas ouvidos pela BBC Brasil.De acordo com Sergei Zakharov, do Instituto de Demografia da Higher School of Economics, em Moscou, a Rússia de 2020 estará sofrendo os efeitos da redução da sua população. Em 2015 a Rússia já poderá ter oito milhões de pessoas na força de trabalho a menos do que tem hoje e, no Exército, a redução poderá ser de até um milhão até 2050."Os números são assustadores", diz Zakharov.Um estudo patrocinado pelas Nações Unidas e divulgado ano passado por especialistas em demografia mostrou que a população do país poderá encolher dos atuais 142 milhões de pessoas para 100 milhões até 2050.Natalidade e mortalidadeDois principais fatores explicam o declínio da população russa. O primeiro são as baixas taxas de natalidade registradas ao longo das últimas décadas, uma tendência observada em muitos países europeus e agravada na Rússia pelas dificuldades econômicas dos anos 90, quando o país sofreu a transição do comunismo para o capitalismo.O segundo fator é a alta taxa de mortalidade, principalmente entre os homens em idade reprodutiva.Segundo Zakharov, um em cada três russos morre antes de se aposentar e as causas mais comuns são externas, como alcoolismo, acidentes de trânsito e mortes por envenenamento, causadas por consumo de bebida alcoólica fabricada de forma clandestina.De acordo com dados oficiais, o número de mortes superou o de nascimentos em 12 milhões de 1992 a 2007, uma perda compensada parcialmente pela chegada de 5,5 milhões de imigrantes no mesmo período.A Rússia é um dos únicos países do mundo em que a expectativa de vida diminuiu desde os anos 60. De acordo com dados oficiais de 2006, os homens russos vivem em média 60 anos, 15 abaixo da média europeia. Para as mulheres, a expectativa de vida é de 72 anos.ImpactosO encolhimento da população pode ter diversos impactos na economia russa. Economistas estimam que a redução da força de trabalho possa resultar na queda da produção econômica, causando um impacto direto no Produto Interno Bruto (PIB) do país.Uma população em declínio também poderá afastar investidores internacionais, interessados no potencial do consumo interno."Onde o investidor prefere aplicar recursos? Na Índia ou na China, onde a renda per capita cresce junto com a população, ou na Rússia, onde a renda per capita vem crescendo, mas o mercado consumidor vem encolhendo?", indaga Markus Jaeger, economista do Deutsche Bank.A previdência social também poderá sofrer com a crise demográfica, afirma Jaeger."Se a força de trabalho não for renovada, não haverá pessoas suficientes para gerar a renda necessária para pagas as pensões de aposentados. Isso pode prejudicar as políticas fiscais e econômicas e gerar tensões políticas", estima o economista.Ainda segundo Jaeger, em termos demográficos a Rússia está na pior posição em relação aos outros países do BRIC.Ele detalha que na Índia a população vem crescendo rapidamente, enquanto na China a força de trabalho continuará expandindo até 2015, data a partir da qual a população começará a envelhecer, mas não deverá declinar. Já o Brasil, segundo ele, se beneficiará de um aumento de 20% na força de trabalho até 2025."A Rússia, infelizmente, poderá sofrer um colapso populacional", acredita.MedidasPara tentar reverter o declínio da população, o governo vem oferecendo, desde 2006, estímulos financeiros para famílias que decidirem ter o segundo filho.A estratégia teve resultados imediatos, com aumento de 130 mil nascimentos de 2006 para 2007. Para Sergei Zakharov, os resultados são temporários e serão seguidos, segundo ele, por uma "queda catastrófica na taxa de natalidade".Outra estratégia do governo é estimular a imigração. Em 2006, o governo do ex-presidente e atual primeiro-ministro, Vladmir Putin, implementou um programa que visa a atrair para a Rússia imigrantes de etnia eslava que falem russo.O presidente do Centro de Pesquisa sobre Problemas de População, da Universidade Estadual de Moscou, Valery Yelizarov, teme que a imigração cause tensões sociais na Rússia."Os russos não gostam de estrangeiros, não gostam de se misturar com pessoas de outras culturas e credos", afirma ele. "E, com a crise financeira deixando milhões de russos sem emprego, os imigrantes serão cada vez mais alvos de ataques xenófobos", acrescenta.Para Yelizarov, o governo deveria ampliar o programa de benefícios às famílias e agir para diminuir os índices de mortalidade.

Brasil está entre maiores da economia mundial, diz FMI

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, acredita que o Brasil caminha para ser ''um dos maiores nomes da economia mundial'', e que o papel brasileiro junto à comunidade internacional é mais importante do que o fato de o país ainda contar com uma representação dentro do Fundo aquém do peso de sua economia.Os comentários de Strauss-Kahn foram feitos neste domingo, durante a entrevista coletiva realizada por ele e o presidente do Banco Mundial (Bird), Robert Zoellick, para marcar o encerramento da reunião de primavera do Fundo e do Bird.''O Brasil está se tornando um dos maiores nomes da economia mundial. E a importância do Brasil na cena internacional, o papel desempenhado pelo presidente (Luiz Inácio) Lula (da Silva), são o que fazem do Brasil mais importante do que o tamanho das cotas'', afirmou Strauss-Kahn.

BNDES compra R$ 3 bi de empresas na crise

Banco deve aumentar neste ano os investimentos em títulos da dívida e em ações de companhias em dificuldades no país
Aportes do banco desde setembro concentram-se em cinco empresas: VCP, Independência, LLX, Bom Gosto e PDG Realty.
Desde o agravamento da crise financeira, em setembro, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) já investiu R$ 3,2 bilhões na compra de participações acionárias e títulos de dívidas de empresas. As operações foram feitas via BNDESPar, o braço do banco que atua no mercado de ações.O valor supera, por exemplo, o montante aplicado em empréstimos nos últimos 12 meses até fevereiro para a área social, de R$ 2,98 bilhões. Em relação ao volume total de empréstimos do banco no período de setembro a fevereiro, as compras de participações representam menos de 10%.O BNDES tem uma carteira de ações com mais de 140 empresas. A participação acionária funciona como um instrumento de rentabilidade para o banco com papéis de grandes empresas, como Vale e Petrobras. Pode ser também um instrumento de apoio à reestruturação de companhias em dificuldade, mas com perspectiva de recuperação. Mas especialistas ouvidos pela Folha afirmam que o banco deveria explicitar melhor o critério de escolha das empresas.Para alguns, a compra de ações num momento de baixa no mercado representa uma boa opção de investimento. Quando a Bolsa voltar a subir, os ganhos podem ser altos. "O banco tem patrimônio hoje porque apostou em participações no passado", diz Júlio Gomes de Almeida, da Unicamp.Outros avaliam que a escolha de um número limitado de companhias em um cenário de crise remonta ao papel de hospital de empresas do banco nos anos 1980. Na época, um grupo de empresas selecionadas pelo governo teve acesso a recursos com juros mais baixos.Na semana passada, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse que 20 empresas necessitaram de operações de reestruturação após a crise. "Em geral, a atuação da BNDESPar é feita em condições de mercado", ressaltou.Questionado sobre as operações de compra de ações, o banco afirma que cumpre papel anticíclico na crise e que deverá investir mais na compra de debêntures (títulos de dívida) conversíveis em ações.A compra de participações acionárias desde setembro foi concentrada em cinco empresas: VCP, Independência, LLX, Bom Gosto e PDG Realty (neste caso, compra de debêntures). O banco diz priorizar a compra de participações em movimentos de fusões e aquisições que podem gerar empresas nacionais fortes.Em valor, a maior operação foi a compra da Aracruz pela VCP (Votorantim Celulose e Papel). A aquisição criou a maior empresa de celulose do mundo e impediu que a Aracruz fosse vendida a uma empresa estrangeira, mas foi alvo de críticas porque as duas companhias haviam acabado de anunciar perdas bilionárias com operações atreladas ao câmbio e a derivativos. A participação do BNDES no negócio chegou a R$ 2,4 bilhões. Desde 15 de setembro, as ações da Aracruz já caíram mais de 70% e as da VCP tiveram queda superior a 50%.No caso do frigorífico Independência, um dos maiores processadores de carne do país, a injeção de recursos do banco não foi suficiente para evitar os efeitos da crise. Em 2008, o banco aprovou uma compra de ações de até R$ 450 milhões. Em novembro, fez o primeiro aporte, de R$ 250 milhões.No início de março, a empresa entrou com um pedido de recuperação judicial. O banco cancelou a segunda parcela.Com foco em infraestrutura, a LLX, empresa de logística do empresário Eike Batista, recebeu aporte de R$ 150 milhões e o BNDES se tornou acionista com 12,05% do capital. A empresa já havia assinado neste ano um contrato de empréstimo com o BNDES de R$ 1,32 bilhão para investimentos.Já a incorporadora PDG Realty, com foco no mercado imobiliário de classe média-baixa até alto luxo, recebeu R$ 155 milhões do BNDESPar.

