segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Consciência‏

Fico muito triste e até mesmo decepcionado às vezes com a pouca consciência do brasileiro no que se refere à política e os conceitos básicos de várias coisas que  regem a sua vida.  A história de seu povo, as lutas das conquistas sociais que lhes dá algum direito não são se quer questionada à custa de quanto sangue e sofrimento foram conseguidas. Claro, há exceções, não podemos generalizar por completo toda a sociedade, afinal, temos que levar em conta o estrago intelectual causado pela nossa, de certa forma recente ditadura.  As pessoas, não pensam uma nas outras, a questão social me parece que é mais motivo de promoção social em campanhas, ONGs, do que realmente uma necessidade para construirmos um país melhor, uma sociedade mais segura e estável.

O socialismo, comunismo, era visto na época da ditadura militar como um mal a ser combatida, a mídia propunha de forma descarada, que seria uma forma de governo que só produziria  presos políticos e falta de liberdade. As escolas, ao serem vigiadas pelos donos do regime e uma severa censura, era impossibilitada de mostrar à realidade, de criar uma consciência neutra na qual o cidadão pudesse escolher as suas próprias convicções, a história, a geografia se detinha em ensinar aos alunos, apenas meia verdade, a verdade dos poderosos da época. Poucas pessoas sabiam e ainda  sabem os verdadeiros sentidos do socialismo; faça o teste por você mesmo, perguntem aos seus amigos e familiares sobre o assunto, poucos tem uma ampla consciência do que é só alguma idéia, muitas vezes equivocada e parcial de todo o processo. Parabéns aos generais da ditadura conseguiram enterrar o brasileiro em uma obscuridade intelectual e política sendo massa de manobra de interesses de pequenos grupos. E isso, é de difícil retorno já que as pessoas hoje em dia, pensam mais em consumir do que em criar um meio saudável de convivência social. 

Parabéns aos generais da ditadura que colaboraram em criar um país com uma enorme quantidade de presos econômicos, já que nossa população carcerária atualmente é de maioria pobre e marginalizada. As pessoas de posses trancam-se  em suas fortalezas e sistemas de segurança e vivem de certa forma, a margem da realidade da imensa parte da população brasileira  que permanece sem ter condições de vida digna de trabalhadores. Até alguns sindicatos de trabalhadores são contaminados, e de certa forma trabalham para a classe patronal. Vários sindicatos preocupam-se com qualificar o trabalhador para melhor servir o capital, como os de trabalhadores rurais em qualificar tratoristas, o sapateiros em qualificar cortadores, os metalúrgicos em qualificar soldadores; atitudes assim, não melhoram a vida do trabalhador, apenas forma profissional mais qualificada para melhor servir o patrão. A desigualdade histórica permanece a mesma.

Em recente pesquisa realizada, apontou a nossa região como a vigésima sétima economia do planeta, só a região de Franca e Rib. Preto, e nessa região há uma desigualdade social tremenda, cidades que tem sua economia inteira voltada a poucas atividades e pouquíssimos empresários, vivem a mercê dos interesses desses capitalistas que quando resolvem mudar de atitude, ou investir seus capitais em outras áreas ou cidades, as populações ficam a mercê da sorte, citando como exemplo o caso da Citrosuco em Bebedouro, a Embraer em Gavião Peixoto e as indústrias de calçado de Franca. È inconcebível que o trabalhador viva nesse processo de "corda bamba", isso é falta de dignidade já que em muitos casos ele entrega sua vida ao trabalho em uma empresa, um ramo, e depois isso lhe é tirado de forma tão cruel, e o pior, em muitas vezes pela oferta de melhores condições oferecida por outras prefeituras  que dão incentivos para as empresas mudarem, ou seja,  os poderes públicos municipais ao invés de pensar no todo, no país inteiro, fica guerreando entre  si para oferecer a melhor condição para o patrão, e quem perde com essa falta de visão ampla  é o país como um todo.

Esse modelo de bajulação do capital tem que ser superado. Nós  temos emprego porque damos lucro ao capital; na teoria, quem tem que ter medo dessa situação é o capital (patrão) e não o trabalhador que é peça fundamental desse processo, a esse, o trabalhador falta reconhecer seu verdadeiro papel nesse processo e ser mais militante, consciente e principalmente atuante. Parabéns generais da ditadura conseguiram manipular a sociedade de tal forma que toda a consciência de classe se perdeu. Mas isso vai mudar as toxinas injetadas nas veias das sociedades por anos de repressão vão passar. A atual crise capitalista global, gerada pela própria ganância  de acumulação trará as duras penas a consciência dos trabalhadores, e isso, fará a sociedade como um todo reavaliar seu papel, a partir desse momento, o jogo começará a mudar. Disso tenho certeza e convicção. E assim, segue a história...

Por Geliane Gonzaga

 

 

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