quinta-feira, 9 de abril de 2009

Um aniversário que o Brasil jamais conseguirá apagar a vela.

Seria eu alguém muito pretensioso em querer explicar o que fora a ditadura militar no Brasil, obviamente que sim, afinal os episódios não se resumem em processos factuais e sim em todo um drama vivido por vinte longos anos onde sangue de jovens idealistas brasileiros derramaram entoando um coro que clamava pela liberdade que nos fora sumariamente arrancada e trancada nos porões obscuros e sinistros do DOI-CODE.
Muito pouco sabe-se a respeito desta época, já que muitas “peças” da militaria brasileira tal qual em um desfile continuam marchando ainda que em um tom menos exacerbado entre os altos escalões da nossa política; o que de fato sintetiza esta é a relevância que no ultimo 31 de Março o Brasil lamentou o 45º aniversário deste episodio que marca a mesquinharia dos lideres, a opressão maciça ante o povo que tal qual Geraldo Vandré cantava “Caminhando e cantando e seguindo a canção” rumava em direção a sua própria submissão, cunhada pela força das armas e os AI (Atos Institucionais).
Entre planos econômicos, milagre brasileiro e o tri-campeonato mundial de futebol, arruinava-se todo e qualquer tipo de livre-arbítrio que essas gerações tanto empenhavam-se, confrontando em uma batalha desleal contra as hordas fardadas que sem qualquer hesitar desfechavam golpes de cassetete e balas contar jovens munidos e alimentados por ideais; tortuosos foram os caminhos que esse período delineou para a sociedade brasileira, a educação fora resumida em aparatos de alienação dos estudantes, a mídia nunca trouxe tantas receitas de bolos e versos de Luis de Camões como nesta época, todavia tudo devia passar pelo crivo dos agentes responsáveis. Anos sofridos para um já combalido povo que, ao deitar-se em uma noite acordou entranhado na escuridão de 20 longos anos de um 1º de abril que jamais na recente historia brasileira fez tão jus ao dia dos tolos.
Por Leonardo Vannucci

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