Unifesp vai utilizar o novo Enem no vestibular

Em São PauloA Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) decidiu que vai utilizar o novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) na seleção de estudantes para 2010. O Conselho Universitário da instituição aprovou o novo formato na última quarta-feira (22). Cada curso deverá definir a forma de utilização até o fim de maio.
No próximo mês, os coordenadores de cada curso, junto dos professores, avaliarão se o resultado do Enem será utilizado no processo de seleção de forma única ou se servirá como a primeira fase para o ingresso, oferecendo ao estudante uma forma mista de avaliação.
Após a definição de cada curso, a decisão será oficializada pelo Conselho de Graduação. O novo modelo já será aplicado a partir do próximo ano.
"Este é um importante passo na democratização do ensino superior. Nesta nova administração vamos trabalhar para que o acesso ao ensino público e de qualidade seja estendido a todos os interessados", afirma Walter Manna Albertoni, reitor da instituição.
Como será a implantação
A implantação do novo modelo será realizada pela Pró-Reitoria de Graduação, dirigida pelo pró-reitor professor Miguel Roberto Jorge. "Vamos participar desta experiência e, se necessário, ajustar posteriormente o modelo para que sua aplicação seja a mais adequada possível. Cursos mais antigos e disputados - como o de medicina - provavelmente deverão adotar o Enem como primeira fase de seu vestibular, mas outros cursos da Unifesp poderão preferir adotar o Enem como fase única", explica o pró-reitor.
De acordo com ele, o novo modelo será uma alternativa interessante e viável para trazer mais estudantes a cursos que passaram a ser fornecidos nos últimos anos pela Unifesp, dentre eles, serviço social (campus Santos), letras-português (campus Guarulhos), tecnologias oftálmica e radiológica (campus Vila Clementino) e matemática computacional (campus São José dos Campos).
O novo Enem
O novo Enem está marcado para outubro e deve contar com 200 questões e uma redação. O aluno terá dois dias para realizar a prova, que será válida por três anos.
No novo modelo de ingresso, o candidato optará por concorrer em até cinco opções de cursos e instituições de sua preferência (desde que eles tenham feito opção por utilizar o Enem como fase única de seu vestibular), independentemente do local de sua residência. Não é necessário haver vinculação entre as opções, assim o candidato poderá escolher cursos diferentes em instituições distintas.

Apeoesp e Conselho Tutelar pedem punição a alunos.

Três estudantes ameaçaram uma professora de morte em Franca
O Conselho Tutelar e o sindicato dos professores pedem punição aos adolescentes que ameaçaram de morte uma professora de Franca na sexta- feira (17). Os três alunos já não estudam mais na escola, localizada na periferia da cidade. O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) fez uma pesquisa sobre a violência nas escolas paulistas. Dos 600 professores entrevistados, 80% relataram que já sofreram algum tipo de agressão. Só este ano, 19 professores entraram no site da Apeoesp para denunciar os casos de violência. No caso de Franca, o vice-presidente da Apeoesp, Carlos Eduardo Rogério, não acha que apenas a transferência dos alunos vá resolver. “Mesmo que eles forem para outra escola, devem se enquadrar dentro da lei, ou seja, prestar serviço comunitário no bairro na escola ou na região”, explica. sim. O caso vai ser enviado para a Promotoria da Infância e Juventude, onde sairá a punição para estes menores O conselheiro tutelar Lucas Versola, também concorda. “Os alunos devem ser punidos”.

