domingo, 20 de dezembro de 2009

Presidente tucano não segue FHC e já descarta chapa Serra-Aécio

Foi praticamente inútil a entrevista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em defesa da chapa puro-sangue do PSDB nas eleições presidenciais de 2010. Ao jornal O Estado de S. Paulo, FHC declarou que uma chapa encabeçada pelos governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) refletia o “'sentimento nacional”. Mas o próprio presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), admitiu nesta sexta-feira, no Recife, que essa possibilidade é “extremamente difícil”.

Guerra foi taxativo: “Prefiro não trabalhar com essa hipótese”. De acordo com o líder tucano, Aécio deverá mesmo buscar uma vaga no Senado, e o DEM ainda é o “aliado preferencial” para compor a chapa — apesar do envolvimento de integrantes do partido nas denúncias de corrupção no Distrito Federal. “Não há nenhuma hipótese de o DEM não estar conosco nessa construção solidária”, declarou o senador. “Os nossos problemas afetam o DEM, assim como os do DEM afetam a nossa vida.”

Antes do mensalão na capital federal — e da emblemática imagem do dinheiro nas meias —, os “demos” cogitavam indicar o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (agora sem partido), para vice na chapa de Serra. Agora, desgastado e implodido, o DEM avalia outros nomes, como os senadores José Agripino Maia (RN) e Kátia Abreu (TO), além do deputado federal José Carlos Aleluia (BA).

A convicção de Sérgio Guerra é um contraponto à visão idílica que FHC tenta plantar. Um dia após Aécio anunciar sua desistência da corrida pelo Palácio do Planalto, Fernando Henrique sustentou, sem dar evidências, que o mineiro “não fechou a porta” para composição numa chapa puro-sangue.

“O governador Aécio nega (que venha a aceitar a vice), mas não fechou a porta. Eu preciso conversar com ele porque não quero criar uma situação que dificulte”, afirmou o ex-presidente, já dificultando a situação tucana. E emendou: “Independentemente de qualquer pessoa ter dito qualquer coisa a esse respeito, toda mídia fala disso. Acho que há um sentimento nacional nessa direção.”

Aliados afirmam que a decisão de Aécio passará pela eleição de 2014. De acordo com eles, se Serra perder a liderança nas pesquisas de intenção de voto, a tendência é que o governador de Minas busque o voo solo ao Senado, tendo como objetivo ser uma alternativa em 2014. “Aécio não aceitará um projeto com chance de derrota. Vai preferir a vitória no Senado”, afirmou um aliado.

Há, entretanto, no PSDB quem aposte que o próprio Serra não será candidato a presidente e tentará a reeleição, caso o quadro do ano que vem não seja favorável à oposição. “Não acredito nisso. Claro que a pessoa só é candidata quando se declara candidata. Mas acho que Serra tem todas as condições de ser candidato”, declarou Fernando Henrique.

Na sexta-feira, Aécio não deu sinais sobre seu futuro político. “Apenas Deus sabe o que o destino nos reserva”, afirmou em um evento em Minas. Ele insistiu que em três meses não será mais governador — sua pretensão é se desincompatibilizar para trabalhar na eleição estadual.

FHC disse concordar com o teor da carta lida por Aécio na quinta-feira e da nota publicada em seguida por Serra — ambas criticavam a divisão do país, o que, para os tucanos, é estimulado pelo PT. Para o ex-presidente, os dois governadores “agiram bem” no desfecho. “Um não provocou o outro, um respeitou o outro. É da vida. Aécio demonstrou mais uma vez ter qualidades. Só nos fortaleceu.”

Parabólicas

A cúpula tucana avalia que, por enquanto, não é hora de mudar estratégias. Mesmo sem anunciar que é candidato, Serra está em indisfarçável campanha. Nas regiões Norte e Nordeste, onde o PSDB encontra maior resistência, a sigla vai explorar as antenas parabólicas de TV, comuns no interior dos estados. Direcionadas aos satélites, muitas delas captam imagens geradas em São Paulo, o que inclui as propagandas do governo Serra.

Segundo Sérgio Guerra, as novas estratégias para 2010 começarão a ser discutidas em janeiro. A primeira reunião da executiva nacional do partido foi marcada justamente para Belo Horizonte, para demonstrar apoio ao governador mineiro. “Ninguém preparou a saída de Aécio, nem ele próprio”, disse o presidente do PSDB, procurando negar divisões internas no partido. “Todos nós sabíamos, e o partido de maneira especial, que o tempo dele terminava no final de ano. Foi o que ele fez, não nos surpreendeu."

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