A Cúpula e a mentira

• ALGUMAS coisas que Daniel me disse seriam difíceis de acreditar se não fosse ele quem as contou e se não fosse uma Cúpula das Américas onde aconteceram. O insólito é que não houve tal consenso em relação ao documento final. O agrupamento da ALBA não o assinou; assim o constatou no último intercâmbio com Obama, na presença de Manning e do resto dos líderes na manhã de 19 de abril.Nessa reunião falaram Chávez, Evo e Daniel sobre o tema com absoluta clareza.Pareceu-me que Daniel exprimiu uma queixa amarga quando, no dia da inauguração da Cúpula, disse em seu discurso: "…Acho que o tempo que estou empregando é muito menor que o que tive de demorar, três horas, no aeroporto dentro do avião." Perguntei-lhe a respeito disso e me contou que seis dirigentes de alto nível tiveram que esperar na pista: Lula, do Brasil; Harper, do Canadá; Bachelet, do Chile; Evo, da Bolívia; Calderón, do México e ele, que era o sexto. Qual o motivo? Os organizadores, num ato de bajulação, decidiram isso para receber o presidente dos Estados Unidos. Daniel permaneceu três horas dentro do caloroso avião da LACSA, no aeroporto, sob o sol causticante do Trópico.Explicou-me o comportamento dos principais líderes presentes na Cúpula, os problemas fundamentais e específicos de cada um dos países da América Latina e do Caribe. Não percebi rancor algum. Estava seguro, tranqüilo e compreensivo. Lembrei-me dos tempos da guerra suja de Reagan, as milhares de armas lançadas por ele contra a Nicarágua, as dezenas de milhares de mortos, a colocação de minas nos portos, o uso das drogas por parte do governo dos Estados Unidos para eludir as disposições do Congresso, proibindo fundos para financiar aquela guerra cínica. Não esquecemos a criminosa invasão ao Panamá, ordenada por Bush pai, a horrível chacina de El Chorrillo, os milhares de panamenhos mortos, a invasão à pequena Granada com a cumplicidade de outros governos da região, fatos bastante recentes na trágica história de nosso hemisfério. Em cada um dos crimes estava a mão da OEA, principal cúmplice das brutais ações da grande potência militar e econômica contra os nossos povos empobrecidos.Contou-me do prejuízo que o narcotráfico e o crime organizado ocasionam aos países da América Central, o tráfico de armas norte-americanas, o imenso mercado que impulsiona essa atividade tão nociva para as nações da América Latina e do Caribe. Contou-me das possibilidades geotérmicas da América Central como um recurso natural de grande valor. Considera que a Nicarágua, por essa via, poderia atingir uma capacidade de geração equivalente a dois milhões de kW/h. Hoje sua capacidade total de geração elétrica, incluídas as diversas fontes de energia, apenas atinge 700 mil kW/h e são freqüentes os blecautes.Falou da capacidade da Nicarágua para produzir alimentos, do preço do leite que é distribuído a um terço do que cobram nos Estados Unidos, ainda que os salários nesse país sejam dezenas de vezes mais altos. Nossa conversa girou em torno disso e de outros temas práticos. Em nenhum momento percebi rancor nele e ainda menos sugerir medidas extremistas no tema econômico. Está bem informado e analisa com grande realismo o que pode e deve ser feito.Expliquei-lhe que muitas pessoas em nosso país não puderam escutar seu discurso por questão de horário e da falta de informação oportuna sobre a Cúpula, que por tal motivo lhe pedia que aceitasse explicar a três jornalistas jovens, num programa da televisão, os temas mais importantes relacionados com a Cúpula das Américas, os que, com certeza, serão do interesse de muitos latino-americanos, caribenhos, norte-americanos e canadenses.Daniel conhece muitas possibilidades concretas de melhorar as condições de vida do povo da Nicarágua, um dos cinco países mais pobres do hemisfério, como conseqüência das intervenções e da pilhagem dos Estados Unidos. Agradou-lhe a vitória de Obama e o observou bem na Cúpula. Não lhe agradou seu comportamento na reunião. "Mexia-se por todos os lados — disse-me — procurando as pessoas para influir sobre elas, sugestionando-as com seu poder e seus elogios."É claro que, para um observador a distância, como era meu caso, percebia-se uma estratégia concertada para exaltar as posições mais afins aos interesses dos Estados Unidos e mais opostas às políticas partidárias das mudanças sociais, da unidade e da soberania dos nossos povos. O pior, a meu ver, foi a manobra de apresentar uma declaração supostamente apoiada por todos. O bloqueio a Cuba nem sequer foi mencionado na Declaração Final e o presidente dos Estados Unidos a utilizou para justificar suas ações e encobrir supostas concessões de sua administração a Cuba. Nós compreenderíamos melhor as limitações reais do novo presidente dos Estados Unidos para introduzir mudanças na política de seu país em relação a nossa Pátria, do que o uso da mentira para justificar suas ações. Por acaso devemos aplaudir a agressão de nosso espaço televisivo e radiofônico, o uso de tecnologias sofisticadas para invadir esse espaço de grandes alturas e aplicar a mesma política de Bush contra Cuba? Devemos aceitar o direito dos Estados Unidos de manter o bloqueio durante um período geológico até trazer a democracia capitalista a Cuba?Obama confessa que os líderes dos países latino-americanos e caribenhos lhe comentam em todas as partes dos serviços dos médicos cubanos, contudo, expressa: "…Isto é um recordatório para nós nos Estados Unidos, de que se nossa única interação com muitos países é a luta contra a droga, se nossa única interação é militar, então é possível que não estejamos desenvolvendo conexões que com o tempo possam aumentar nossa influência e ter um efeito benéfico quando tenhamos necessidade de fazer avançar políticas de nosso interesse na região."No subconsciente, Obama compreende que Cuba goza de prestígio pelos serviços de seus médicos na região e até dá mais importância que nós próprios. Talvez nem sequer o informaram de que Cuba enviou seus médicos não só para a América Latina e o Caribe, mas também para numerosos países da África, da Ásia, em situação de catástrofes, a pequenas ilhas da Oceania como Timor-Leste e Quiribati, ameaçadas de ficar sob as águas se o clima mudar e, inclusive, ofereceu enviar, em questão de horas, uma brigada médica completa para socorrer as vítimas do Katrina, quando grande parte de Nova Orleans ficou desamparada abaixo das águas e haveriam podido salvar muitas vidas. Milhares de jovens selecionados de outros países foram formados como médicos em Cuba, mais dezenas de milhares se estão preparando.Mas não só cooperamos no setor da saúde, também no da educação, dos esporte, da ciência, da cultura, da poupança de energia, do reflorestamento, da proteção do meio ambiente e noutros. Os órgãos das Nações Unidas podem atestar isso. Mais uma coisa: sangue de patriotas cubanos foi derramado na luta contra os últimos baluartes do colonialismo na África e na derrota do apartheid, aliado dos Estados Unidos. O mais importante de tudo, já o disse Daniel na Cúpula, é a ausência total de condicionalidade na contribuição de Cuba, a pequena Ilha que os Estados Unidos bloqueiam. Não o fizemos na busca de influências e apoio. Foram os princípios que sustentam nossa luta e nossa resistência. A taxa de mortalidade infantil em Cuba é menor que a dos Estados Unidos; há muito tempo que não há analfabetos; as crianças brancas, negras ou mestiças frequentam a escola todos os dias; têm as mesmas possibilidades de estudar, inclusive, aquelas que precisam de uma educação especial. Não temos alcançado toda a justiça, mas sim o máximo de justiça possível. Todos os membros da Assembleia Nacional são candidatados e eleitos pelo povo; vota mais de 90% da população com direito ao voto. Não solicitamos a democracia capitalista na qual o senhor se formou e na qual acredita sinceramente e com todo o direito.Não pretendemos exportar nosso sistema político para os Estados Unidos.
Fidel Castro Ruz22 de abril de 2009

1º DE MAIO: DIA DE LUTA E RESISTÊNCIA DA CLASSE TRABALHADORA

Em 1886, cinco operários norte-americanos foram condenados à morte na cidade de Chicago, pela organização de uma ampla greve geral que envolveu milhares de trabalhadores em defesa da redução da jornada de trabalho e por melhorias nos salários. Um ano depois, em diversos países, o movimento operário e sindical fez do 1º de Maio um símbolo de resistência e luta contra a exploração e a desigualdade a que o sistema capitalista submete a população trabalhadora em todo o mundo. Nascia, assim, a tradição dos trabalhadores em fazer do 1º de Maio um dia de consciência, de luta, de denúncias contra a ordem social burguesa e o capitalismo. A recente crise econômica, que deve ser entendida como uma crise de superacumulação capitalista, se abateu também sobre o Brasil, promovendo forte retração em vários setores da economia, principalmente na produção industrial. Os índices econômicos apontam uma queda na produção em todos os setores produtivos, o que confirma a dependência da economia brasileira em relação aos grupos empresariais exportadores, os quais, ao lado do agronegócio e dos bancos, muito lucraram com a globalização. Enquanto a recessão se aprofunda, Lula só se preocupa em ajudar grandes grupos econômicos, sem intervir para evitar demissões nem promover a reestatização de setores estratégicos, o que até outros governos burgueses vêm praticando. Ao invés disso, anuncia cortes de investimentos do Estado nas áreas sociais. A burguesia intensificou seus ataques sobre o conjunto dos trabalhadores. Grandes empresários e banqueiros estão tentando tirar proveito da crise: promovem demissões em massa e aumentam a taxa de exploração da força de trabalho, impondo a redução de jornada com corte de salários. Isso demonstra a intenção clara de tentar sair da crise rebaixando salários, direitos e garantias dos trabalhadores e criminalizando os movimentos sociais que ousam resistir à ofensiva do capital. Nunca, na história recente da luta sindical, trabalhadores foram tão atacados como nesses dias. Por outro lado, em diversos países ressurgem as lutas de massas como forma legítima de reação popular contra os efeitos nefastos que a crise econômica tem acarretado. No Brasil, o movimento sindical retoma seu protagonismo. Ferroviários, petroleiros e outras categorias vêm se levantando com mobilizações e greves. É importante destacar, em âmbito mundial, as ações de radicalização e retomada da consciência da necessidade de ruptura com os mecanismos de dominação e com a lógica de produção capitalista, caracterizada pela destruição das riquezas naturais, pela brutal exploração dos seres humanos e pela negação da vida. Mais do que nunca a questão do socialismo se coloca atual na conjuntura mundial! Nesse 1º de Maio, o PCB vem às ruas manifestar seu compromisso militante com as lutas e iniciativas de resistência que se vêm desenvolvendo no país e conclama os trabalhadores à organização e à luta em todos os sindicatos da cidade e do campo, nas organizações da juventude, nos organismos de bairro, nos movimentos sociais, enfim, onde houver condições de organizar a população, no sentido de realizar um intenso trabalho político visando à construção de uma frente de esquerda anticapitalista e permanente, formada por partidos, sindicatos e outros movimentos sociais, da cidade e do campo, voltada, primordialmente, a desenvolver um calendário de lutas populares e um programa político capaz de promover uma ofensiva ideológica de denúncia do capitalismo e em prol da construção do socialismo. - Nenhum direito a menos; avançar em novas conquistas;- pela reestatização da Petrobrás e das demais empresas privatizadas;- Pela expansão das redes públicas de saúde, educação e previdência;- Por uma previdência pública e universal; não à contra reforma da previdência; - Não às demissões; redução de jornada sem redução de salário; emprego para todos; - Viva o Primeiro de Maio; viva a unidade dos trabalhadores de todo o mundo;

quarta-feira, 15 de abril de 2009

O preço do apoio à Dilma

ELEIÇÕES:Usineiros negociam adesão à eventual candidatura da ministra da Casa Civil, mas apresentam as cartas: querem que o governo federal adote medidas para garantir a competitividade do álcool.
Dilma: apoio à ministra foi discutido, por iniciativa dos usineiros, durante reunião em São Paulo.
´´Eu não acredito que os usineiros de São Paulo, em bloco, apóiem os nomes do PT`` Cândido Vaccarezza, líder petista, que está cético sobre o empenho do setor sucroalcooleiro na campanha
Chamados de “heróis” pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os usineiros já negociam, a um ano e seis meses das eleições, apoio à eventual candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República. Numa reunião na capital paulista, há 10 dias, apresentaram o preço da adesão à chapa da “mãe do PAC”: quer que o governo adote medidas para garantir a competitividade do álcool, cujo preço está no nível mais baixo desde 2004, segundo levantamento realizado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo (USP). A sucessão de Lula foi incluída no debate por iniciativa dos usineiros.
Estavam presentes o presidente da União da Indústria da Cana de Açúcar (Única), Marcos Jank, cerca de 40 representantes do setor e a subchefe de Articulação e Monitoramento da Casa Civil, Tereza Campelo. Os anfitriões do encontro mostraram preocupação com a possibilidade de o governo reduzir o preço da gasolina, devido à queda do valor do barril de petróleo e à notória disposição dos presidentes de turno de afagar a classe média em períodos pré-eleitorais. Primeiro, os usineiros perguntaram se o governo estaria disposto a aumentar a tributação da gasolina para não deixar seu preço cair muito, o que teria o impacto de um terremoto entre os produtores de álcool.
Tereza respondeu que não. Disse que subir impostos está fora de cogitação no Palácio do Planalto. Diante da resposta, os usineiros apresentaram a fatura, propondo a elevação da mistura de álcool na gasolina. Sugeriram que o percentual salte de 25% para 30%. Tereza não se manifestou. Lembrou apenas que Lula e Dilma são parceiros do setor e que o etanol é uma bandeira brasileira a tremular no cenário internacional. Em meio à discussão técnica, coube a João Pilon, conselheiro da Única e dono da Usina Santa Maria, ser mais incisivo.
Depois de afirmar que nunca um presidente foi tão bom quanto Lula para o setor sucroalcooleiro, Pilon alertou Tereza para o fato de “2010 estar logo ali” e os usineiros serem bastante influentes em seus municípios. O recado foi testemunhado, entre outros, por Maurício Biagi Filho, presidente da Usina Moema e integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, órgão vinculado à Presidência da República.

Poder econômico:No Centro-Sul do país, o setor sucroalcooleiro tem um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em cerca de US$ 20 bilhões e gera um milhão de empregos diretos. A maior parte da produção é realizada em São Paulo, governado por José Serra (PSDB), pré-candidato à Presidência. Em conversas com auxiliares de Lula, usineiros alegam não ter boa relação com Serra. Além disso, entoam elogios ao ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci. Ex-prefeito de Ribeirão Preto, Palocci é cotado para representar o PT na sucessão paulista e comandar o palanque de Dilma no estado.
Ministros e petistas veem com bons olhos as conversas em curso, mas com uma pitada de ceticismo. “Eu não acredito que os usineiros de São Paulo, em bloco, apóiem os nomes do PT”, diz o líder do partido na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP). Um assessor presidencial é mais otimista. Em tom de brincadeira, ele lembra que nunca antes na história deste país o setor sucroalcooleiro teve um garoto-propaganda tão bom quanto Lula.

Jornalista denuncia má fé da Folha e armadilha contra Dilma

Jornalista denuncia má fé do jornal Folha de S.Paulo em matéria que tenta envolver a ministra Dilma Rousseff em um suposto plano para sequestrar Delfim Neto durante a ditadura militar. "Chocou-me a seleção arbitrária e edição de má-fé da entrevista, pois, em alguns dias e sem recursos sequer para uma entrevista pessoal – apelando para telefonemas e e-mails, e dependendo das orientações de um jornalista mais experiente, no caso o próprio entrevistado -, a repórter chegou a conclusões mais peremptórias do que a própria polícia da ditadura, amparada em torturas e num absurdo poder discricionário", denuncia Antonio Roberto Espinosa.
Redação - Carta Maior
O jornalista Antonio Roberto Espinosa, professor de Política Internacional, doutorando em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP), autor de "Abraços que sufocam – E outros ensaios sobre a liberdade e editor da Enciclopédia Contemporânea da América Latina e do Caribe", encaminhou uma carta à redação da Folha de São Paulo, protestando contra a edição da entrevista por telefone que concedeu ao jornal. Segundo ele, a Folha preparou uma “armadilha” para a ministra Dilma Rousseff usando uma entrevista que concedeu a uma das suas repórteres da sucursal de Brasília. Na carta que encaminhou à redação, ele denuncia a má fé dos editores do jornal. Segue a íntegra da correspondência:
"Prezados senhores, Chocado com a matéria publicada na edição de hoje (domingo, 5), páginas A8 a A10 deste jornal, a partir da chamada de capa “Grupo de Dilma planejou seqüestro de Delfim Neto”, e da repercussão da mesma nos blogs de vários de seus articulistas e no jornal Agora, do mesmo grupo,solicito a publicação desta carta na íntegra, sem edições ou cortes, na edição de amanhã, segunda-feira, 6 de abril, no “Painel do Leitor” (ou em espaço equivalente e com chamada de capa), para o restabelecimento da verdade, e sem prejuízo de outras medidas que vier a tomar. Esclareço preliminarmente que:
1) Não conheço pessoalmente a repórter Fernanda Odilla, pois fui entrevistado por ela somente por telefone. A propósito, estranho que um jornal do porte da Folha publique matérias dessa relevância com base somente em “investigações” telefônicas;
2) Nossa primeira conversa durou cerca de 3 horas e espero que tenha sido gravada. Desafio o jornal a publicar a entrevista na íntegra, para que o leitor a compare com o conteúdo da matéria editada. Esclareço que concedi a entrevista porque defendo a transparência e a clareza histórica, inclusive com a abertura dos arquivos da ditadura. Já concedi dezenas de entrevistas semelhantes a historiadores, jornalistas, estudantes e simples curiosos, e estou sempre disponível a todos os interessados;
3) Quem informou à Folha que o Superior Tribunal Militar (STM) guarda um precioso arquivo dos tempos da ditadura fui eu. A repórter, porém, não conseguiu acessar o arquivo, recorrendo novamente a mim, para que lhe fornecesse autorização pessoal por escrito, para investigar fatos relativos à minha participação na luta armada, não da ministra Dilma Rousseff. Posteriormente, por e-mail, fui novamente procurado pela repórter, que me enviou os croquis do trajeto para o sítio Gramadão, em Jundiaí, supostamente apreendido no aparelho em que eu residia no bairro do Lins de Vasconcelos, Rio de Janeiro. Ela indagou se eu reconhecia o desenho como parte do levantamento para o seqüestro do então ministro da Fazenda Delfim Neto. Na oportunidade disse-lhe que era a primeira vez que via os croquis e, como jornalista que também sou lhe sugeri que mostrasse o desenho ao próprio Delfim (co-signatário do Ato Institucional número 5, principal quadro civil do governo ditatorial e cúmplice das ilegalidades, assassinatos e torturas). Afirmo publicamente que os editores da Folha transformaram um não-fato de 40 anos atrás (o seqüestro que não houve de Delfim) num factóide do presente (iniciando uma forma sórdida de anticampanha contra a Ministra). A direção do jornal (ou a sua repórter, pouco importa) tomou como provas conclusivas somente o suposto croquis e a distorção grosseria de uma longa entrevista que concedi sobre a história da VAR-Palmares. Ou seja, praticou o pior tipo de jornalismo sensacionalista, algo que envergonha a profissão que também exerço há mais de 35 anos, entre os quais por dois meses na Última Hora, sob a direção de Samuel Wayner (demitido que fui pela intolerância do falecido Octávio Frias a pessoas com um passado político de lutas democráticas). A respeito da natureza tendenciosa da edição da referida matéria faço questão de esclarecer:
1) A VAR-Palmares não era o “grupo da Dilma”, mas uma organização política de resistência à infame ditadura que se alastrava sobre nosso país, que só era branda para os que se beneficiavam dela. Em virtude de sua defesa da democracia, da igualdade social e do socialismo, teve dezenas de seus militantes covardemente assassinados nos porões do regime, como Chael Charles Shreier, Yara Iavelberg, Carlos Roberto Zanirato, João Domingues da Silva, Fernando Ruivo e Carlos Alberto Soares de Freitas. O mais importante, hoje, não é saber se a estratégia e as táticas da organização estavam corretas ou não, mas que ela integrava a ampla resistência contra um regime ilegítimo, instaurado pela força bruta de um golpe militar;
2) Dilma Rousseff era militante da VAR-Palmares, sim, como é de conhecimento público, mas sempre teve uma militância somente política, ou seja, jamais participou de ações ou do planejamento de ações militares. O responsável nacional pelo setor militar da organização naquele período era eu, Antonio Roberto Espinosa. E assumo a responsabilidade moral e política por nossas iniciativas, denunciando como sórdidas as insinuações contra Dilma;
3) Dilma sequer teria como conhecer a idéia da ação, a menos que fosse informada por mim, o que, se ocorreu, foi para o conjunto do Comando Nacional e em termos rápidos e vagos. Isto porque a VAR-Palmares era uma organização clandestina e se preocupava com a segurança de seus quadros e planos, sem contar que “informação política” é algo completamente distinto de “informação factual”. Jamais eu diria a qualquer pessoa, mesmo do comando nacional, algo tão ingênuo, inútil e contraproducente como “vamos seqüestrar o Delfim, você concorda?”. O que disse à repórter é que informei politicamente ao nacional, que ficava no Rio de Janeiro, que o Regional de São Paulo estava fazendo um levantamento de um quadro importante do governo, talvez para seqüestro e resgate de companheiros então em precárias condições de saúde e em risco de morte pelas torturados sofridas. A esse propósito, convém lembrar que o próprio companheiro Carlos Marighela, comandante nacional da ALN, não ficou sabendo do seqüestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick. Por que, então, a Dilma deveria ser informada da ação contra o Delfim? É perfeitamente compreensível que ela não tivesse essa informação e totalmente crível que o próprio Carlos Araújo, seu então companheiro, diga hoje não se lembrar de nada;
4) A Folha, que errou a grafia de meu nome e uma de minhas ocupações atuais (não sou “doutorando em Relações Internacionais”, mas em Ciência Política), também informou na capa que havia um plano detalhado e que “a ação chegou a ter data e local definidos”. Se foi assim, qual era o local definido, o dia e a hora? Desafio que os editores mostrem agravação em que eu teria informado isso à repórter;
5) Uma coisa elementar para quem viveu a época: qualquer plano de ação envolvia aspectos técnicos (ou seja, mais de caráter militar) e políticos. O levantamento (que é efetivamente o que estava sendo feito, não nego) seria apenas o começo do começo. Essa parte poderia ficar pronta em mais duas ou três semanas. Reiterando: o Comando Regional de São Paulo ainda não sabia com certeza sequer a freqüência e regularidade das visitas de Delfim a seu amigo no sítio. Depois disso seria preciso fazer o plano militar, ou seja, como a ação poderia ocorrer tecnicamente: planejamento logístico, armas, locais de esconderijo etc. Somente após o plano militar seria elaborado o plano político, a parte mais complicada e delicada de uma operação dessa natureza, que envolveria a estratégia de negociações, a definição das exigências para troca, a lista de companheiros a serem libertados, o manifesto ou declaração pública à nação etc. O comando nacional só participaria do planejamento , portanto, mais tarde, na sua fase política. Até pode ser que, no momento oportuno, viesse a delegar essa função a seus quadros mais experientes, possivelmente eu, o Carlos Araújo ou o Carlos Alberto, dificilmente a Dilma ou Mariano José da Silva, o Loiola, que haviam acabado de ser eleitos para a direção; no caso dela, sequer tinha vivência militar;
6) Chocou-me, portanto, a seleção arbitrária e edição de má-fé da entrevista, pois, em alguns dias e sem recursos sequer para uma entrevista pessoal – apelando para telefonemas e e-mails, e dependendo das orientações de um jornalista mais experiente, no caso o próprio entrevistado -, a repórter chegou a conclusões mais peremptórias do que a própria polícia da ditadura, amparada em torturas e num absurdo poder discricionário. Prova disso é que nenhum de nós foi incriminado por isso na época pelos oficiais militares e delegados dos famigerados Doi-Codi e Deops e eu não fui denunciado por qualquer um dos três promotores militares das auditorias onde respondi a processos, a Primeira e a Segunda auditorias de Guerra, de São Paulo, e a Segunda Auditoria daMarinha, do Rio de Janeiro.
Osasco, 5 de abril de 2009
Antonio Roberto Espinosa"
Jornalista, professor de Política Internacional, doutorando em Ciência Política pela USP, autor de Abraços que sufocam – E outros ensaios sobre a liberdade e editor da Enciclopédia Contemporânea da América Latina e do Caribe

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Um aniversário que o Brasil jamais conseguirá apagar a vela.

Seria eu alguém muito pretensioso em querer explicar o que fora a ditadura militar no Brasil, obviamente que sim, afinal os episódios não se resumem em processos factuais e sim em todo um drama vivido por vinte longos anos onde sangue de jovens idealistas brasileiros derramaram entoando um coro que clamava pela liberdade que nos fora sumariamente arrancada e trancada nos porões obscuros e sinistros do DOI-CODE.
Muito pouco sabe-se a respeito desta época, já que muitas “peças” da militaria brasileira tal qual em um desfile continuam marchando ainda que em um tom menos exacerbado entre os altos escalões da nossa política; o que de fato sintetiza esta é a relevância que no ultimo 31 de Março o Brasil lamentou o 45º aniversário deste episodio que marca a mesquinharia dos lideres, a opressão maciça ante o povo que tal qual Geraldo Vandré cantava “Caminhando e cantando e seguindo a canção” rumava em direção a sua própria submissão, cunhada pela força das armas e os AI (Atos Institucionais).
Entre planos econômicos, milagre brasileiro e o tri-campeonato mundial de futebol, arruinava-se todo e qualquer tipo de livre-arbítrio que essas gerações tanto empenhavam-se, confrontando em uma batalha desleal contra as hordas fardadas que sem qualquer hesitar desfechavam golpes de cassetete e balas contar jovens munidos e alimentados por ideais; tortuosos foram os caminhos que esse período delineou para a sociedade brasileira, a educação fora resumida em aparatos de alienação dos estudantes, a mídia nunca trouxe tantas receitas de bolos e versos de Luis de Camões como nesta época, todavia tudo devia passar pelo crivo dos agentes responsáveis. Anos sofridos para um já combalido povo que, ao deitar-se em uma noite acordou entranhado na escuridão de 20 longos anos de um 1º de abril que jamais na recente historia brasileira fez tão jus ao dia dos tolos.
Por Leonardo Vannucci

Cobiça, regulação ou capitalismo

O agravamento da crise já faz parte do panorama quotidiano. Os meios de comunicação incluem frequentemente o desmoronamento de algum banco, o despenhamento das bolsas e anúncios de despedimentos massivos. A intensidade do tremor está à vista, mas as suas causas permanecem na obscuridade. As explicações neoliberais e keynesianas que ocupam o primeiro plano, não dão respostas significativas.
O destravar
-Quando os bancos começaram a desmoronar-se, os neoliberais ficaram afónicos e só pensaram em exigir a protecção do estado. Arquivaram as suas doutrinas de livre concorrência e reclamaram o socorro para o sistema financeiro. Argumentaram que as entidades privadas bombeiam o dinheiro requerido pela sociedade e que devem ser preservadas com fundos públicos [1] . Mas se o coração do capitalismo requer essa sustentação, não têm sentido todos os elogios ao risco e à concorrência como pilares de uma nova era desse sistema. A consistência desses cimentos verifica-se nos momentos críticos e nas áreas estratégicas. É incongruente postular que as privatizações e as desregulações são válidas apenas para momentos de prosperidade. O importante é registar a sua viabilidade em momentos revoltos e é evidente que não passaram essa prova. Os neoliberais ignoraram todas as advertências do estalar da situação. Ignoraram o descontrolo do endividamento, as alavancagens e os colapsos bancários registados em numerosos países. Quando era evidente que estas eclosões conduziam a um vendaval no centro do sistema reforçaram as suas superstições mercantilistas. Designaram essas comoções de impactos passageiros e atribuíram a sua irrupção a réstias de uma "cultura populista". Essa cegueira exprimiu os interesses de uma elite que rivalizou por açambarcar os lucros do negócio financeiro. Os neoliberais descobrem agora o lado inverso dessa concorrência exacerbada e explicam o desmoronamento das entidades pela cobiça dos banqueiros. Mas esquecem quão absurdo é reclamar moderação numa actividade tão competitiva. A rivalidade que rege o capitalismo exige a maior crueldade nas finanças. Todos os sermões em voga para restaurar a "ética dos negócios" omitem essa compulsão [2] . Os economistas ortodoxos detectaram repentinamente as consequências adversas da predisposição para o risco. Esquecem-se dos elogios que prestaram a essa postura, em detrimento do conservadorismo empresarial. No auge enalteceram as virtudes do aventureiro e na crise fazem ressaltar as vantagens da precaução. Mas ignoram sempre que as grandes explosões financeiras não obedecem a uma ou outra conduta individual. O que determina a marcha ascendente ou descendente da acumulação são as próprias contradições do sistema e não podem impedir os desequilíbrios sistémicos que essa atitude gera. Alguns economistas premiados atribuem a actual crise aos sofisticados mecanismos de intermediação que iluminaram as finanças. Destacam que "o mercado não valoriza adequadamente esses complexos títulos" [3] . Mas onde ficou a infinita sabedoria da oferta e da procura, em comparação com o estreito horizonte humano dos funcionários? Se agora descobrem a inoperância desse princípio na órbita financeira, porque razão deveria essa mesma norma governar o resto da economia? A crise em curso enterra o mito que atribui aos banqueiros (e aos seus matemáticos) a qualidade de perceber e gerir de forma rentável os sinais de risco transmitidos pelo mercado. Na realidade esses administradores subvalorizaram as ameaças de colapsos, uma vez que participaram num jogo em que é obrigatório subir sempre a aposta. A regra do benefício crescente impede-os de avaliar os riscos envolvidos nos empréstimos que manuseiam. E quando essas falhas se verificam, descarregam as suas traumáticas consequências sobre o resto da sociedade.
Falta de confiança - Alguns neoliberais atribuem as causas imediatas do tsunami a desacertos das políticas monetárias. Estimam que a redução das taxas de juro praticadas pela Reserva Federal obrigou as entidades a aumentar a concessão de empréstimos [4] . Consideram que a massiva concessão de créditos hipotecários de baixa qualidade (subprime) reproduziu a pauta estabelecida pelo governo norte-americano, na gestão das entidades semi-públicas do sector (Fannie e Freddie) [5] . Seguindo esta lógica, desculpam os bancos pela bolha imobiliária. Mas na verdade, a objectada diminuição das taxas destinou-se a reactivar a economia e a permitir uma lubrificação dos empréstimos, o que enriqueceu os financeiros. Por isso não questionam neste momento uma política monetária que, além do mais, não os obriga a conceder créditos de qualquer natureza. Por outro lado, a caprichosa divisão de responsabilidades entre funcionários e banqueiros omite a estreita vinculação que estes grupos mantêm entre si. Os personagens que chegam à administração do FED ou do Tesouro desenvolvem a sua carreira nos grandes bancos e querem retomar esses cargos quando se retirarem da actividade oficial. Longe de sofrer os rigores de certa política monetária, os financeiros participam activamente na fixação dessas orientações, através de distintos comités governamentais. Perante a falta de argumentos, os neoliberais recorrem a crenças. Converteram a confiança numa palavra mágica, que explica a explosão, a continuação ou a superação da crise. Supõe que o despenhar financeiro irrompeu com a perda dessa qualidade e dissipar-se-á com o seu restabelecimento. O estado de espírito dos empresários é visto como a chave mestra do ciclo económico. Mas ambos os processos estão ligados por uma causalidade inversa. Os capitalistas investem quando têm ganhos e subtraem capital nos períodos inversos. Por esta razão, enquanto a crise continuar a deteriorar os lucros, nenhuma exortação transformará a inquietação em optimismo. Todas as divagações sobre a confiança retratam somente os diálogos que a classe dominante mantém consigo mesma, na busca de uma luz ao fundo do túnel. Os porta-vozes mais experientes das finanças reconhecem que "o capitalismo encontra-se encurralado" pela gravidade do descalabro. Mas apostam igualmente numa crise curta e manobrável, que seria coroada com o restabelecimento pleno da "economia de mercado" [6] . Mas esta expectativa contradiz os sombrios diagnósticos que enunciam e choca-se com uma certa perda de consenso neoliberal entre as classes dominantes. Há muita ilusão e pouco realismo na esperança de um tremor irrelevante ou benigno [7] . Especulação e regulação - Os keynesianos afastaram os seus adversários da cena mediática. Atribuem-se o mérito de ter pressagiado a crise, mediante reiterados questionamentos à desregulação financeira. Mas na sua maioria acompanharam as prioridades da elite bancária e só apresentaram objecções nos últimos anos. Quando o establishment aplaudia os atropelos sociais inaugurados por Reagan e Thatcher, Stiglitz presidia ao Banco Mundial, Soros enriquecia especulando contra as divisas europeias e Jeffrey Sachs instrumentalizava o ajuste das economias periféricas. Esta mesma mudança de lado regista-se actualmente no sentido inverso. Greenspan modera o fervor neoliberal e Feldstein promove o gasto público. Mas esta flexibilidade de cheirar para onde sopra o vento não é sinónimo de lucidez para caracterizar a crise. Uma explicação que compartilham as duas vertentes da economia convencional associa o colapso actual com as "bonificações exageradas dos gestores" [8] . Este prémio à especulação é condenado com o mesmo vigor com que se questionam as fraudes perpetradas por personagens como Bernard Madoff. Essas condutas são invariavelmente apresentadas como excepções e não como expressão dominante na actividade bancária actual. O roubo de 50 mil milhões de dólares de Madoff a poderosas entidades (Santander, BBVA, HSBC, Paribas) através de uma simples pirâmide foi apenas mais um episódio do negócio financeiro. Prometia altos rendimentos por investimentos inexistentes, que disfarçava com a chegada de novos clientes. Com essa manobra estendeu às fortunas das elites os enganos que caracterizam a intermediação. As suas apropriações indevidas caíram em desgraça porque flanquearam a permeável fronteira que separa as actividades toleradas das ilegais. No ambiente de impunidade neoliberal dos últimos anos cometeram-se todo o tipo de fraudes. Os seus principais artífices foram os bancos e as empresas construtoras que montaram a bolha imobiliária. Os desfalques foram coroados com os 140 mil milhões de dólares que Bush concedeu aos seus banqueiros predilectos, mediante uma manobra obscura de isenção fiscal impositiva. Este reinado generalizado da espoliação não deveria ocultar que o próprio capitalismo gera periodicamente marés de especulação para aumentar o crédito. Esta expansão requer financeiros com habilidade para inventar refinados instrumentos de endividamento. Como estes indivíduos obtêm ganhos proporcionais às jogatinas que montam, tendem sempre a violar as regras vigentes. Alguns keynesianos – como Krugman e Samuelson – explicam o excesso de especulação pela ausência de regulação e esperam emendar esta carência com normas mais restritivas [9] . Mas estas regras abundam na selva legislativa manejada por distintos lobbys de banqueiros nos bastidores do poder. Esta estrutura – e não a abstracta ausência de regulamentação – precipitou a crise. Algumas normas tenderam a delegar nos próprios banqueiros a gestão consensual das operações (acordos de Basileia) e outras incentivam uma gestão mais estreita com as autoridades (através da independência dos bancos centrais). Mas as entidades nunca operaram no vazio. A fantasia de evitar a repetição do estalido financeiro com novas disposições legais recuperou força. Mas estas comoções são inerentes ao capitalismo e não existe nenhuma forma de impedir a sua reiteração. O próprio sistema gera periodicamente pressões para valorizar o capital e cria anticorpos para esterilizar as regulações precedentes. Esta reacção verificou-se, por exemplo, no início do neoliberalismo e voltará a aparecer quando o capitalismo necessitar recompor as taxas de lucro. Se todo o reboliço em curso derivasse de uma falta de supervisão, não haveria tanto temor pela evolução futura das finanças. Já existe um amplo consenso para modificar o funcionamento dos bancos, verificar as operações bolsistas e limitar o alcance das actividades com maior risco. Mas é óbvio que estas iniciativas só introduzirão correctivos menores. Os keynesianos idealizam as regulações que os estados capitalistas estabelecem para ordenar o funcionamento dos mercados financeiros. Supõe que estas normas definirão a dinâmica do negócio bancário, omitindo que o essencial é a garantia conferida pelo poder público aos distintos papéis em circulação. O que permite comercializar títulos é a percepção de solidez no aval estatal. Com este apoio fluem as moedas, colocam-se os títulos públicos e intercambiam-se os documentos privados. Quando essas garantias falham, as regulamentações perdem relevância e as crises assumem a gravidade que se observa na conjuntura actual. Os economistas heterodoxos desconhecem por completo este problema. Como são fiéis do capitalismo e do estado supõem que basta estabelecer óptimas regulações para favorecer o bem comum. O salvamento dos bancos refutou categoricamente essa presunção. Mas, além disso, abriu-se uma crise que pôs em dúvida a capacidade do estado de proteger os títulos em circulação. Esta vulnerabilidade não depende de uma ou de outra regulação, mas sim da gravidade e da evolução do crack financeiro. Mas o que mais chamou a atenção nos últimos meses foi o temor reverencial exibido pelos keynesianos em relação aos financeiros. Krugman e Stiglitz propiciaram o salvamento dos bancos sem olhar a custos nem impor penalidades. Constatam a "armadilha de liquidez" propagada pelos bancos – ao receberem auxílios estatais que os enriquecem sem reactivar o crédito – mas não aplicam nenhum correctivo. As estrelas do pensamento económico actual também notam o escasso impacto que têm as decrescentes taxas de juro sobre a melhoria do investimento ou do consumo. Sabem que os bancos aproveitam os preços baixos dos fundos disponíveis para compensar as quebras, reconverter as suas operações ou adquirir outras entidades. Este bloqueio poderia reverter-se com medidas de expropriação, mas os novos mimados do establishment arquivaram qualquer estratégia de eutanásia do rentista. Os keynesianos pretendem dissuadir a especulação sem obstruir a rivalidade pelo lucro. Nas crises enfatizam o primeiro objectivo e na prosperidade apontam-lhe o segundo propósito. Mas ignoram sempre que ambas são periodicamente soterradas pela própria reprodução capitalista.
Coordenação e reactivação-Muitos keynesianos atribuem a propagação global da crise à "escassa coordenação que os governos mantêm". Especialmente Krugman e Stiglitz destacam esta carência [10] . Advertem contra a expansão não consensual dos gastos públicos, as desvalorizações sem consulta e o proteccionismo comercial. A sua exigência de sincronização reflecte o carácter internacional da crise. Como o temor sacode a principal economia do planeta, o contágio à Europa e Japão é tão acelerado como a fracassada separação da semi-periferia emergente. Nem sequer a Suíça ou o Golfo Pérsico conseguiram afastar-se do tsunami financeiro que já travou a locomotiva chinesa e ameaça reproduzir as comoções de que padecem a América Latina e o Sudeste Asiático. Este alcance planetário induz a procura de remédios coordenados pelos economistas heterodoxos. Por isso objecta-se à salvação à custa do vizinho que predominou no início da crise. Especialmente na Europa, a disputa brutal entre os países para preservar os depósitos bancários conduzia à sua fusão. O mesmo efeito tendia a gerar a política simultânea de aumentar (Banco Central Europeu) e reduzir (Reserva Federal) as taxas de juro. Todos os keynesianos agora aplaudem a adopção generalizada do modelo inglês de capitalização bancária como correctivo da crise. As diferenças de aplicação que separam os franceses (ingerência estatal nas administrações) dos norte-americanos (ausência de interferência na gestão) e a pressão britânico-americana para manter o livre movimento de capitais em Nova York e Londres não alteram esta busca de uma resposta comum ao descalabro financeiro. Nas propostas em debate os economistas heterodoxos reivindicam as iniciativas que tendam a diminuir a gravitação dos paraísos fiscais, reduzir o protagonismo das classificadoras de risco e introduzir mecanismos de alerta bancário. Também dão o seu aval ao corte das retribuições aos executivos e à modificação das normas de funcionamento bancário global (Basileia II). Mas nenhuma destas mudanças é substancial e a sua aplicação exige um fim (ainda incerto) do despenhamento financeiro. O desenho de "um novo Bretton Woods" apregoado por Stiglitz é mais ambicioso, mas flutua no ar [11] . Definir um novo prestamista internacional de última instância e estabelecer os critérios de outra moeda (cabaz, multilateral, Bancor) requer uma certa estabilização da tormenta financeira. E este compromisso, por sua vez, pressupõe um desenlace das relações de força entre as potências, que apareceria mais no final e não no início da crise. A indefinição que impera em volta do dólar e do euro é um nítido sintoma do carácter inicial deste tremor. O bilhete estado-unidense transformou-se no refúgio espontâneo de todas as classes dominantes do planeta. Mas o descomunal défice fiscal e comercial dos EUA põe em dúvida a continuidade dessa tendência. O euro também ofereceu protecção aos capitais que abandonam as divisas dos países europeus mais ameaçados (Polónia, Dinamarca, Suécia, Islândia). Mas não se sabe como responderá esta moeda ao descalabro dos convénios orçamentais de Maastricht. Mais perigoso ainda é o transbordante endividamento que registam vários países do Velho Continente (Itália, Grécia, Espanha). Todos os apelos angelicais à "coordenação internacional" disfarçam as duras regras da realpolitik que imperam nos encontros oficiais. Na cimeira que em Novembro passado reuniu 20 presidentes, os Estados Unidos exigiram um compromisso geral com o seu resgate financeiro. Pretendem garantir especialmente a contínua afluência em direcção ao Norte dos fundos acumulados pela Ásia e pelos países exportadores de petróleo. Com esta finalidade, ao "Grupo dos 7" foram adicionadas a China, Rússia, Brasil, Índia e Arábia Saudita. A presença de outros países é um formalismo diplomático, uma vez que a Argentina, Indonésia, México ou Turquia figuram na lista de países receptores de dinheiro, e não na de países provedores do mesmo. Nas próximas cimeiras, Obama tentará continuar esta política de atracção de capitais para os EUA. Todas as mensagens keynesianas para "reformar o FMI" com a "nova arquitectura financeira" caíram, subjugadas pela prioridade da reconstrução dos bancos malparados. Com a finalidade de relançar o Fundo como administrador desse socorro, já se discute a concessão de atribuições aos novos contribuintes de capital. Essas iniciativas poderiam também ser acopladas ao trespasse de acções dos bancos mais aflitos aos seus mecenas da Ásia ou do Mundo Árabe. Mas em qualquer caso o FMI continuará a actuar como representante dos credores contra os povos da periferia. Este papel – que não perturba Stiglitz ou Krugman – desmente as fantasias que exibem alguns presidentes latino-americanos sobre uma viragem benevolente do FMI. As expectativas de "empréstimos sem condições para os mais necessitados" foram destruídas pelos recentes créditos concedidos à Ucrânia ou à Hungria (e negociados com a Islândia e o Paquistão). Estes acordos incluem todas as exigências de ajuste neoliberal. Os keynesianos vivem como um triunfo a aplicação actual das suas orientações. Supõe que esta implementação confirma a superioridade do seu programa. Mas esta viragem apenas ilustra a afinidade que mantêm com os seus adversários. O FMI e todos os governos conservadores abraçaram as propostas da reactivação porque na crise as classes dominantes recorrem aos gastos públicos para travar a recessão. Obama prepara-se para lançar o maior plano de infraestruturas dos últimos 50 anos (136 mil milhões de dólares). Este mesmo tipo de gastos será instrumentalizado pelos presidentes neoliberais da Europa (170 mil milhões de euros) e o mandatário de direita do Japão (255 mil milhões de dólares). O propósito comum destas iniciativas é auxiliar os banqueiros e industriais afectados pela implosão financeira. Os keynesianos aplaudem o socorro mas advertem contra o seu eventual fracasso, se as decisões se aplicarem de forma tardia, com instrumentos inadequados ou com doses reduzidas. A obviedade deste tipo de raciocínio salta à vista: se as medidas dão resultado confirmam a sua conveniência e se falham demonstram a sua insuficiência. Mas a severidade da crise induz os papas da heterodoxia a reclamar também maiores impostos a ricos e menores gastos militares (Stiglitz) ou o bombear directo de mais dinheiro oficial, ultrapassando a intermediação bancária (Krugman). Em comparação com as iniciativas que debatem outros economistas do mesmo círculo, estas propostas sobressaem pela sua cautela [12] . Todos os keynesianos esperam o ressurgimento do capitalismo com políticas anticíclicas. Desconhecem as limitações destas orientações e o seu escasso impacto fora de certas condições. Para compreender o que está a acontecer é necessário recorrer a outras teorias.
por Claudio Katz

Cerca de Nove mil trabalhadores protestam com paralisações no interior de SP

Cerca de 9.000 funcionários de montadoras de automóveis e fabricantes de eletroeletrônicos da região de Campinas (SP) suspenderam ou reduziram a jornada de trabalho nesta quarta-feira, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região.
As paralisações fazem parte da Semana Internacional de Lutas e vieram acompanhadas de protestos. Entre as reivindicações está a manutenção de empregos e de direitos trabalhistas durante a crise global.
No complexo industrial da Honda, em Sumaré (120 km de São Paulo), cerca 5.200 funcionários da linha de montagem e da LSL, empresa de logística da companhia, deixaram de trabalhar, segundo o sindicato.
De acordo com a assessoria de imprensa da Honda, o número de funcionários que não trabalharam foi menor --4.700-- e cerca de 600 carros deixaram de ser produzidos.
Na montadora da Toyota instalada em Indaiatuba (102 km de São Paulo), aproximadamente 1.500 funcionários --o sindicato diz que foram 2.000-- pararam durante três horas de cada turno, segundo a empresa.
No complexo da Samsung, que engloba três empresas fabricantes de telefones celulares e televisores de LCD, em torno de 1.800 funcionários não trabalharam, segundo o sindicato.
Sobre o acordo realizado entre governo e montadoras, que vincula as reduções de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) à manutenção do nível de emprego no setor, o sindicato dos metalúrgicos se diz insatisfeito.
Para o presidente da entidade, Jair dos Santos, o governo deveria exigir a estabilidade dos funcionários, e não apenas a manutenção do nível de emprego. "Do jeito que foi acertado, se um montadora contrata mil, outra pode demitir mil, e isso não nos dá segurança."

"Milagre" pós-1964 concentrou renda em período de expansão econômica

Brasília - O período militar de 1964 a 1985 abrigou grandes contradições na sociedade brasileira, como a modernização da economia a custo do agravamento da desigualdade social. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os 20% dos brasileiros mais pobres tinham 3,9% do total da renda nacional em 1960. Vinte anos depois, em 1980, esse mesmo um quinto da população concentrava apenas 2,8% de toda a renda produzida no país.
Em 1974, após o chamado “milagre econômico”, o salário mínimo tinha a metade do poder de compra de 1960. Nos anos do milagre (1968 a 1973), a taxa de crescimento econômico ficou em torno de 10%, com picos de 14%, e a indústria de transformação expandiu quase 25%.
As contradições econômicas de um país que ficava mais rico e a população mais pobre têm explicações políticas, avalia o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann. “A ausência de democracia impossibilitou haver pressão de baixo. A política autoritária acabava consagrando os resultados econômicos.”
Para a economista Leda Paulani, da Universidade de São Paulo (USP), os momentos de maior crescimento econômico são propícios para expansão do emprego e da renda, “porque a demanda por trabalho é muito alta, não há risco de desemprego”. A ditadura, no entanto, impediu essa associação virtuosa ao reprimir a organização política e a luta sindical. “Os trabalhadores não podiam lutar por maiores fatias do bolo, os sindicatos estavam amordaçados”, lembra.
Leda assinala que “as condições econômicas para o milagre foram colocadas no período anterior à ditadura”, referindo-se à capacidade instalada da indústria e ao contexto da economia internacional. Em sua opinião, o milagre melhorou em termos absolutos a situação de setores que tiveram acesso ao crédito. “O crescimento por si só era bom. O crédito acabava melhorando a vida material. Mas ,em termos relativos ,as desigualdades se aprofundaram nos estratos mais pobres. Não se aproveitou aquele momento de crescimento para resolver a desigualdade distributiva.”
Segundo Pochmann, no golpe militar de 1964 [assim como na Revolução de 1930] predominou uma convergência política em torno do crescimento econômico, como mecanismo de postergar as soluções dos problemas sociais e de manter a concentração patrimonial e a desigualdade de renda. “O crescimento era uma convergência que impedia a oposição frente aos resultados sociais insatisfatórios e à própria ausência de democracia.”
“Os ministros da economia eram pessoas muito elitistas, pensaram o desenvolvimento econômico por meio da liderança de certas elites estratégicas. No caso do campo, virou agrobusiness, no caso da indústria, foi a consolidação [do mercado de bens de consumo] e a abertura para o exterior”, complementa Benício Schmidt, cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB).
Conforme Schmidt , a escolha pelo crescimento sem distribuição de renda teve conseqüências econômicas e sociais bastante graves. “Hoje ,nossa economia está praticamente monopolizada, fruto dessa acumulação concentrada. É claro que isso aí não gerou os empregos que deveria, não ajudou a renda como deveria e trouxe muitos problemas. Não serviu para pressionar o sistema educacional para atender uma demanda que nunca existiu. Isso tudo foi acumulando e deu no que deu: uma das concentrações de renda mais altas do mundo”, lamenta.
Além da questão econômica e social, o cientista político faz a ligação entre o modelo econômico e a repressão durante a ditadura. “A elite militar estava sustentada no empresariado, com grandes conexões internacionais. Um número reduzido de empresários que financiaram a Operação Bandeirantes (Oban)”, diz, referindo-se à formação paramilitar dos órgãos de repressão em São Paulo, financiada por grandes empresas, inclusive multinacionais, para combater a resistência à ditadura.
“Os empresários financiaram o golpe de Estado e com ele expandiram muito seus negócios, tiveram nos militares uma grande segurança, um grande guarda-chuva de proteção”, avalia Schmidt.